Pelas Mãos do Tempo

O ciclo anual no infinito do tempo é, de algum modo, semelhante à existência no infinito da vida.
Na primavera temos a infância e a juventude, coloridas de suaves promessas.
No verão, encontramos a plenitude orgânica, repleta de energia.
No outono, vemos a madureza, tocada de experiência.
No inverno, sentimos a presença da noite fria e obscura, precedendo a alvorada nova.
Se te empenhas no aproveitamento do corpo terrestre como instrumento necessário à formação do futuro, reflete na bênção do dia e vale-te dela na própria renovação.
Para esse fim, não te despreocupes da mente, para que a criação, o trabalho e a vigilância te inspirem a caminhada na construção do porvir, que desejas entretecido de paz e luz.
Assume com a própria consciência, o compromisso da redenção de ti mesmo e resgata-o, com o respeito dentro do qual sabes solver no mundo a promissória bancária que te desafia a responsabilidade e envolve o nome.
Lembra-te das horas que escoam implacáveis e afeiçoa-te ao cumprimento do dever como sendo o culto da própria felicidade.
Observa o microcosmo em que a Lei Divina te situa temporariamente, no aprendizado salvador…
A família consanguínea, a casa de trabalho, a autoridade humana a que te subordinas; o templo de tua fé, o grupo dos amigos e dos desafetos e o caminho das obrigações inelutáveis, a se revelarem de hora a hora…
Repara o tesouro das oportunidades de serviço e faze dele abençoada escola de preparação espiritual, ante a imortalidade que te espera…
Exercita a bondade e enriquece-te de conhecimentos superiores; auxiliando aos que te rodeiam em cada instante de hoje que te foge ao olhar e, da estação em que estiveres, partirás pelas mãos do tempo, em demanda da sabedoria e do amor que te aguardam o coração, no Grande Amanhã, ao esplendor do Sol Inextinguível.


Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga