Página de Alerta

Meu amigo, enquanto esperar pelo socorro do alto, há no alto quem aguarda a movimentação de tuas possibilidades para que o Reino Divino se estabeleça nas regiões menos felizes da vida.
Procuremos o apoio do Céu, mas não nos esqueçamos do antigo dever de ajudar a Terra.
Muitos alongam o olhar pelas nuvens distantes e olvidam o campo que lhes retribui a mil por um, nas menores atividades da sementeira.
Inúmeros exibem a pequenina alfinetada que lhes fere a epiderme, diante da Providência Divina, entre apelos gritantes da aflição desmedida, contudo, ignoram deliberadamente que, às vezes, o irmão mais próximo carrega fardos de angústia sobre o coração, sem uma queixa, esperando por alguma distraída migalha dos banquetes de facilidade e conforto dos quais se rodeia.
Muitos suplicam revelações da vida espiritual, condicionando a própria fé às dádivas que receberem, entretanto, não se lhes dá que o vizinho desespere à míngua de uma palavra de incentivo e de amor.
Não poucos tecem hinos de rogativa ao Senhor, diariamente, entre a abastança excessiva e a cultura dilatada, vestindo-se indebitamente, na expressão de grandes sofredores, sem atinar com a fileira compacta dos nossos companheiros ignorantes, que aguardam leve centelha de luz.
Se acordares para as claridades da Boa Nova, edifica-te nas graças recolhidas, cultive a oração e santifica o ideal que te enobrece a mente, mas não abandones o lugar de servidor.
Em casa, na paisagem do serviço comum, na via pública, nos parques festivos, nas mansardas da provação, nos círculos da caridade, nas escolas, nas instituições edificantes, há sempre irmãos esperando por nós, situações e problemas que nos solicitam cooperação, ajuda e entendimento.
Fortalece-te no contato com a fé e prossegue no serviço que te cabe.
Trabalha sem esmorecer, dá de ti mesmo, liberta o coração prisioneiro de enganos mil, através dos raios benditos do suor, na felicidade dos semelhantes. E, se nos orientarmos em tais normas, guardemos a convicção de que, um dia, as portas da divina imortalidade ser-nos-ão abertas no eterno e glorioso caminho.

Emmanuel

Psicografia de Chico Xavier, em 7.08.1950.

A Tradução Divina

Todos buscamos a confortadora emoção do contato com Jesus através de exposições variadas da Boa Nova, nas mais diversas línguas.
Sedentos de luz tentamos interpretações novas do Mestre, em novos tons e diferenciados estilos. Estudamos passagens múltiplas de seu apostolado, gastando dias e existências na pesquisa de valores da Revelação. Por vezes, discutimos, acaloradamente, transformando-nos, não raro, em ásperos paladinos da verdade, na ânsia de aproximação do Amigo Divino, consumindo o tempo na experimentação, no exame, na expectativa…
Mas, se na realidade somos os aprendizes de muitos séculos, ouvintes e beneficiários do Sublime Orientador que jamais se enfada de nossas indagações, quase sempre caracterizadas pela imobilidade, famintos de bênçãos a procura de exposições humanas dos ensinamentos do Céu, o Senhor aguarda, igualmente, com justificada sede de compreensão, a tradução divina do seu Evangelho de Amor, em nossas próprias vidas, nas linhas retas de nossas atitudes, nas frases construtivas do nosso sentimento, nos trechos edificantes de nossos testemunhos de fé e nos discursos substanciais de nossas ações de fraternidade e serviço, elevação e regeneração, uns à frente dos outros.
Entre nós, precisamos de letrados e oradores, de artistas intelectuais e de mordomos do verbo para semear a Boa Nova, mas Jesus pede simplesmente irmãos e amigos, companheiros e lidadores, tocados de confiança, simplicidade e dedicação, que lhe expressem no mundo a conceituação dignificante da vida.
Esforcemo-nos para que não estejamos somente aptos a traçar a fraseologia convincente e brilhante, por intermédio da palavra ou do lápis, ensinando a ciência da renovação para a vida superior, que nos constitui elevado dever, mas que nos habilitemos também à divina tradução do Testamento de Luz, convertendo as nossas experiências em páginas vivas de exemplificação santificante e beleza imortal.

