Agora

Centro Espírita Luiz GonzagaNa sessão do Luiz Gonzaga, de 30/8/1951, estávamos presentes em companhia de vários confrades do Distrito Federal. O salão do Centro achava-se lotado. Às 19 horas, o Chico chegou e começou a atender os pedidos de autógrafos em livros ali adquiridos, e, a resolver, rapidamente, problemas íntimos de vários irmãos. Num momento de folga passou perto de nós e pediu-nos e ao nosso grupo:
— Vocês, que são mais esclarecidos, que são meus Amigos, procurem me auxiliar para obtermos bom ambiente, pois sinto relâmpagos no ar e trovoadas prenunciando aguaceiro.
Começamos, com auxílio de outros confrades queridos, a vasculhar o ambiente, contando casos evangélicos aqui e ali. Depois com a declamação de uma meiga menina de 8 anos, filha de um confrade ali residente, conseguimos melhorá-lo mais, pois tudo se vestiu de ternura, de poesia, de emoção. A voz carinhosa, sentimental, sincera, da irmãzinha, declamando versos de Casimiro Cunha, de João de Deus, e dizendo, de cor, várias passagens evangélicas, fez com que nossos pobres corações se suspendessem e vibrassem.
O Chico sentia e acabamos sentindo que, além de pensamentos e sentimentos futilizantes, por parte de algumas pessoas mais curiosas do que crentes, no ar cruzavam-se os pedidos mais estúrdios, os desejos de sinais nos céus… Uns a vibrarem por Mensagens de parentes desencarnados, outros querendo algo que lhes pudesse aumentar a fé e fazê-los solucionar determinados problemas materiais. E assim, com exceções, os pedidos eram diversos e nem todos integrando os apelos do Evangelho.
Quando a sessão foi iniciada, o ambiente era outro. E o abnegado Médium conseguiu começar sua Tarefa com duas assistências, a dos irmãos encarnados e desencarnados, em estado de oração, de respeito e de humildade. E, no seu final, como presente do Amor de Jesus, veio este Poema de Meimei, que nos deu o que precisávamos:

Agora

Se a consolação do Evangelho nos visitou a alma…
Se a bênção da fé nos ilumina…
Se a nossa confiança permanece restaurada…
Se a fraternidade é o ideal que buscamos…
Agora, realmente, a nossa vida aparece modificada.
Agora, conhecemos, agora temos e agora somos.

Porque, em Cristo, nossa alma sabe o que deve fazer, recebe do céu o suprimento de recursos e valores, de acordo com as nossas próprias necessidades e é demora de bênçãos e dons que nem todos, de momento, nos veem desfrutar.
Nosso horizonte jazia velado pelas trevas.
Antes, seria difícil a tarefa do auxílio.
Crisálidas da inteligência descansávamos no casulo da ignorância.
Agora, porém…
O Senhor, utilizando mil pequeninos recursos, acendeu a luz do conhecimento divino em nosso espírito e, com a visão mais alta da vida e do mundo, cresceram a nossa importância de pensar e a nossa responsabilidade de viver.
Se já te encontraste com Jesus, não te queixes.
Ontem, poderias alegar fraqueza e desconhecimento como pretexto para ferir ou repousar, fortalecendo o poder da inércia ou da sombra.
Hoje, porém, é o teu dia de servir e de caminhar.
Meimei

E todos saímos do Luiz Gonzaga aliviados, visitados, abençoados, estimulados, compreendendo cada qual que, agora, só deve ter uma preocupação, um dever imperioso, servir, servir, servir sempre…

