Tríade devastadora

TRÍADE DEVASTADORA – AI DE VÓS QUE NEGLIGENCIAIS OS PRECEITOS DA LEI!

Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Porque fecham aos homens o Reino dos Céus; pois nem vós entrais, nem deixais entrar os que desejam entrar!
Ai de vós, porque rodeais a Terra e o Mar para fazer um prosélito, e o fazeis em dobro mais filho da Geena do que vós!
Ai de vós guias de cegos que dizeis: quem jurar pelo santuário, isso nada é, mas quem jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado ao que jurou!
Ai de vós que dizimais o endro (erva aromática), a hortelã, o cominho e vos esqueceis dos pontos principais da Lei, que são a justiça, a misericórdia e a fé!
Ai de vós que limpais o exterior do copo e do prato, mas estais cheios de rapina e podridão! Sois semelhantes aos sepulcros branqueados, que, por fora parecem vistosos, mas por dentro são cheios de ossos e imundícies.
Ai de vós que erigis os túmulos dos profetas, que os vossos pais mataram! Sois, na verdade, filhos daqueles que mataram os profetas. Raça de víboras, como escapareis da condenação da Geena? (Mateus, XXIII, 13-33.)

A população mundial está dominada por uma tríade devastadora: Política, Religião, Ciência. Política sem ideal e sem caráter, Religião sem fé, Ciência sem sabedoria.
Todas as baixezas que caracterizam e deprimem a pobre Humanidade, todas as enfermidades físicas, morais e espirituais que afetam os homens, têm fundas raízes nessa árvore genealógica de todos os vícios e paixões más que bestializam as pobres almas e as agrilhoam a esse terrível suplício de Tântalo.
“Mistério humano”, semelhante ao da “Trindade Papalina”, que escravizou os mais sagrados dotes da Liberdade e da Justiça, produto teratológico do egoísmo e do orgulho dos Átilas e dos Herodes de todos os tempos: “tríade devastadora”, demolidora pelos seus princípios, astuciosa pelas suas manifestações, pérfida pelos seus fins mercatórios, tem aniquilado todos os ditames do bom senso, abastardado todas as inteligências e abafado todas as luzes com que o Sol pujante do progresso aquece a Terra.
Nos governos, como nas igrejas e nas academias, lavra desoladamente o dolo, a má fé, a fraude consciente, o monopólio das posições para a exploração do direito das gentes, o espírito de mercancia que, na pretensão astuta de poder, de crer e de saber, não respeita a Justiça, espezinha a Caridade e agride a Verdade, a célica virtude à qual o Cristo dedicou uma vida inteira.
É de indispensável urgência uma reação forte, vigorosa contra esse mal acabrunhador que vem, há longos séculos, falseando todos os princípios da ordem, todas as manifestações da moral, todas as luzes da sabedoria!
E o Espiritismo aí está, com os seus prepostos visíveis e invisíveis, para dar o golpe fatal às instituições cujo maquiavelismo ensombra as consciências, mantendo-as na ignorância dos Divinos Preceitos do Cristianismo.
A sua tarefa é a mesma inscrita no estandarte do Cristianismo, erguido bem alto pelo grande Apóstolo dos Gentios: Restaurare Omnia ( restaurar tudo), o indivíduo, a família, a sociedade, os governos, a Religião, a Ciência.
Infundir o Espírito Novo nas gerações, presente e vindoura, e aniquilar para sempre o Reinado da Matéria, que tanto tem infelicitado a Humanidade.
A luta está travada, e dos formidáveis monumentos que simbolizam a supremacia humana, não ficará pedra sobre pedra, que todas serão derribadas!
Os pegureiros do enorme rebanho, que do Alto velam pelo destino das almas, já entraram em ação decisiva, e a Tríade Devastadora será precipitada como a Grande Babilônia, cidade que nunca mais será achada. Então sob os impulsos regeneradores do progresso e bafejos incessantes da Verdade, governos e povos, igrejas e crentes, academias e alunos se orientarão na senda gloriosa do porvir, guiados pelo Espírito, em busca da felicidade imperecível.
A nós espíritas resta a solidariedade na fé, a união no trabalho, a energia na luta para que cada qual, em seu posto, cumpra a tarefa que lhe foi confiada.
Ai dos escribas e fariseus!
Ai dos cegos guias de cegos! Ai dos sepulcros caiados!
Ai dos sacerdotes, rabinos, pastores e políticos venais!

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