Emmanuel,
Psicografia de Chico Xavier em 12.06.1950.

O Selo do Amor

Pelo caminho da ascensão espiritual, denominado “cada dia”, encontrará variados recursos de aprimoramento, a cada passo:
É o trabalho que te espera a noção de responsabilidade no devotamento ao dever.
É a oportunidade de praticar o bem, incessantemente.
É o companheiro da parentela consanguínea que te não compreende ainda e, junto do qual, podes exercer o ministério do auxílio e do perdão.
É o adversário que te combate os propósitos de melhoria com quem a luta te possibilita a hora de paciência e aprendizado.
É a tentação sedutora, que nasce das profundezas de teu próprio ser, em cujo clima é possível desenvolver a tua resistência para a aquisição de novo poder moral.
É o espinho que te fere ou a pedra que te maltrata, que se fazem benfeitoras de tua jornada, por te descerrarem o santuário da prece e da humildade, se a tua mente vive acordada à luz do Senhor.
É a dificuldade que, muitas vezes, te surpreende nos lábios dos mais queridos, constrangendo-te à consolidação de virtudes imprecisas.
Segue, pois, adiante, amando, crendo, esperando e servindo sempre.
Cada obstáculo e cada amargura guardam raízes no processo educativo de nossa própria regeneração.
Cada ensinamento tem o seu lugar, a sua hora e a sua finalidade.
Aproveitar semelhantes bênçãos, de conformidade com os padrões de Jesus, que passou entre nós fazendo o bem, que nos ama desde o princípio e que permanecerá conosco, até o fim dos séculos.
Dirás, talvez, diante de nosso apelo: - “Não compreendo, não me lembro, não posso”.
O Senhor, entretanto, não nos impõe fardos que não possamos suportar, não nos endereça problemas que não estejamos aptos a resolver e jamais esqueçamos de que a reencarnação traz o selo do amor divino, em benemérito esquecimento, enriquecendo-nos de bênçãos de reaproximação, fraternidade e serviço, a fim de executarmos, sem percalços invencíveis, o trabalho de nossa própria redenção.

Emmanuel

Perdão na intimidade

Quando nos referimos a perdão, habitualmente mentalizamos o quadro clássico em que nos vemos à frente de supostos adversários, distribuindo magnanimidade e benemerência, qual se pudéssemos viver sem a tolerância alheia.
O assunto, porém, se espraia em ângulos diversos, notadamente naqueles que se reportam ao cotidiano.
Se não soubermos desculpar as faltas dos seres que amamos, e se não pudermos ser desculpados pelos erros que cometemos diante deles, a existência em comum seria francamente impraticável, porquanto irritações e azedumes devidamente somados atingiram quotas suficientes para infligir a desencarnação prematura a qualquer pessoa.
Precisamos muito mais do perdão, dentro de casa, que na arena social, e muito mais de apoio recíproco no ambiente em que somos chamados a servir, que nas avenidas rumorosas do mundo.
Em auxílio a nós mesmos, todos necessitamos cultivar compreensão e apoio construtivo, no amparo sistemático a familiares e vizinhos, chefes e subalternos, clientes e associados, respeito constante a vida particular dos amigos íntimos, tolerância para os entes amados, com paciência e olvido diante de quaisquer ofensas que assaltem os corações. Nada de aguardamos sucessos calamitosos, dores públicas e humilhações na praça, a fim de aparecermos na posição de atores da benevolência dramatizada, apesar de nossa obrigação de fazer o bem e esquecer o mal, seja onde for.
Aprendamos a desculpar – mas a desculpar sinceramente, de coração e memória, – todas as alfinetadas e contratempos, aborrecimentos e desgostos, no círculo estreito de nossas relações pessoais, exercitando-nos em bondade real para ser realmente bons.
Tão somente assim, lograremos praticar o perdão que Jesus nos ensinou. E se o Mestre nos ensinou perdoar setenta vezes sete aos nossos inimigos, quantas vezes deveremos perdoar aos amigos que nos entretecem a alegria de viver? Decerto que o Senhor se fez omisso na questão porque tanto nossos companheiros necessitam de nós, quanto nós necessitamos deles, e, por isso mesmo, de corações entrelaçados no caminho da vida, é imprescindível reconhecer que, entre os verdadeiros amigos, qualquer ocorrência será motivo para aprendermos, com segurança, a abençoar e entender, amar e auxiliar.

