João Paulo II

Karol Jósef Wojtyla nasceu a 18 de Maio de 1920, em Wadowice, perto de Cracóvia, na Polônia.
Conhecido pelo diminutivo familiar Lolek, era filho de um oficial do exército e de uma professora primária. Cresceu num país onde os judeus eram perseguidos, embora a sua família sempre tivesse mantido boas relações com este povo.
O próprio Karol viria a pertencer a UNIA, uma organização democrata- cristã clandestina, e a ajudar judeus a escapar às perseguições nazistas.
Com quatro anos, entrou para a escola de rapazes Marcin Wadowita, onde se destacou como aluno exemplar. A sua inteligência e curiosidade levaram a mãe a perspectivar-lhe um futuro brilhante, o que se viria a confirmar. As mortes da mãe, devido a problemas cardíacos, quando Karol tinha nove anos, e do irmão, quatro anos depois, com escarlatina, fizeram com que tivesse uma infância infeliz.
Sozinho com o pai, recebeu uma educação rígida e disciplinada, influência da formação paternal. A fé do jovem aumentou com a morte do irmão, levando-o a comentar que teria sido a vontade de Deus, e saiu reforçada com o convívio com o pai, que encontrava, freqüentemente, durante a noite a rezar.
Continuando os estudos sem interrupções e apresentando sempre as notas mais altas, recebeu o primeiro treino militar com quinze anos. Em 1938, depois de terminar o liceu, Karol mudou para Cracóvia, onde ingressou na Universidade de Jagiellonian a fim de estudar literatura e filosofia.
No ano seguinte, os alemães invadiram a Polônia. O jovem começou a trabalhar em pedreiras a fim de se manter economicamente e escapar à prisão e deportação, continuando a estudar na clandestinidade.
Em 1942, já depois da morte do pai, começou a estudar num seminário de Cracóvia, inscrevendo-se também num curso de Teologia da universidade. Paralelamente, trabalhava numa fábrica de produtos químicos. Com a perseguição dos polacos pelos alemães, refugiou-se na casa do arcebispo de Cracóvia, onde permaneceu até final da guerra.
Em 1946, foi ordenado sacerdote, mas só três anos depois começou a exercer. Até lá continuou a estudar. Com dois doutoramentos, começou a lecionar ética e teologia nas Universidades de Lublin e Cracóvia.
Em 1958, o padre Wojtyla foi nomeado Bispo de Ombi e, em 1964, tornou-se arcebispo de Cracóvia. Três anos mais tarde, o Papa Paulo VI elevou-o a cardeal. Nesta altura, liderou a única força, moral e social, do país contra o comunismo.
Eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, o primeiro não italiano desde Adriano VI em 1522, assumiu o nome de João Paulo II.
Em Maio de 1981, o Papa sofreu um atentado na Praça de S. Pedro, no Vaticano. Quando se preparava para dirigir à multidão, um cidadão turco, Mehmet Ali Agca, disparou sobre ele, provocando-lhe graves ferimentos.
Submetido a uma intervenção cirúrgica de seis horas, permaneceu três semanas no Hospital Gemelli. Posteriormente, foi internado mais uma vez devido a uma infecção. Os médicos apenas encontraram a solução para o problema na mesa de operações.
No Natal de 1983 visitou o turco na prisão de Rebibbia, em Roma, concedendo-lhe perdão.
João Paulo II é considerado um Papa conservador e religiosamente tradicionalista, o que tem suscitado críticas da ala mais liberal da Igreja. Opõe-se a qualquer forma de contracepção, ao aborto, à eutanásia, à clonagem e à fecundação in vitro, defendendo os direitos humanos e os valores fundamentais do indivíduo e da família.
Em questões religiosas, nega a ordenação de mulheres, o casamento dos sacerdotes e o uso de vestuário moderno por monges e freiras. Defende a infalibilidade papal e apóia grupos e movimentos católicos conservadores, como é o caso da Opus Dei e dos Legionários de Cristo.
Contraditoriamente, enquanto encorajou pessoas por todo o mundo contra os regimes autoritários, no Vaticano, abafa todos os que estão em desacordo.
Se por um lado se afasta dos católicos mais liberais, aproxima-se, por outro, do povo judaico, com o qual estabelece laços que permitem uma maior e mais forte aproximação entre as duas religiões. Conseqüentemente, João Paulo II defende a aproximação entre católicos e muçulmanos, ou seja, entre todos os homens independentemente das suas crenças.
João Paulo II é considerado o mais atlético de todos os papas. O desporto foi sempre uma das suas grandes paixões, tendo praticado futebol, natação e esqui, entre outras modalidades. Privilegiou os desportos que o mantinham em contacto com a natureza.
Mantendo um convívio pacífico com os judeus, oferecia-se para alinhar a seu lado, na posição de guarda-redes, quando faltava algum elemento. Era mesmo à baliza que tinha o seu melhor desempenho como futebolista e, como tal, tornava-se um importante reforço para o conjunto judeu.
Também as artes estiveram presentes ao longo da sua vida, nomeadamente a literatura e o teatro. O jovem Karol participou de grupos de discussão literária e declamação, e pertenceu a um grupo teatral. Na clandestinidade, chegou a interpretar textos proibidos, quando a Polônia ainda se encontrava sob o regime nazista e, mais tarde, sob o comunista. Nas suas inúmeras atuações demonstrou grande aptidão para a representação, tendo chegado a pesar a hipótese de se tornar ator profissional.
Na altura em que foi eleito Papa já tinha publicado várias obras. As primeiras, de poesia e drama, foram publicadas num jornal, sob o pseudônimo de Andrzeij Jawien.
Enquanto a maioria dos seus antecessores se confinou ao Vaticano, João Paulo II tornou-se num Papa do Mundo, aquele que mais viajou ao longo da História. Nas suas inúmeras viagens alertou para os perigos da guerra química, do uso das armas nucleares e da intolerância racial e religiosa.
O Sumo Pontífice criticou a situação política dos países, levando à criação de movimentos que acabariam por conduzir à queda desses regimes. Atacou ainda todos os outros sistemas políticos autoritários, abençoou movimentos sociais como o polaco «Solidariedade», opôs-se à Guerra do Golfo, criticando os países ocidentais, e acusou os produtores de armamento de cumplicidade nos conflitos.


Embora o Vaticano não confirme, tudo leva a crer que o Papa João Paulo II padeça da Doença de Parkinson. Para além dessa desconfiança, o Sumo Pontífice foi operado a um tumor benigno nos intestinos, sobreviveu a um atentado em que foi baleado, foi-lhe retirado o apêndice, tendo ainda sido alvo de intervenções cirúrgicas em um ombro e uma perna. Por tudo isto, é visível um grande desgaste físico, apesar de, numa luta constante, não desistir de viver nem renunciar ao papado. É nesta conjuntura que se começam a perfilar sucessores.
Karol Josef Wojtyla, o papa João Paulo II, morreu no dia 02 de abril de 2005, aos 84 anos, em seus aposentos, no Vaticano.