Lembrando deveres

Chico Xavier e Ramiro GamaHá pessoas que se sentem mal diante daqueles que são verdadeiras cartas vivas do Cristo, porque suas presenças lembram-lhes deveres que não cumprem, visto que vivem fora do Roteiro Cristão.
Justifica-se, portanto, a aversão e, em seguida o remorso, que alguns irmãos têm quando vêm aqueles que palmilham caminhos estreitos e procuram seguir o Mestre de perto, testemunhando-lhe os Ensinos Salvadores.
Uma criatura, que estimamos, evita-nos a presença, porque nos poucos momentos em que nos encontramos, a conversa é toda referente ao Amigo Celeste, lembrando-nos o tempo perdido, os erros disseminados, os deveres que temos, por havermos lhe ouvido a Voz e atendido o chamado aos Seus Serviços.
Se tal se dá conosco, que não temos as virtudes do Chico, quanto não sofrerá, por isso, o nosso queridíssimo Médium, que vive em Pedro Leopoldo com a sua liberdade limitada, porque sua presença, para os que desejam da vida apenas direitos, lembra-lhes deveres libertadores, que vão deixando de cumprir junto à Realidade Viva, que é Jesus, o qual hoje ainda cumpre Deveres junto a Deus em benefício de todos nós.

Ramiro Gama

Dinheiro bem ganho e gasto

Fig. FAZENDA MODELO

Fazenda Modelo, Ministério da AgriculturaO Chico recebe um pequeno ordenado como datilógrafo da Fazenda Modelo, pertencente ao Ministério da Agricultura. Mesmo assim, afirma-nos que seu salário é demais para ele, que recebe além do que merece. Ganha-o, todavia, abençoadamente, visto que não falta um dia ao serviço e gasta-o, abençoadamente, menos consigo e mais com seu próximo. Veste-se pobremente e alimenta-se pouco. Recebe, por semana, umas quinhentas cartas pedindo-lhe receita. E dessas muitas vem sem o selo para a resposta. E o pobre Médium tira de seu pequeno salário a importância dos selos. Antigamente o selo de uma carta custava 50 centavos.

Ramiro Gama

Para não perder o clima

Para não perder o climaOs Médicos da Terra e do Espaço aconselham ao Chico para que tenha repouso e dó do seu corpo.
Vai, às vezes, forçado pelos amigos, para uma pensão, localizada à beira do mar, no Estado do Rio, a fim de buscar melhoras para a vista e o ouvido. Chega lá, e na hora em que todos descansam, põe-se, descuidadamente, a trabalhar, a receber as Mensagens dos Espíritos queridos.
E, quando é advertido amorosamente pelos seus colegas de repouso, justifica-se:
—Se não trabalhar, sofrerei mais e perderei o clima de Bom Ânimo e ajuda em que vivo.

Ramiro Gama

Quanta experimentação!

C. E. Luiz GonzagaO Chico faz a sua Prece antes e depois das sessões do Luiz Gonzaga.
Quando termina sua tarefa, que vai das 9 da noite às 2 da madrugada, depois de atender para mais de 2 mil pedidos de receitas, está esgotadíssimo e como quem, no seu dizer, houvesse levado uma grande surra de pau.
Todavia, com o auxílio de seus Amigos da Espiritualidade, se refaz e melhora.
Conta-nos, para que lhe sintamos a responsabilidade e o ajudemos, que, em meio às Sessões, sem que ninguém observe, espíritos zombeteiros procuram obscurantizar-lhe o Serviço, tentando contar-lhe histórias de crimes tenebrosos para que fracasse no seu desiderando cristão. E é preciso um grande esforço seu para se livrar de uma derrota. É por isso que os seus Guias recomendam, por ele, aos assistentes, uma concentração homogênea, sadia e, aos comentadores da Lição, extraída do Evangelho, uma explanação sincera, feita com humildade sem louvaminhas ao pobre Médium ou alusão a assuntos sem seiva evangélica…
E, no dia seguinte, como acabamento à experimentação da véspera, ao ir de charrete para a Fazenda Modelo, ainda é tentado. Espíritos, que ainda não ouviram a Voz do Divino Amigo e se perdem na estrada larga dos vícios, da provocação e do mal, procuram fazê-lo parar para lhes ouvir a continuação das histórias… E é orando e vigiando, pensando no Bem e na responsabilidade de servidor de Cristo, que consegue passar e se ver livre das ciladas… Se parar, se descuidar-se de orar e vigiar, perderá seu dia e dará de si um sinal de fraqueza.
Aí está mais um belo exemplo, revelando a vitória da oração e vigilância, quando realizadas com o coração suspenso e voltado para Jesus.