Chico Xavier/Emmanuel
Do livro Alma e Coração

Programa Cistão

Aceitar a direção de Jesus.
Consagrar-se ao Evangelho Redentor.
Dominar a si mesmo.
Desenvolver os sentimentos superiores.
Acentuar as qualidades nobres.
Sublimar aspirações e desejos.
Combater as paixões desordenadas no campo íntimo.
Acrisolar a virtude.
Intensificar a cultura, melhorando conhecimentos e aprimorando aptidões.
Iluminar o raciocínio.
Fortalecer a fé.
Dilatar a esperança.
Cultivar o bem.
Semear a verdade.
Renovar o próprio caminho, pavimentando-o com o trabalho digno.
Renunciar ao menor esforço.
Apagar os pretextos que costumam adiar os serviços nobres.
Estender o espírito de serviço, secretariando as próprias edificações.
Realizar a bondade, antes de ensiná-la aos outros.
Concretizar os ideais elevados que norteiam a crença.
Esquecer do perigo no socorro aos semelhantes.
Colocar-se em esfera superior ao plano escuro da maledicência.
Ganhar tempo, aproveitando as horas em atividade sadia.
Enfrentar corajosamente os problemas difíceis na experiência humana.
Amparar os ignorantes e os maus.
Auxiliar os doentes e os fracos.
Acender a lâmpada da boa vontade onde haja sombras e incompreensão.
Encontrar nos obstáculos os necessários recursos à superação de si próprio.
Perseverar no bem até o fim da luta.
Situar a reforma de si mesmo, em Jesus Cristo, acima de todas as exigências da vida terrestre.

Emmanuel,
psicografia de Chico Xavier, em 11.10.1947

Nos serviços da cura

NÃO basta rogar ajuda para si. É indispensável o auxílio aos outros.
NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos pedidos de socorro. É preciso não reincidirmos nas faltas.
NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente. É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias.
NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na residência dos vizinhos. É imprescindível acendê-las no próprio coração.
NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a outrem. É imperioso cultivá-lo por nossa vez.
NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao próximo. Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta.
NÃO é integral a medicação para as vísceras enfermas. É indispensável que não haja ódio e desespero no coração.
NÃO adianta o auxílio do Plano Superior, quando o homem não se preocupa em retê-lo. Antes de tudo é preciso purificar o vaso humano para que se não perca a essência divina.
NÃO basta suplicar a intercessão dos bons. Convençamo-nos de que a nossa renovação para o bem, com Jesus, é sagrado impositivo de vida.
NÃO basta restaurar simplesmente o corpo físico. É inadiável o dever de buscarmos a cura espiritual para a vida eterna.

Bezerra de Menezes,
Psicografia de Chico Xavier, em 6.10.1947

O Missionário

Pés sangrando no trilho solitário
Dilacerado, exânime, proscrito,
– Ave do sonho em monte de granito –
Assim passa no mundo o Missionário.

Incompreendido e estranho visionário,
Contendo, a custo, o peito exausto e aflito,
Vai carregando as glórias do Infinito,
Entre as chagas e as sombras do Calvário.

Longas jornadas, ásperos caminhos,
No campo de grilhões, trevas e espinhos,
Onde semeia o trigo da Verdade!…

Virão, porém, os dias da colheita
E os celeiros da luz pura e perfeita,
No Divino País da Eternidade!

Cruz e Souza, psicografia de Chico Xavier,
em Pedro Leopoldo, 31.03.1944

Além

Além da sepultura, a nova aurora
Luminosa e divina se levanta!…
Lá palpita a beleza, onde a alma canta
A luz do amor que vibra e resplendora!

Ó corações que a lágrima devora,
Prisioneiros da dor que fere e espanta
Tende na vossa fé a bíblia santa,
E em vossa luta o bem de cada hora.

Além da morte, a vida tumultuada.
O trabalho divino continua…
Vida e Morte – Exultai ao bendizê-las!

Esperai nos pesares mais profundos,
Que a este mundo sucedem-se outros mundos,
E às estrelas sucedem-se as estrelas!