Ramiro Gama

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Nos domínios da palavra

Não vamos tratar aqui da arte de falar e escrever bem, obedecendo às leis gramaticais.
Recordamos a palestra que tivemos, certa vez, com o Chico, sobre o que sai de nossa boca, que nos revela o caráter e a personalidade.
Sem que policiemos a língua, dificilmente conseguiremos ganhar o nosso dia. Quando damos acordo de nós já tomamos parte nos torneios da maledicência, conversamos futilidades ou demos respostas infelizes, que nos trarão sofrimentos e arrependimentos tardios.
E veio à tona o revide que recebemos pelo ar, do sem fio do Pensamento, de pessoas de quem, em momentos invigilantes, fizemos mau juízo…
Até punhaladas e tiros temos recebido, exclamou o Chico, particularizando-nos que de uma feita, porque advertira um companheiro, sem vestir-se da defesa da humildade, recebeu depois, do mesmo, quando menos esperava, um tiro, projetado sobre ele com a força de um pensamento carregado de ódio… Os amigos da Espiritualidade, por mercê de Deus, abrandaram o efeito do choque, mas, mesmo assim, passou vários dias com dor no ombro, que foi o ponto visado…
Nossa companheira, Zezé Gama, contou que recebera de uma empregada, há tempos, uma forte punhalada espiritual, nas costas, tudo porque, levemente, lhe chamara a atenção por uma falta cometida. Ficara vários dias, com dor em todo o tórax.
No belo livro Rosário de Coral, há um caso idêntico, lembramos.
E o inspirado Médium deu-nos uma verdadeira aula sobre os malefícios que uma língua descontrolada pode realizar, para que, mais uma vez, ficasse vitoriosa a assertiva evangélica: que não é o que entra mas o que sai de nossa boca que traz felicidade ou infelicidade, triunfo ou derrota para nosso pobre espírito.

Ramiro Gama

Prova de isolamento

Foto: DOM PEDRO II E A IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

D. Pedro II e Teresa CristinaVimos ainda uma senhora, aparentando ter uns sessenta e poucos anos, sofrendo a prova do isolamento. Está totalmente paralítica. Mora sozinha num quarto com uma cama e uma mesa apenas. A Peregrinação lhe possibilita alimentação material e assistência espiritual. Tem na fisionomia ares de nobreza, fazendo-nos crer que foi figura de relevo em algum Império…
E o Chico nos traduz sua prova: trata-se de alguém que foi Aia da imperatriz Tereza Cristina, esposa de D. Pedro II. Desencarnou em 1884, tendo, como pessoa de confiança da Imperatriz, castigado exageradamente muitas escravas, colocando-as em cubículos escuros, por vários meses, com alimentação de água e pão. Quando acordou na Espiritualidade, verificou a enormidade de seus crimes e pediu, com arrependimento sincero, a prova em que está. Ficou no Espaço poucos anos e a Misericórdia Divina lhe deferiu o pedido para ressarcir suas faltas. Às vezes, sente-se tão isolada, tão sozinha, tão sem ninguém em seu derredor, que lhe vem o desejo de suicidar-se. Então, por ato de bondade celestial, aparecem-lhe os Espíritos de D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina, que a acarinham, lhe dão ânimo e a deixam confortada com a certeza de que deve continuar sofrendo sem rebeldia, pois sua prova está a findar-se e, brevemente, estará libertada de seus débitos e com a transformação de suas inimigas em amigas, tanto trabalhadas pela sua missão humilde, resignada e crente, arrependida e boa.
Nota: Em 11/01/1958, quando datilografávamos este caso, a nossa irmã em prova desencarnou, feliz, sob a assistência de Chico.

Ramiro Gama


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Tudo se paga

Foto: PEREGRINAÇÃO EM 1971

Peregrinação em 1971Na Peregrinação pelo Morro das Viúvas vimos preciosas lições. Sentimos não as poder registrar todas aqui. São verdadeiras carapuças, gritos de alerta, abençoados estímulos para todos nós que as vimos, a fim de que, “colocando as barbas de molho”, aproveitemos o tempo e lutemos por apagar tudo, isto é, com o Bem feito hoje, o mal que fizemos ontem…

Com o açoite no braço

Vimos um homem sofrendo a prova da miséria, porque era doente e sem ninguém para o assistir.
O Chico pediu-lhe que nos mostrasse o braço direito. Tirou o paletó e nos colocou diante dos olhos um braço enorme com uns babados de carne mole, arroxeada, esquisita, mais parecendo um açoite enrolado, cheio de caroços.
Saímos impressionadíssimos de seu quarto. Mais adiante, o Chico explicou-nos: este nosso irmão foi, no passado, um capataz muito mau. Com aquele braço direito açoitou infinidades de escravos, muitos dos quais desencarnaram, vítimas de sua impiedade. Voltou assim, como vocês o veem, trazendo no braço o que lhe está no espírito, que é como um eco dos açoites irados que deu, e daí o sofrimento indescritível das suas vítimas. Aqueles babados já estão endurecendo-se e acabarão cancerosos, trazendo-lhe sofrimentos medicamentosos, a fim de que, com isso, inicie o pagamento de suas grandes faltas.

