Nos domínios da palavra

Não vamos tratar aqui da arte de falar e escrever bem, obedecendo às leis gramaticais.
Recordamos a palestra que tivemos, certa vez, com o Chico, sobre o que sai de nossa boca, que nos revela o caráter e a personalidade.
Sem que policiemos a língua, dificilmente conseguiremos ganhar o nosso dia. Quando damos acordo de nós já tomamos parte nos torneios da maledicência, conversamos futilidades ou demos respostas infelizes, que nos trarão sofrimentos e arrependimentos tardios.
E veio à tona o revide que recebemos pelo ar, do sem fio do Pensamento, de pessoas de quem, em momentos invigilantes, fizemos mau juízo…
Até punhaladas e tiros temos recebido, exclamou o Chico, particularizando-nos que de uma feita, porque advertira um companheiro, sem vestir-se da defesa da humildade, recebeu depois, do mesmo, quando menos esperava, um tiro, projetado sobre ele com a força de um pensamento carregado de ódio… Os amigos da Espiritualidade, por mercê de Deus, abrandaram o efeito do choque, mas, mesmo assim, passou vários dias com dor no ombro, que foi o ponto visado…
Nossa companheira, Zezé Gama, contou que recebera de uma empregada, há tempos, uma forte punhalada espiritual, nas costas, tudo porque, levemente, lhe chamara a atenção por uma falta cometida. Ficara vários dias, com dor em todo o tórax.
No belo livro Rosário de Coral, há um caso idêntico, lembramos.
E o inspirado Médium deu-nos uma verdadeira aula sobre os malefícios que uma língua descontrolada pode realizar, para que, mais uma vez, ficasse vitoriosa a assertiva evangélica: que não é o que entra mas o que sai de nossa boca que traz felicidade ou infelicidade, triunfo ou derrota para nosso pobre espírito.

Ramiro Gama