Ramiro Gama

Uma lição para os médiuns

Fig. LIVRO INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS

Instruções PsicofônicasÀs quartas-feiras, de preferência à tarde, durante os anos de 1955 e 1956, o Chico se preparava espiritualmente para as Sessões de quinta-feira, no Grupo Meimei. Era uma sessão de grande responsabilidade, pois que se destinava aos obsedados. Numa quarta-feira, José Xavier, que fora irmão do Chico, e que hoje está na Espiritualidade, é um dos seus abnegados colaboradores, pede-lhe para se preparar, abstendo-se de alimentos pesados e, mais do que em outros dias, viver com o Evangelho às mãos, pois que receberia, na sessão seguinte, o luminoso Espírito de Frei Eustáquio.
E o caro Médium atende. Viveu, toda a quarta-feira, pela tarde, e todo o dia seguinte, em quase jejum e em permanente oração e vigilância. À noite, de fato, recebe de Frei Eustáquio uma bela e instrutiva mensagem, que emocionou os companheiros presentes. Essa Mensagem consta do livro Instruções Psicofônicas.
Estávamos, nesta ocasião, em Pedro Leopoldo e tivemos a ocasião de ouvi-la na máquina que a gravou. É, realmente, emocionante e instrutiva.
Em aqui chegando, encontramo-nos com alguns companheiros pertencentes a um Grupo Espírita dos subúrbios. E um deles nos falou:
—Ontem, em nosso Grupo, recebemos uma comunicação lindíssima de Joana D’Arc, e apontou-nos o Médium presente que a recebera, acrescentando: ele fez um grande esforço para ir ao Grupo, chegou até a brigar com seus familiares. Se não fosse, não teria sido o instrumental de tão bela mensagem.
O Chico, para receber Frei Eustáquio, teve de preparar-se, ele que vive, constantemente preparado.
No entanto, aqui, outro irmão, sem nenhum preparo espiritual e quando até brigou com os familiares, recebe Joana D’Arc!
Que a lição nos sirva e trabalhe nossos pobres espíritos avessos aos sacrifícios morais, únicos meios pelos quais poderemos penetrar o Templo Sagrado das Verdades do Mestre, Caminho, Verdade e Vida para nossa salvação!

Ramiro Gama

Não posso aceitar dinheiro

CHICO APRESENTA A FOTO DE MARIA

Chico apresenta a foto de MariaUma senhora, residente em Belo Horizonte, casada com um alto funcionário do Estado, por ser parente do Sr. Armandinho, procurou-o para, por seu intermédio, falar ao Chico. Atravessava uma fase de sofrimentos. Havia perdido o pai e um ente familiar achava-se gravemente enfermo. O Sr. Armandinho levou-a à casa do Médium, que resolveu, satisfatoriamente, o seu caso, e, ainda, possibilitou-lhe recebesse uma Mensagem do progenitor, que se autenticara pela letra, pelo assunto e pela espontaneidade com que fora recebida. Agradecida e emocionada com o que recebera do seu pai, tanto mais que o Chico ignorava o que se passava, pegou uma cédula de 200 cruzeiros e a ofereceu ao Médium como gratidão e para que comprasse um presente.
E escusando-se delicada e humildemente, o Chico a abraçou, dizendo-lhe:
— Não posso aceitar, minha irmã, nenhum dinheiro. Tudo que recebo é de graça, vem de mais Alto, por misericórdia imensa do Pai; devo também dar de graça para continuar digno do Amparo que lhe recebo.
A senhora, concluiu o Sr. Armandinho, despediu-se surpresa, agradecida e emocionada, por ver um rapaz tão pobre, tão bondoso, portador de tanta virtude, inclusive da que o fazia renunciar ao dinheiro. E exclamou: Ele é mesmo digno da Missão que possui! Que Jesus o proteja!
E partiu feliz pelo exemplo a que assistira e pelo bem que recebera.