Ramiro Gama


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A lição foi também para nós

Como vemos, a lição preciosa, contada pelo caro Médium, tem a sua aplicação, na hora presente, junto a nós todos…
Igual ao ateu, outros irmãos existem fechados à realidade da missão redentora. Espíritos endurecidos, cheios de preconceitos, enferrujados pelo orgulho e pela vaidade, indiferentes ao seu progresso espiritual, por aí vivem sem Roteiro, colocando o coração no tesouro dos prazeres, do dinheiro fácil e no endeusamento à família material.
Quando menos esperam, vem o temporal das dores, os ciclones das separações, os relâmpagos das quedas do poder, e a grande hora de silêncio, para a meditação, chega também para que sintam que aqui viemos resgatar faltas do passado, penetrar pela porta estreita da virtude e entender os chamados do Grande Amigo, que há dois mil anos espera pela nossa chegada, como ovelhas perdidas, ao Seu Redil abençoado e acolhedor.

Fig. PONTE FRIA EM PEDRO LEOPOLDO

Ponte Fria em Pedro LeopoldoNo ambiente da Ponte achavam-se muitos confrades do Rio e de São Paulo, médicos, professores, advogados, homens de negócio, e todos compreendemos que a história contada pelo querido Chico foi um verdadeiro medicamento para as enfermidades de visitantes e visitados…
Acordara-nos para o Cristo de Deus, convidando-nos a abandonar as amarras dos vícios e das paixões, a lutar, com fé, pela nossa reabilitação, a renunciar, a amar e a perdoar. Para não termos mais ilusões. Para possuirmos o coração iluminado pelas Luzes do Evangelho, colocando-o no tesouro imortal dos Ensinos Daquele que é Caminho, Vida e Verdade: Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ramiro Gama

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Lição preciosa

Fig. AÇUDE EM PEDRO LEOPOLDO

Açude em Pedro LeopoldoAssim, conversava o caro Médium conosco, diante de um pequenino riacho, que rolava, baixinho, humildemente, aos nossos pés, colaborando com o ambiente, tão pobre de valores materiais, mas tão opulento de graças espirituais, cuja presença sentíamos comovidos.
Pressentindo, deste modo, a história dolorosa dos Irmãos visitantes e visitados, muitos dos quais membros familiares desencarnaram, uns pelo suicídio, por não aguentarem a experimentação permanente, outros, pelos seus sofrimentos, agravados, pela desesperação, o Chico pediu-nos a colaboração da palavra, a fim de que lhes contássemos casos evangélicos e para que, melhormente, pudéssemos ler e sentir uma Lição do Livro da Vida. Num clima de Sursum Corda (corações ao alto), atendemo-lo. Falamos a nós e aos presentes. Finalizamos, lembrando-nos de que somente nos desamarramos dos vícios e das paixões e nos damos pressa de atravessar o rio dos preconceitos em busca da Verdade, quando somos apartados de entes amados ou empurrados pelo aguilhão da dor. Pegando a nossa deixa, o prezado Médium, inspiradamente, contou-nos a pequena história abaixo, que muito nos comoveu e possibilitou vivêssemos todos um momento de respeito e exaltação à Palavra do Divino Mestre:

