Oração diante da cruz

Contemplando-te, ó Mestre, içado às dores,
Em teu trono de angústia, sangue e chagas,
Sinto em mim a grandeza com que esmagas,
O ódio e a maldade dos perseguidores…

Ladeado por rudes malfeitores,
Ao vozerio de baldões e pragas,
Guardas no olhar a benção com que afagas,
O coração dos pobres sofredores.

Perdoai-lhes, meu Pai, disseste em pranto,
No imenso amor, iluminado e santo,
Que a tua cruz de lágrimas encerra…

E vejo, enfim, que sem teus dons divinos,
Não passamos de escuros peregrinos,
Infortunados lázaros da Terra!

Jesus Gonçalves


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