A verdade é como o diamante

Uma irmã, companheira de viagem, conversava conosco no Hotel Diniz, em Pedro Leopoldo, sobre um assunto familiar.
De uma feita, foi obrigada a dizer a verdade nua e crua a uma parenta, como uma advertência ao seu mau gênio e por haver incidido num erro grave.
Delicadamente, contrariamos seu ponto de vista afirmando-lhe:
—Que ninguém ensina ferindo, como nos lembra André Luiz num de seus poemas de Agenda Cristã.
A irmã considerou-se vencida mas não convencida.
Fomos à casa do irmão André, onde o querido Chico nos esperava.
Depois dos abraços, já sentados e atentos à palavra do benquisto Médium, sob nossa surpresa, conta-nos, logo de início:
Emmanuel, uma vez, me disse que a Verdade é como o diamante.
Olhamos para a irmã, convencidos de que os Espíritos ouviram a nossa conversa no Hotel.
E o Médium prosseguiu:
—Oferecemos o diamante a uma moça e ela, com a pedra preciosa, transforma-a numa joia de realce à sua beleza; oferecemos o mesmo diamante a um pobre irmão enfermo e, ele satisfeito, troca-o por dinheiro, com que compra alimento e remédio. Mas, numa hora de descontrole moral, jogando-o à face de alguém, esse alguém todo se envergonha e envia-nos um olhar cheio de vingança e de ódio. Então, a Verdade deve ser dosada. Não deve ser dita nua e crua, senão, em vez do bem, fará mal…
A caríssima irmã, companheira de viagem, considerou-se afinal convencida.
A Vitória era de Jesus, nas Lições de seu Evangelho.

Ramiro Gama

Apelo ao Trabalho Maior

Em 1º de dezembro de 1953, de volta a Pedro Leopoldo recebemos, pela mão do Chico, a seguinte mensagem do nosso caro companheiro Braga Neto, que oferecemos aos nossos leitores:

Aí vai o nosso apelo ao Trabalho Incessante e Maior

Peregrinação em Uberaba, 1971Hoje entendo que o Espiritismo é muito mais que uma Doutrina para o nosso modo de crer, muito mais que um sistema de indagação da fé. Representa, acima de tudo, uma luz para o coração e para a inteligência, requisitando-nos todas as possibilidades para expressar-se em serviço aos nossos semelhantes que, no fundo, é sempre socorro e assistência a nós mesmos.
Um corpo carnal é um templo vivo, onde nosso espírito consegue furtar-se às escuras reminiscências do passado culposo e, simultaneamente, em que nos cabe aproveitar o presente na estruturação do futuro.
Por mais que se nos agigante o entendimento no mundo, no estado atual de nossa evolução, não compreendemos a riqueza da reencarnação, em todo o sentido que lhe diz respeito. A existência física é dádiva das mais preciosas, de vez que, por ela, é possível renovar o caminho de nosso espírito para a imortalidade vitoriosa. A Terra é uma escola onde conseguimos recapitular o pretérito mal vivido, repetindo lições necessárias ao nosso reajuste. Por isso é imprescindível procurar, enquanto aí, o aproveitamento individual da oportunidade, disputando, em nosso benefício, os louros do aprendiz aplicado aos ensinamentos que recolhe. Muito nos pesa reconhecer valiosos companheiros nossos mergulhados na corrente agitada de velhas discussões que, a rigor não edificam, perdendo-se elevado patrimônio de tempo e de empréstimo ao Senhor.
O rótulo não define a substância. O título, entre os homens, nem sempre se reveste do valor que lhe corresponde. Palavras precisam de base para o auxílio a que se destinam. Do que posso agora observar, à distância do turbilhão, destaca-se o reconhecimento das horas perdidas, de mil modos diferentes, no curso de nosso breve aprendizado, na experiência física, que, em não nos pertencendo, já que o tempo é um depósito do Senhor, nos agravam os compromissos. Tudo na face do planeta é pura transformação. Os dias se sucedem uns aos outros, mas não são iguais. A infância de hoje é juventude amanhã, tanto quanto a mocidade de agora é madureza depois. Mais que parece, voa o século e, com ele, se apaga o ensejo de ressurreição espiritual, dentro de nós mesmos, se não soubermos gastar sabiamente o crédito que Jesus nos empresta, em precioso adiantamento, no santuário da confiança.
Aproveitemos, desse modo, a Mensagem do Evangelho por norma de luz, no imo da própria consciência, a fim de que a libertação definitiva surja para nós na vida eterna. Enquanto a perturbação palavrosa se alonga nas linhas da luta a que fomos chamados, saibamos construir em nós mesmos o altar de serviço ao próximo para receber a Divina Vontade, oferecendo-lhe a execução.
Continuemos em nosso antigo passado, buscando dessedentar a própria alma na fonte da humildade e da oração. A subida com Jesus é sacrifício na marcha da renúncia a nós próprios. Na Jerusalém convulsionada do mundo, autoridades e poderes, sacerdotes e doutores, filósofos e cientistas, homens e mulheres ainda se aglomeram ao pé da cruz, indiferentes à sorte do Divino Emissário, hoje personificado em seus princípios, que sofrem menosprezo em quase todas as direções, mas o discípulo sincero não ignora que o Mestre não somente escalou o Monte do testemunho, mas além do Monte, escalou o madeiro de martírio e perdão, para ressurgir triunfante, enfim…
Não esmoreçamos.
Prossigamos com Jesus, hoje amanhã e sempre.