João de Deus, psicografia de Chico Xavier,
Juiz de Fora, 19.5.1942

Aos Obreiros do Bem

Operários do bem e da amizade,
Deus abençoe a santa eucaristia
Deste instante de luz e de alegria,
Iluminando a paz que nos invade!…

Devotados, obreiros da bondade,
Se a hora é de amargura e de agonia,
Prossigamos no esforço da harmonia,
Da doutrina sublime da verdade.

Meu Deus, que os missionários deste templo
Possam testificar, em tudo o exemplo
De renúncia, de amor, de vida e luz!…

Sede felizes, caros companheiros,
Laborando no bem dos brasileiros,
Sob a paz do Evangelho de Jesus!

Pedro D’Alcântara, psicografia de Chico Xavier
Rio de Janeiro, 22.09.1937

O supérfluo

Numa sexta-feira do mês de março de 1956, encontramos o Chico na hora do correio e palestramos. Depois, fomos andando e admirando os novos prédios que modificam a feição urbanística de Pedro Leopoldo. No ar sentíamos um assunto provocando-nos o Pensamento: o supérfluo. E lembramos ao Médium a preocupação demasiada de certas criaturas com a construção luxuosa de suas residências, colocando-lhes enfeites, bem-estar excessivo, dando ganho de causa à superfluidade. Perdem tempo, dinheiro, esforço, saúde na criação de monumentos residenciais. E depois não se beneficiam com os exageros de seu luxo, de sua vaidade, de sua preocupação material… Uns, como naquele caso evangélico, desencarnam deixando na terra o tesouro onde colocaram o coração… Outros não chegam a realizar seus sonhos, a desilusão vem no desencarne de um ente amado e em sofrimentos que lhes aparecem como verdadeiros educadores… O Chico, colaborando com a nossa conceituação objetiva contra o supérfluo, conta-nos casos preciosos.
Abraçamo-nos e cada um foi para seu lado. À noite, no Luiz Gonzaga, a sessão corre, como sempre, num clima de elevação e respeito. O Evangelho, aberto ao acaso, oferece-nos na preciosa Lição do Capítulo 16º: Não se pode adorar a Deus e a Mamon, e, no final, Emmanuel, obsequia-nos com a luminosa página com o título:

O Supérfluo

Por toda parte na Terra, vemos o fantasma do supérfluo enterrando a alma do homem no sepulcro da aflição.
Supérfluo de posses estendendo a ambição…
Supérfluo de dinheiro gerando intranquilidade…
Supérfluo de preocupações imaginárias, abafando a harmonia…
Supérfluo de indagações empanando a fé…
Supérfluo de convenções expulsando a caridade…
Supérfluo de palavras destruindo o tempo…
Supérfluo de conflitos mentais determinando a loucura…
Supérfluo de alimentação aniquilando a saúde…
Supérfluo de reclamações arrasando o trabalho…
Entretanto, se o homem vivesse de acordo com as próprias necessidades, sem exigir o que ainda não merece, sem esperar o que lhe não cabe, sem perguntar fora de propósito e sem reprovar nos outros aquilo que ainda não retificou em si mesmo, decerto a existência na Terra estaria exonerada de todos os tributos que aí se pagam diariamente à perturbação.
Se procuras no Cristo o Mentor de cada dia, soma as tuas possibilidades no bem, subtrai as próprias deficiências, multiplica os valores do serviço e da boa vontade e divide o amor para com todos, a fim de que aprendas com a vida o que te convém realmente à própria segurança.
O problema da felicidade não está em sermos possuídos pelas posses, quaisquer que elas sejam, mas em possuí-las, com prudência e serenidade, usando-as no bem de todos que é o nosso próprio bem.
Alija o supérfluo de teu caminho e acomoda-te com o necessário à tua paz.
Somente assim encontrarás em ti mesmo o espaço mental indispensável à comunhão pura e simples com o nosso Divino Mestre e Senhor.
Emmanuel

Como vemos, os Espíritos do Senhor, à frente o querido Guia de Chico Xavier, ouviram-nos a palestra construtiva, alegraram-se conosco, como se entristeceriam se nos ouvissem maldizendo e futilizando e, desejando colaborar com os nossos conceitos, sempre pobres de luzes, ofertaram-nos mais uma joia espiritual do tesouro de seus corações evangelizados.

Ramiro Gama