Explosão da Mediunidade

Quando o homem valente, bem armado, guardar a sua casa, os seus bens estarão seguros, mas quando sobrevier outro mais valente do que ele e o vencer, tirar-lhe-á toda a armadura em que confiava e repartirá os seus despojos. (Lucas, XI, 22.)

Parece-nos chegado o tempo de o Espiritismo reivindicar os seus direitos, alienados pelas seitas parasitárias, que têm mantido a ignorância das massas e entravado o progresso da Humanidade.
Cremos que essa manifestação, mesmo em seus primórdios, será o grande acontecimento do século, assinalando uma nova etapa de progresso espiritual para os povos e as nações.
A explosão da mediunidade assinalada nas Escrituras, como grande fator das manifestações espíritas não só entre crentes, mas entre descrentes, não deixará de realizar-se, e o tempo vem próximo em que os religiosos de todas as religiões, católicos, protestantes, muçulmanos, budistas, ocultistas ou teosofistas, até mesmo judeus intransigentes, ver-se-ão forçados a procurar a Verdade, que se lhes descortinará inteira.
“Enquanto o homem valente, bem armado, guarda a sua casa, seus bens estão seguros, mas quando sobrevém outro mais valente do que ele e o vence, tira-lhe toda a armadura em que confiava e reparte os seus despojos”.
Esta doutrina, em seu cumprimento, realizará, sem dúvida, o mais alto desiderato espírita, solucionando a questão religiosa obscurecida pelos mercadores da fé e pelo menosprezo das gentes para com as coisas espirituais.
A mediunidade, que existe em estado latente em quase todas as criaturas humanas, terá a sua manifestação espontânea, e então, sobrevindo uma nova luz, luz que tem sido vedada pela classe sacerdotal, a sociedade desenvolver-se-á pelos sentimentos afetivos e fraternais de auxílio recíproco, que a comunicação do Espírito lhe facultará.
O momento atual denuncia uma ação decisiva do Alto para resolver o problema, não dizemos da unificação das crenças, mas da unificação dos crentes sob as sólidas bases da verdadeira fraternidade. (1)
Falamos desiludidos da unificação das crenças, pois é impossível que os guardas fiéis da fé avoenga, presos como estão aos interesses do mundo, possam render-se mesmo à evidência da Palavra Viva.
A resolução desse problema vital não está afeta ao homem; é obra do Céu e o Céu em todos os momentos difíceis da Humanidade tem feito sentir a sua ação, por vezes de modo violento, o que não é dado ao homem prever.
Não há dúvida de que atravessamos um momento crítico. Em seu Sermão Profético Jesus, após ter assinalado os pródromos da “grande tribulação” que precederia a sua vinda lembra, com a parábola da figueira, o advento do Reinado de Deus, que virá substituir o Reinado Sacerdotal, transformando por completo a face moral e espiritual do planeta.
A explosão da mediunidade, cujos elementos já se fazem notar em todos os lares, e ainda mais dentro das igrejas, repetimos, vai ser o acontecimento sensacional do século; a profecia de Joel, repetida por Pedro no Cenáculo de Jerusalém, verá a sua ampla realização, pois, diz o Senhor:
“Nos últimos dias derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e os vossos velhos sonharão sonhos”.
(1) - É o que atualmente se vem cumprindo (1976).