O Ateu

— Em certa localidade do interior de Minas Gerais, morava um ateu incorrigível. Era casado com linda e digna mulher e possuía um único filho, que contava 12 anos e se constituía o seu maior tesouro. O ateu, tanto quanto possível, não perdia a oportunidade de revelar seu ateísmo doentio, como que zombando da crença alheia. Sua prendada esposa o advertia, quase sempre, sem proveito. Continuava negando Deus, multiplicando seu ouro e adorando seu filho único…
Quando menos esperava, a morte veio, silenciosa, e levou-lhe o filho, entristecendo o coração materno e enchendo de desespero o coração do ateu.
Passaram-se dois anos. O ateu, agora, magro e pobre, sem a esposa, que também fora levada para o Além, sentia-se só e doente. Aconselhado por alguns amigos, batera à porta de vários Templos, até que, numa tarde abençoada, foi ter a uma sessão espírita.
Aí começou a receber os primeiros socorros. Seu coração, trabalhado pela dor, perdera as vestes negras da vaidade e do orgulho. E, numa noite, quando mais se mostrava convicto da verdade espírita, o filho incorpora-se num Médium e lhe fala:
— Meu pai, como me sinto feliz em vê-lo aqui! Como demorou a encontrar a grande Estrada! Graças a Deus, que veio! Mas foi preciso que eu e minha mãe pedíssemos muito, a seu favor, para que o Pai do Céu nos atendesse. E vou contar-lhe uma historieta que um de meus Mentores me contou com relação ao nosso caso:
Numa aldeia da Índia, vivia um fazendeiro rico, que se especializara na criação e seleção de animais. Possuía grande quantidade de vacas reprodutoras de boa qualidade. Era um homem bom e prestativo. Desejava ajudar a todos os seus irmãos de romagens na Terra. E, assim, resolveu partilhar sua obra com os seus vizinhos de outra aldeia, que limitava com seus rumos por um pequeno rio. Mandou selecionar alguns bois e uma vaca, que possuía um bezerro único e os enviou aos seus companheiros. Mas, na passagem do rio, todos os bois passaram, menos a vaca e o bezerro. Tudo foi tentado sem proveito. Alguém então alvitrou: amarrem o bezerro e atravessem com ele o rio, que a vaca acompanhá-lo-á. De fato, a vaca, vendo o filho amarrado, berrando, pedindo-lhe socorro, atravessando o rio, não se fez de rogada e também o atravessou…
— Aí está, meu pai, a lição preciosa que a historieta nos dá: foi preciso que eu fosse também amarrado pela enfermidade e jogado no rio da morte para que o senhor atravessasse o rio do preconceito e viesse até a mim e sentisse, como está sentindo, comigo, a vida verdadeira e, deste modo, iniciasse o resgate de suas faltas! Louvado seja Deus!

Chico Xavier


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Pequenas histórias

Fig. PONTE DA FÁBRICA, PEDRO LEOPOLDO, 1958
Ponte da fábrica, 1958Em outubro de 1956, tivemos a ventura de assistir à peregrinação do Chico. Primeiramente, iniciamo-la pela visita à Ponte, já conhecidíssima, porque abriga uma família numerosa de pobres irmãos doentes, sem dinheiro, sem emprego, sem alimentos.
Nós temos o crime de ter e eles têm a graça de não possuir haveres materiais. Apenas têm a Fé em Deus, que lhes vale muito, motivo porque são sempre ajudados.
Ganhamos mais do que lhes damos. E, ainda, o exemplo que nos dão, recebendo, com humildade, nosso abraço, um pouco de alimentação e vestuário. E ainda nos dizem, agradecida e sinceramente à despedida: Vão com Deus, Deus lhes pague!
Em seus lugares, será que agiríamos assim?
São, pois, mais heróis do que nós…

Ramiro Gama

Não há glória maior

Chico meditando

Em 1950, Chico Xavier havia recebido, pela sua psicografia, mais de 50 ótimos livros.
Vivia no apogeu de triunfos mediúnicos. Estava conhecidíssimo no Brasil e no mundo inteiro.
O Parnaso de Além-Túmulo, por si só, valia pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe o instrumental mediúnico, o mais completo e seguro que o Espiritismo tem tido para lhe revelar as verdades, inclusive o intercâmbio das ideias entre os dois Mundos.
Mas, além disso, recebera romances, livros e mais livros, versando assuntos filosóficos, científicos, e, sobretudo, realçando o espírito da letra dos Evangelhos, escrevendo e traduzindo, de forma clara e precisa, as lições consoladoras e imortais do Livro da Vida.
Nesta fase, conforme esperava, por intuição recebida dos seus abnegados Mentores, mais orava e vigiava.
Numa manhã, ao caminhar para a Fazenda Modelo, viu uma leva de espíritos zombeteiros emboscados, à sua espera.
E durante quase um mês sofreu deles toda sorte de escárnio. Foi apupado, zombado, assobiado, chasqueado, escameado. Por fim, começaram a lhe mediocrizar a tarefa, asseverando-lhe que seus livros não continham senão mentiras e, mais ainda, que se precavesse porque acabaria obsedado, louco.
O Chico suportou tudo, com paciência e humildade. Mas no fim de tanta experimentação, mostrou-se temeroso, acreditou que poderia ficar maluco em virtude de seu trabalho mediúnico. E consultou seu querido Guia, Emmanuel.
Colocado a par da situação, cujo desfecho previra, Emmanuel sorriu e disse-lhe:
— Mas você, Chico, é mesmo um tolo dando ouvidos aos comentários infantis desses espíritos infelizes, que ainda não encontraram em seus caminhos a Luz do Grande Amor, porque ainda não sabem amar. Lembre-se que é uma glória alguém morrer pelo Cristo! E você já imaginou que glória imensa você teria se, pelo mediunismo, captando as Verdades Consoladoras prometidas por Ele, daqui partisse imolado na prova da loucura! Sirva ao Cristo de Deus sem temor, e jamais fracassará.
O querido Médium sorriu também e perdeu todo o receio. Agora, acalentava um desejo, ser digno do Amor do Amigo Celeste e, no seu coração, ressoava a senha cristã: comigo, não tomais.
Os espíritos zombeteiros que lhe experimentavam o potencial da fé, vendo-o convicto e feliz na tarefa mediúnica, afastaram-se, certamente, um pouco doutrinados, surpresos pela grande lição recebida. Graças a Deus!