Braga Neto

Mensagem de bom ânimo

Gustavo Adolfo Oscar do Amaral Ornellas
Nascimento: 20 de outubro de 1885
Falecimento: 05 de janeiro de 1923

Amaral OrnellasEm 5 de agosto de 1953, estávamos no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, junto do Chico. E sinceramente, no íntimo, desejávamos receber alguma palavra de estímulo dos Amigos Espirituais.
Essa palavra veio no soneto intitulado Mensagem de Bom Ânimo, abaixo transcrito, que nos foi endereçado:


Enquanto o mundo hostil ruge e se desatina
No mal com que a si mesmo alanceia e atraiçoa,
Guarda contigo a paz risonha, amiga e boa
E avança com Jesus na jornada divina.

Segue ostentando na alma a rútila coroa
Da humildade e do amor, na fé que te ilumina.
E, abrindo o coração qual fonte cristalina,
Aprende, ajuda e crê. Serve, luta e perdoa…

Fita o Mestre na cruz e segue-o monte acima
Recebe, jubiloso, a dor que te sublima
E abraça na bondade a senda meritória.

E, embora a tempestade em que a terra se agita.
Terás contigo mesmo a beleza infinita
Da Suprema Alegria em Suprema Vitória!

Amaral Ornellas

O dia começa ao amanhecer

Estimulando a campanha espírita cristã de amparo à criança, transcrevemos aqui a reconfortante mensagem de Meimei, dada por intermédio do Chico, em 10 de agosto de 1952, em Pedro Leopoldo:

MeimeiCompadece-te da criança que surge ao teu lado.
O dia começa ao amanhecer.
Pai, mãe, irmão ou amigo, ajuda-a com teu coração, se pretendes alcançar a Terra melhor.
Lembra-te das vozes amigas que te induziram ao bem, das mãos que te guiaram para o trabalho e para o conhecimento.
Por que não amparar, ainda hoje, aqueles que serão, amanhã, os orientadores do mundo?
Em pleno santuário da natureza, quantas árvores generosas são asfixiadas no berço? Quanta colheita prematuramente morta pelos vermes da crueldade?
A vida é também um campo divino, onde a infância é a germinação da Humanidade.
Já meditaste nas esperanças aniquiladas ao alvorecer? Já refletiste nas flores estranguladas pelas pedras do sofrimento, ante o sublime esplendor da aurora?
Provavelmente dirás: “como impedirei o sofrimento de milhares”?
Ninguém te pede, porém, que te convertas num salvador apressado, cheio de ouro e de poder.
Basta que abras o teu coração, com as chaves da bondade, em favor dos meninos de agora, para que os homens do futuro te bendigam.
Quando a escola estiver brilhando em todas as regiões e quando cada lar de uma cidade puder acolher uma criança perdida – ninho abençoado a descerrar-se, carinhoso, para a ave estrangeira – teremos realmente alcançado, com Jesus, o trabalho fundamental da construção do Reino de Deus.

Meimei

O prestígio do Chico

CHICO E CASAL DE AMIGOS

Chico e casal de amigosO professor Lauro Pastor e sua digna esposa Dona Dayse, em companhia do Professor Pastorino passaram uns dias em Pedro Leopoldo.
Numa tarde, dia de sessão, acompanhados do Chico, dirigiam-se ao Luiz Gonzaga.
Na rua principal, esquina do Centro, esbarraram com um rapaz embriagado e o Chico, ao vê-lo perguntou:
— Como vai, meu amigo? Fique com Deus!
— Vai também com Deus, Chico, que eu não sei com quem vou…
Terminada a sessão, o Professor Lauro Pastor, sua esposa e o Professor Pastorino, agora desacompanhados do Chico, caminhavam para o Hotel, onde se achavam hospedados, quando veem o moço, agora bem pior, xingando a todos os que lhe passavam perto.
Receosos de serem molestados, passaram de mansinho, para não serem percebidos. Mas foram por ele vistos e reconhecidos.
E, ante a surpresa dos que o rodeavam, do Professor Pastorino e do próprio casal, o moço ébrio fez um grande gesto para abrir caminho e exclamou bem alto:
— Abram alas, companheiros. Deixem eles passar, são gente do Chico!

