Conclusão

As várias edições desta obra demonstram a sua boa aceitação, a atenção que lhe têm dispensado estudiosos e espíritos de boa vontade.
É sinal de que este livro, representando o Espírito do Cristianismo, longe de constituir uma obra de princípios dogmáticos, ou de um credo personalista, guia o neófito no estudo dos Evangelhos, não só sob o ponto de vista religioso, como também moral, filosófico e científico.
De fato, não é possível separar a Religião desses outros fatores da elevação humana: Moral, Filosofia, Ciência, assim como não podemos compreendê-la sem os fundamentos sólidos, objetivos e subjetivos da Imortalidade. Convém repetir, pois, o que ficou exarado nas edições anteriores.
A Imortalidade para nós é tudo. É por ela que o mundo gira, os pássaros cantam, as feras rugem, os homens se movimentam e a luz se faz. A Imortalidade é a Vida, e a Religião está na Vida para poder estar em Deus.
De que valeria o conjunto das magníficas Parábolas do Mestre sem a Imortalidade, sem a certeza da sobrevivência, para aquisição da felicidade prometida.
De que valeriam seus imaginosos ensinos, envoltos em tanta doçura e humildade, seus apelos constantes de amor ao próximo, de amor a Deus, de desprendimento das coisas da Terra, de paciência nas provas, de indulgência para com os que nos ferem, de perdão de constante exercício para a perfeição, sem a sobrevivência, sem a Imortalidade?
Das Parábolas de Jesus e seus ensinos ressaltam as chispas de fogo que formam a eterna chama que ilumina a nossa vida imortal. Não constituem unicamente um apelo à Caridade, mas antes uma demonstração da Fé que dá a Esperança, e da Esperança que nos incita a trabalhar pelo nosso progresso, para sermos os próprios arquitetos da nossa existência futura, seja neste mundo ou em mundos extraterrestres, para os quais devemos voltar as nossas vistas.
O escopo das reedições deste livro é, pois, espiritualizar o homem, levá-lo à posse de si mesmo, entoar em seu íntimo um hino à imortalidade, fazer repercutir em sua alma as sublimes estrofes do Ressuscitado, os seus incessantes convites para que o sigamos, as suas reiteradas afirmativas de uma vida infinita, através dos mundos que constituem as moradas da Casa de Deus e do tempo, sem ampulheta e sem ponteiros, para aqueles que já se certificaram de que a Vida é sucessão contínua de progresso para a perfeição, e que, quanto mais perfeitos são os Espíritos, maiores são as suas faculdades para estudarem os enigmas do Universo, as maravilhas da Criação.
Não há morte, não há fim; há passagem de um estado de inferioridade para um estado de superioridade, gradativa, sem hiatos, sem abismos, sem saltos bruscos, porque, na Natureza, seres e coisas obedecem a uma mesma lei de Relatividade, lei justa e equitativa promulgada nos Conselhos de Deus! Toda a criação goza dessa graça, todos os seres dela vivem e se alimentam, nela crescem, progridem, tornam-se adultos no entendimento e, emergindo do instinto, flutuam no oceano luminoso da Inteligência, onde cantam a sua gloriosa epifania.
Permita o Supremo Senhor que esta despretensiosa obra leve aos lares em que entrar, a Paz, a Esperança e a Fé; que seja ela, para os que a compulsarem um fardo leve, um jugo suave, onde possam encontrar arrimo, orientação para uma vida nova, um consolo a mitigar dores ocultas uma porta aberta para a Verdade, para o Amor, para a Felicidade!
Jesus Cristo nos auxilie para que alcancemos com facilidade a graça prometida!