Representante do Ideal Cristão

Quando o Chico, em 1944, acompanhado do Dr. Rômulo Joviano visitou, pela primeira vez, a cidade de Leopoldina, para uma exposição de animais selecionados da Fazenda Modelo, houve muita curiosidade por parte da população, principalmente do lado dos confrades. Pois, o nome do grande Médium estava em evidência com o Caso Humberto de Campos.
Sem que soubesse, à sua revelia, os diretores do Centro Espírita local convidaram os espíritas leopoldinenses e das cidades vizinhas para assistirem à Sessão Especial, na qual comparecia, segundo o aviso, o Médium Francisco Cândido Xavier.
Foi um alvoroço. O Chico soube do sucedido, da propaganda excessiva que faziam de seu nome, amedrontou-se e disse de si para consigo:
— Não vou à Sessão. Isto é mais uma exibição, uma experimentação à minha vaidade. Que dirão de mim?
Como não era conhecido na cidade, pôde andar livremente. Dirigiu-se a uma barbearia, a fim de cortar o cabelo. Lá, ouviu os comentários mais estúrdios. Um dos presentes dizia:
— Sabem da grande novidade? O conhecido Médium de Pedro Leopoldo está entre nós e, logo mais às 20 horas, vai à Sessão Especial do Centro Espírita! Vai haver uma enchente colossal!
Vocês devem ir, como eu vou, cedo, se quiserem encontrar lugar.
O Chico mais convencido ficara de que não deveria comparecer. Saiu da barbearia e refugiou-se no Hotel. Ali pelas 19 horas, quando se achava deitado, descansando, Emmanuel lhe aparece e diz:
— Na Exposição a que tomamos parte, estão representados todos os valores da Terra, através da Lavoura, da Indústria e do Comércio. Até a Creolina está representada. Estou agora, procurando alguém que represente, na Exposição e fora dela, aonde quer que estejamos, o Ideal Cristão. Desta forma, esse Representante compareceria à Sessão que humildes Irmãos realizam, hoje às 20 horas, no Centro Espírita local… Certamente, você não quererá ir, está cansado, quer sossego…
Diante desta lição, o Chico levantou-se rápido e compareceu à Sessão Espírita. Perante uma numerosa assistência, curiosa por vê-lo, ouvi-lo e senti-lo, falou, recebeu Mensagens significativas e tocantes, inclusive um belo soneto de Augusto dos Anjos, que desencarnara naquela cidade mineira e, naquela hora magistral, pagava sua dívida à Terra que lhe acolhera os ossos, votando-lhe uma Poesia, que é um cântico de agradecimento à Leopoldina e aos seus filhos ilustres e queridos, que nos seus últimos momentos, como encarnado, lhe deram tão comovedora provas de carinho e de assistência espiritual. Essa bela Poesia consta do Parnaso de Além-Túmulo.
Que belo e consolador trabalho realizou o Representante do Ideal Cristão na Terra, naquela noite, pela pessoa do Chico, perante uma numerosa assistência ávida de esclarecimento, corações preparados para receber as sementes de luz dos Ensinos do Divino Mestre!

Ramiro Gama