Madre Teresa de Calcutá

Agnes Bojaxhiu - Madre Teresa De Calcutá
Nasc: 26/08/1910 - em SKOPJE,na ALBÂNIA
Desc: 05/09/1997 - em CALCUTÁ, na ÍNDIA

Aos 18 anos, ingressou na ordem religiosa irlandesa das Irmãs Loretto, escolhendo o nome de Teresa por ser devota da santa de Lisieux.
Em 6 de janeiro de 1929, desembarcou no porto de Calcutá, na época a maior cidade do império britânico, depois de Londres.
Durante 16 anos, ensinou geografia, numa das escola de freiras mais aristocráticas da capital do Estado de Bengala Ocidental. Sua vida pacifica foi transformada após uma viagem de trem à cidade de Darjeeling no dia 10 de setembro de 1946. Quando o trem passava por um túnel, Teresa ouviu um chamado em seu coração.
"Foi uma ordem" contou.
"Tive que abandonar o conforto do convento, abrir mão de tudo e seguir Jesus.
Servi-lo por meio dos mais pobres de seus pobres."
Tinha 36 anos. Sete meses depois, recebeu do Vaticano a permissão de deixar o convento e fundar uma nova ordem religiosa, a congregação das Missionárias da Caridade, dedicada a "cuidar dos doentes e moribundos nas favelas, educar as crianças de rua, cuidar dos mendigos e abrigar os abandonados". As regras da ordem são rígidas. "Colocar-se inteiramente e de todo o coração à livre disposição dos pobres", além dos três votos habituais: pobreza, castidade e obediência.
Caminhava sob as chuvas das monções quando tropeçou no corpo de uma velha moribunda. Teresa parou, fechou os olhos da mulher, fez o sinal da cruz e orou a seu lado por alguns momentos. "Nessa cidade os cachorros têm tratamento melhor do que os humanos", refletiu. Na manhã seguinte, ela foi à Câmara Municipal de Calcutá, sendo recebida por um dos representantes do prefeito, a quem pediu "um lugar onde eu possa receber os moribundos e ajudá-los a comparecer diante de Deus com dignidade e amor". A prefeitura pôs à sua disposição uma construção extravagante que servira de abrigo para os peregrinos hindus que visitavam o vizinho templo dedicado à deusa Kali, padroeira de Calcutá.
Madre Teresa enxergou no presente a intervenção de Deus, porque era em torno dessa área que muitos dos miseráveis se reuniam para morrer, na esperança de serem cremados nas piras funerárias do templo. A chegada da cristã, usando um crucifixo sobre o sari provocou muita surpresa.
Os hindus ortodoxos começaram a reclamar.
Circulou um boato de que a Teresa estava ali para converter os moribundos ao cristianismo.
Ocorreram incidentes hostis.
Um dia, uma chuva de pedras saudou uma ambulância que levava homens e mulheres doentes encontrados nas ruas.
As freiras foram ameaçadas e insultadas. Teresa caiu de joelhos diante da multidão. "Matem-me!", gritou. "Assim irei ao céu em menos tempo." Delegações do bairro foram à prefeitura e à policia pedir a expulsão da freira estrangeira. O chefe de policia prometeu fazer o que lhe pediam, mas só depois de uma investigação.
Ele encontrou madre Teresa cuidando de um velho que acabara de ser levado ao local. Ele estava caído, magro como um esqueleto, sujo, com as pernas inchadas e com ulceras sangrentas. "Meu Deus, como ela pode suportar tudo isso?" o policial se perguntou. Madre Teresa estava limpando as feridas do homem, falando em voz doce com ele, dizendo a ele que iria melhorar, que não precisava ter medo. O chefe de policia ficou comovido. Do lado de fora, um grupo de fanáticos o aguardava.
Ele disse: "Prometi a vocês que vou expulsar a estrangeira e vou cumprir o que prometi. Mas só depois que suas mães e irmãs vierem aqui fazer o trabalho que ela faz." Alguns dias depois, madre Teresa viu um grupo de pessoas diante do santuário vizinho. Um homem estava caído ao chão, branco como um cadáver. Em volta do ombro, usava a corda tripla sagrada dos brâmanes. Era um sacerdote do templo. Ninguém ousava tocar nele, porque tinha cólera.
Madre Teresa o tomou nos braços e o levou para dentro do abrigo. Ela cuidou do brâmane dia e noite, e ele sobreviveu. Pouco depois, ele declarava: "Durante 30 anos adorei uma Kali feita de pedra. Agora venero uma Kali feita de carne e osso." A noticia da salvação inacreditável percorreu a cidade. Ambulâncias começaram a chegar ao local, carregados de pobres à beira da morte. Pouco depois, madre Teresa já dizia: "Nossa Casa do Coração Puro é a jóia de Calcutá". e a cidade a tomou sob sua proteção.
Em 45 anos, madre Teresa recebeu mais de 100 mil pobres moribundos e famintos em seu abrigo.
No dia 15 de fevereiro de 1953, a nova instituição fundada por madre Teresa, Sishu Bhavan, a Casa das Crianças, recebeu seu primeiro hóspede, um bebê prematuro achado num lixão, envolto em jornais. Pesava menos de 1,2 kg e estava tão fraco que não conseguia mamar. Teve que ser alimentado por um tubo inserido em seu nariz. Madre Teresa lutou para salvar sua vida e conseguiu.
Em pouco tempo, dúzias de bebês ocupavam os berços. Como alimentar todas as pessoas que agora tinha sob seus cuidados? "Deus cuidará disso", dizia. E Deus provou que estava certa. Cidadãos ricos enviavam arroz, cestas de legumes e peixes.
Embora a cidade de Calcutá fosse super povoada, madre Teresa não hesitou em declarar guerra ao aborto - uma guerra que travou incansavelmente até a morte, procurando em toda a parte, como fez em Oslo diante dos dignitários reunidos para lhe conceder o prêmio Nobel da Paz.
Depois dos moribundos e das crianças, madre Teresa voltou sua Compaixão aos leprosos. Havia milhares deles em Calcutá. Num terreno doado, ela ergueu um abrigo para alojar os doentes mais graves. Ela os visitava todos os dias, levando comida, cuidando de suas feridas e confortando-os. Como emblema, madre Teresa escolheu o antigo símbolo da doença: um sino, igual ao que os leprosos de séculos atrás tinham que tocar para avisar as pessoas de sua presença amaldiçoada. Ela criou um slogan: "Vamos tocar um leproso com nossa compaixão". 0 resultado superou as expectativas. Logo, ela pôde iniciar a construção de uma cidade inteira reservada aos leprosos: Shanti Nagar ou a cidade da Paz.
O seu trabalho de amor e caridade se espalhou por outras cidades da índia e do exterior, sendo que para madre Teresa, nenhuma ação era possível sem a ajuda da oração e o apoio da presença divina. "Precisamos de um momento de silêncio todos os dias, para receber a Deus e sua palavra". "Não há razão para desistir quando se sabe que é possível achar razões para ter esperanças".