Ramiro Gama


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Irmão Francisco Portugal


Antena de LuzNosso prezado irmão Francisco Portugal sentara-se a nosso lado e dizia-nos, entristecido, não ter ainda uma possibilidade para abraçar o Chico e falar-lhe. E, em virtude de ver tanta gente na Sessão e em redor do Médium, calculava que seu desejo não seria satisfeito. Teria de assistir à Sessão e regressar no sábado à Petrópolis, onde reside, sem ao menos receber algo de que carecia, principalmente com relação a um irmão desencarnado. Rápido como um relâmpago, o Chico captou o anseio do seu Irmão pois, deixando de lado alguns amigos, já atendidos, chegou-se perto de nós e disse:
—Irmão Portugal, então você pensava que não o abraçaria, que não o tinha visto! Está enganado, você, como outros Irmãos, está também dentro de meu coração.
Nosso caro Irmão Portugal chorou de emoção. Depois da Sessão, o Chico lhe deu uma mensagem que recebeu. Mais se comoveu, o nosso irmão de Petrópolis, pois era de seu irmão desencarnado, que lhe veio contar particularidades de sua vida quando na Terra e agora no Espaço, dando-nos, com isto, uma prova real da sua imortalidade.
Antena de Luz, em verdade, é o caro Chico Xavier, porque sempre alerta, atraindo de mais Alto a misericórdia de Deus e sentindo, a todo instante, as nossas necessidades de galés, espíritos cheios de dívidas, buscando redenção.
Segue abaixo a Mensagem que o digno Irmão Francisco Portugal recebeu, em 1º de outubro de 1947, em Pedro Leopoldo, de seu Irmão Alfredo Portugal, por intermédio de Francisco Cândido Xavier:

