Sonetos de Arnold Souza

REALIDADE

Infeliz de quem segue mundo afora
De coração cerrado à luz da vida.
Infortunado o espírito que chora
Sem um raio de fé n’alma oprimida!…

Desventurado aquele que demora
Na noite de aflição indefinida.
Consumindo a esperança de hora em hora
Na descrença sem luz e sem guarida!…

Foi assim que busquei a morte escura,
Penetrando o portal da sepultura,
Louco de dor, em passos cambaleantes…

Mas, ao em vez de olvido, paz e nada
Encontrei a mim mesmo noutra estrada,
Triste só entre escombros fumegantes…

LUTA E CONFIA

Não te entregues ao mal. Luta e confia,
De mãos sangrentas pela estrada afora,
Glorificando o bem, sofrendo embora
A tormenta de pranto e de agonia.

Enfrenta a tempestade e a noite fria,
E ante a esfinge insolúvel que devora,
Medita e silencia, sonha e chora,
Mas espera o clarão do novo dia.

Não procures a morte escura e extrema,
A fuga não resolve o teu problema
E a dor prossegue, amargurosa e crua…

Recorda, sem cessar, seguindo avante
Que, em tudo, há uma justiça vigilante
E que a Vida Infinita continua…