Ramiro Gama

Caso do Senhor Armandinho


Bonés do ChicoO Senhor Armandinho é um dos habitantes mais velhos de Pedro Leopoldo. Foi companheiro de infância do Senhor João Cândido, progenitor do Chico.
Possui uma bem sortida casa de negócio, que defronta com o Hotel Diniz.
Contou-nos Lindos Casos do querido Médium, que ele conheceu desde criança, tendo acompanhado todas as fases boas ou dolorosas de sua vida. Estima-o como a um filho. E, dentre muitos, contou-nos, para publicar, estes dois:
O Chico foi sempre uma criatura bondosa, prestativa, humilde, pobre e honestíssima. Numa ocasião, deveria ele acompanhar o Dr. Rômulo Joviano, seu Chefe, a uma excursão longe de Pedro Leopoldo. E, porque não possuía um chapéu, procurou-me. Como sabe, meu negócio tem de tudo, desde o alimento ao vestuário. E pediu-me, humildemente, para lhe vender um chapéu a prestação. De outra maneira não poderia pagá-lo. Atendi-o com alegria, pois tudo que me comprova pagava-me pontualmente. Vendi-lhe um chapéu por Cr$ 40,00, em 8 prestações, isto é: Cr$ 5,00 por mês. Ficou satisfeito e fechou o negócio, porque, dizia, estava dentro das possibilidades de seu pequeno salário. Pagou-me durante 8 meses os cinco cruzeiros. Por isto, tem ele comigo um crédito extraordinário.
Encontramos com o Médium e lhe falamos sobre o caso do chapéu. Sorriu e respondeu-nos:
— É verdade e hoje tenho até chapéus demais; o que está faltando-me agora é cabeça!…

Ramiro Gama

Ver a morte

Imagem:PADRE GERMANO

Padre GermanoAntes da sessão do Luiz Gonzaga, alguém comentava o desencarne de um parente e o Chico pergunta-lhe:
— Ele viu a morte?
Todos se entreolharam sem saber o que responder. Perguntamos-lhe, então, meio curiosos:
— Que quer dizer, Chico, Ver a morte?
— Responde-nos o bondoso Médium: é saber o enfermo que vai morrer. Partirá assim mais preparado para despertar, na Espiritualidade, sem outras ilusões.
Falamos-lhe do nosso querido progenitor, cujo decesso se dera a 5 de maio de 1955 e que, dias antes de partir para o Além, tinha a intuição de sua morte e a recebeu serenamente como serenamente vivera.
— Sim, concluiu-nos o Chico, terá sempre uma boa morte quem possuir uma consciência boa, pura, sem remorsos de haver malbaratado a bênção do tempo.
E ficamos a nos lembrar, dando razões ao querido Padre Germano, quando afirmava: é preciso viver bem e no bem para morrer bem, ver a morte e ter um feliz despertar na Espiritualidade.