Francisco, meu querido irmão, aqui me encontro ao lado de vocês, rogando a Deus que nos ajude e nos abençoe.
Perdoe-me se lhes falo aqui, de alma aberta, decorridos tantos anos sobre a minha forçada libertação.
Sou o peregrino que chega de longe cansado, desiludido… Quero esvaziar o cálice do coração, tocado pela nova fé que estou abraçando em seu lar abençoado. Compadeçam-se de meus pés feridos, de minhas mãos extenuadas, e ajudem-me. A morte provocada é um caminho doloroso, que nós mesmos povoamos de espinhos. Dizer-lhes das espessas trevas que atravessei é tarefa impossível. As palavras da Terra, se não conseguem exprimir o verbo dos anjos, também não expressam a indescritível angústia de todos aqueles que, como eu, penetram a noite do horror.
Se eu pudesse, retornaria agora ao mundo para sentir-me feliz no corpo mais defeituoso da Terra. A vida mais obscura, nos órgãos mais dolorosamente mutilados, constituiria, para mim, uma bênção e espero que vocês me amparem com o serviço das preces restauradoras. Graças a Jesus, o orvalho das orações de seu ninho doméstico caiu sobre mim à maneira de chuva suave e benéfica.
Depois de longo tempo nas trevas abismais, com a força que me proporcionaram, emergi da escuridão aflitiva e meus olhos, inflamados de nova luz, vertem lágrimas de esperança, aguardando o novo dia de lutas terrestres… Derramo lágrimas de renovação, porque compreendo hoje, em companhia de vocês, que a dor é um divino dom de salvação para a eternidade.
Sinto-me edificado porque entendo, na atualidade, que o sofrimento é a única força capaz de reerguer-nos para Deus. E aqui me têm vocês, agradecido e reconfortado, pedindo-lhes cada vez mais zelo na preservação dos tesouros que receberam. Vocês possuem uma lâmpada que nos faltava noutro tempo. Guardam, em casa, uma fonte de dádivas imperecíveis. A paz da alma e a possibilidade de fazer o bem com Jesus é, realmente, a verdadeira felicidade agora e sempre.
Perdoem-me se as minhas visitas, muitas vezes, lhes fizeram sentir indefiníveis amarguras.
Reconheço que Carolina e Jorge, principalmente, registraram, com mais intensidade, a minha presença e, em mais de uma ocasião, se deixaram dominar pela minha influência. Creiam, porém, que meu espírito permanece transformado e rogo a Deus para que nenhum de vocês, por mais venenosos sejam os espinhos da luta a que foram chamados, jamais se deixem vencer pelas sugestões sombrias da morte provocada.
Abracem a cruz da existência humana com alegria. As horas efetivamente preciosas da experiência material são aquelas em que podemos provar a nossa fé, o nosso espírito de sacrifício e a nossa vocação de renúncia. E essas horas não são encontradas entre as flores que persistem apenas por um dia, não se abrem nas câmaras felizes das vidas sem trabalho digno e frutuoso.
Atendamos ao convite divino, aceitando o benéfico desafio do mundo. Por não recebê-lo, com serenidade e amor, quase sempre perdemos nossas mais belas oportunidades de evoluir para os lucros efetivos da experiência.
Fujam da tristeza, do desânimo, da desesperação. Situem a mente no santuário da fé para vencerem os dragões da sombra que rondam à porta.
Não respirem o clima da invigilância e agradeçam ao Senhor tantas bênçãos de paz e luz porque, em verdade, seu lar é uma fonte de graças que devem ser aproveitadas a benefício de muitos.
Agradeço a Carolina, Zoé, Zilda, Jorge, Sylvio e Malena, as alegrias que me despertam na alma. Vocês receberam de Jesus um depósito sagrado e você, meu irmão, é a sentinela desses sublimes dons. Reduza, quanto estiver ao seu alcance, os problemas que ainda o prendem à luta material mais intensa, para que a bendita claridade do Alto se reflita com brilho sempre mais intenso em seus caminhos.
Sou apagado servidor da verdade, agora esperando o ensejo de regressar à luta, mas estarei ao lado de vocês, recebendo o conforto de seu auxílio e pronto a colaborar, de algum modo, a fim de revelar-lhes alguma coisa de meu infinito reconhecimento.

Alfredo

Como vemos, instrutiva e comovedora a Mensagem do irmão de Francisco Portugal, que se suicidara aos 21 anos, por motivos sentimentais. O Chico ignorava por completo a existência de todos os fatos relatados. Que sirva ela de lição preciosa para todos nós e para quantos, desanimados com a prova redentora, se deixem vencer pelas sugestões sombrias da morte provocada.

Ramiro Gama

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Conselhos abençoados

Cerca de 300 Lindos Casos que temos do Chico Xavier foram, em grande parte, obtidos quando o vimos em palestra com os assistentes do Luiz Gonzaga, respondendo a consultas, resolvendo problemas íntimos, consolando pelo desencarne de entes amados.
Nas respostas dadas, nos conselhos ministrados, nas consolações distribuídas, observamos dádivas de Deus, lições evangélicas, que devem ser divulgadas para beneficiarem a outros irmãos portadores de iguais problemas e vivendo idênticas provas dolorosas.
Até conselhos rápidos e abençoados guardamos do querido Médium. Nossa ida a Pedro Leopoldo é, pois, benéfica para nós, para nosso próximo, porque depois, escrevendo ou falando, vamos, com seus Lindos Casos, objetivar e documentar lições magistrais do Evangelho, com vistas às nossas tarefas, aos nossos deveres, aos nossos interesses, à nossa melhoria moral.
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Wanda Müller

Chico e amigaNossa irmã Wanda, abnegada esposa do nosso querido amigo Hélio Müller, residente em Petrópolis, pede ao Chico algo sobre sua mediunidade de desdobramento, em início, tanto mais que já houvera obtido um fenômeno de bi-corporeidade.
E a resposta veio: Você, irmã Wanda, tem, de fato, esse dom mediúnico. Mas a Maternidade fê-lo parar, por enquanto, porque há nela algo de sagrado, mais importante no momento. Quando você ficar mais idosa, sua mediunidade vai reaparecer mais desenvolvida, com possibilidade de ser de lhe mais útil e aos seus familiares.

Ramiro Gama

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