Ramiro Gama

Para andar com cuidado e sem vaidade

Manoel Pereira, amigo de há muitos anos do Chico, contou-nos também vários Lindos Casos e pediu-nos apenas publicássemos este:
Um confrade de São Paulo foi a Pedro Leopoldo para ver o famoso Médium. Encontra-o numa esquina de rua, no meio de muitos Irmãos do Rio e de Belo Horizonte. E, abraçando-o, realça-lhe, em altas vozes, os dons mediúnicos, comparando-o com Anjos e Apóstolos. O Chico ouve-o apiedadamente, complacentemente, chorando por dentro e, numa atitude de quem ora em silêncio para livrar-se do veneno das lisonjas, com a certeza de quem já traduziu o “in te descendi”, respondeu-lhe:
— Eu sou é um verdadeiro sapo, que traz às costas uma vela acesa. Beneficia-se com a claridade mas, para a possuir constantemente, tem que sofrer com a cera derretida que lhe cai sobre a pele, queimando-a, como a lhe recordar de que é preciso andar com cuidado e sem vaidade se quiser chegar ao fim da jornada…
Os irmãos presentes deixaram de rir e entenderam o que seja a Tarefa mediúnica a serviço de Jesus.
Observaram mais: que o Psicógrafo Pedro leopoldinense é, de fato, um instrumental mediúnico seguro e humilde, por onde o Pai do Céu nos vem enviando, de forma mais compreensível e inédita, os Ensinos de Seu Filho Amado, Nosso Senhor Jesus Cristo. E que nem todos os irmãos, esclarecidos pela Terceira Revelação, aprendem com que sacrifício ele, Chico, realiza sua tarefa e quantos esforços faz para se manter de pé, no clima das incompreensões, dentro da luta com as tempestades, os relâmpagos, os trovões das lisonjas, dos elogios, de todas as experimentações, e conseguir atender aos imperativos sagrados da sua Missão junto ao Grande incompreendido e ainda pouco conhecido, que é Jesus.

Ramiro Gama

É outro Kardec

Fig. KARDEC, EMMANUEL, BEZERRA E CHICO

Kardec e amigosDe quando em quando, em alguns Centros Espíritas onde vamos falar das Lições de Jesus, observamos Médiuns, bem orientados, recebendo Mensagens assinadas por Allan Kardec.
Ficamos em dúvida lembrando que, em Obras Póstumas, do Codificador, há uma amorosa advertência de um de seus Guias lembrando-lhe o aproveitamento do tempo na conclusão de suas obras e de que, como fora previsto, seu desencarne estava próximo e que ficaria no Espaço cerca de 40 anos para, depois, voltar à Terra e completar sua Missão junto ao Espiritismo. Verificando o ano de seu decesso, 1869, deveria estar entre nós, mais ou menos, entre os anos de 1909 e 1910.
E, segundo ouvimos de uma vez, de M. Quintão, quando entre nós, Allan Kardec dera na Federação Espírita Brasileira sua última comunicação em 1902. Daí, por diante, silenciara.
Como explicar as Mensagens assinadas com seu nome? Talvez, justificamos, sejam de seu representante, alguém credenciado, preposto ao seu valioso Trabalho. Porque ele, Kardec, ou deveria estar entre nós ou em esferas mais elevadas, em serviços de grande relevância espiritual, incapaz, pois, de se revelar a não ser através de terceiros. Se não, porque não tem dado sua presença pelo nosso querido Médium de Pedro Leopoldo?
De uma feita, sozinhos com o Chico, pedimos-lhe uma explicação. E o Médium humilde, primeiramente, mostrou-se surpreso, meio contrariado com o grave assunto.
Depois, sorriu e respondeu-nos:
— É, deve ser outro Kardec, pois não tem aparecido por aí, tantos Andrés Luizes e Emmanuéis?…
Ficamos satisfeitos com a explicação recebida, que, desta maneira, não deixa os recebedores das mensagens em situação delicada.
Vale dizer que esta é uma explicação pessoal do Médium, porque, em novembro de 1957, um grupo de irmãos da França, em nossa presença, entrevistando-o, sem antes lhe haver submetido as perguntas à sua aprovação, a respeito do assunto em causa, pediu-lhe que ouvisse seu Guia e, ele assim se houve:
— Nossos Mentores espirituais até hoje não têm tocado no assunto. Talvez, algum dia, o façam…

Ramiro Gama

Conteúdo sindicalizado