Ramiro Gama

Livro Divino

Livro DivinoO professor Lauro Pastor acabava de fazer uma interessante conferência na Secretaria de Saúde e Assistência, de Belo Horizonte, em 20 de abril de 1952, quando ali era comemorado o livro Espírita, tecendo comentários muito oportunos sobre o LIVRO DIVINO, visto que acabou rematando sua palestra realçando o Evangelho.
Sua palestra foi toda gravada e ele falou, inspiradamente, de improviso.
No fim, achando-se presente o Chico Xavier, este, enquanto o Professor Lauro falava, recebeu a Bela Poesia de Castro Alves, que transcrevemos aqui, como um presente aos leitores:

LIVRO DIVINO

Gemia a Terra humilhada,
A noite do cativeiro
Dominava o mundo inteiro
Sob o carro da opressão;
Com mandíbulas vorazes
De loba que se subleva,
Roma, encharcada de treva,
Estendia a escravidão.

Tremeram dourados sólios,
O orgulho caiu de rastros;
Arcanjos vinham dos astros
Em cânticos de louvor.
Mas ao invés da vingança,
Contra o ódio, contra a guerra,
O Livro pedia à Terra:
Bondade, Perdão e Amor…

Entre as águias poderosas,
Jazia Atenas vencida,
Carpia Cartago a vida
Ligada a grilhão cruel.
Na Capadócia, na Trácia,
Na Mauritânia e no Egito,
O povo chorava aflito,
Tragando cicuta e fel.

Começou o novo Reino…
Horizontes infinitos
Descerraram-se aos aflitos,
Perdidos nos escarcéus;
Os fracos e os desditosos,
Os tristes e os deserdados,
Contemplaram, deslumbrados,
Novos mundos, novos céus.

O frio invadira os templos,
Não mais Eros de olhar brando,
Nem bela Afrodite amando,
Nem Apolo encantador;
O Olimpo dormira em sombra,
Cessara a graça de Elêusis,
Não surgiam outros deuses,
Que não fossem do terror.

Desde então a Humanidade
Trabalha, cresce, porfia,
Ao clarão do novo dia,
Por escalar outros sóis;
E a Mensagem continua,
Em sublimes resplendores,
Formando Renovadores,
Artistas, Santos e Heróis.

Mas quando o mal atingira
O apogeu da indiferença,
Disse Deus na altura imensa:
“Faça-se agora mais luz!”
E um livro desceu brilhando,
Para a História envilecida:
Era o Evangelho da Vida,
Sob as lições de Jesus.

Espíritas, companheiros
Da grande Luz Restaurada,
Tracemos a nossa estrada,
Na glória do amor cristão;
E servindo alegremente
Na luta, na dor, na prova,
Busquemos na Boa-nova
O Livro da Redenção!

Ramiro Gama

Decálogo para estudos evangélicos

Na noite de 21 de março de 1952, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, discutia-se sobre a melhor maneira de orientar a pregação espírita cristã, quando Espírito André Luiz externou-se acerca do assunto, com a seguinte página:

Decálogo para estudos evangélicos1 – Peça a inspiração divina e escolha o tema evangélico destinado aos estudos e comentários da noite.
2 – Não fuja ao espírito do texto lido.
3 – Fale com naturalidade.
4 – Não critique, a fim de que a sua palavra possa construir para o bem.
5 – Não pronuncie palavras reprováveis ou inoportunas, suscetíveis de criar imagens mentais de tristeza, ironia, revolta ou desconfiança.
6 – Não faça leitura, em voz alta, além de cinco minutos, para não cansar os ouvintes.
7 – Converse ajudando aos companheiros, usando caridade e compreensão.
8 – Não faça comparações, a fim de que seu verbo não venha ferir alguém.
9 – Guarde tolerância e ponderação.
10 – Não tenha indefinidamente a palavra; outros companheiros precisam falar na sementeira do Bem.

André Luiz
Cremos que esta pequena mensagem oferece interessantes apontamentos, dando-nos o que pensar.

Ramiro Gama

Aprender com sabedoria e servir com amor

JOÃO PINTO DE SOUZA

João Pinto de SouzaNa noite de 31 de agosto de 1951, estivemos em Pedro Leopoldo e, em prece com o Chico, recebemos a linda Mensagem de João Pinto de Souza, o criador da Hora Espiritualista, apreciando nossa Campanha de Alfabetização, mensagem essa que aqui transcrevemos:

Hoje, mais do que nunca, entendo que o Espiritismo, qual é aceito e compreendido entre nós, pode ser definido como sendo Caridade e Educação. Através do bem, melhoramos a vida fora de nós, em favor de nossa própria felicidade e, por intermédio do Ensino, aprimoramos a vida igualmente, dentro de nós, para que nossa atuação no mundo se enriqueça de bênçãos.
Enquanto aí, por maiores que se revelem as demonstrações de nossa fé, não chegaremos realmente a apreender toda a extensão e toda a grandeza do tesouro que o Alto nos confia, nos valores que a Doutrina Consoladora dos Espíritos nos oferece. É preciso fechar os olhos no campo denso da carne, para reconhecer, em verdade, as riquezas imperecíveis de que fomos dotados pelo Espiritismo Evangélico, porque as oportunidades de elevação para nós todos fluem, com abundância e beleza, de todos os ângulos da luta humana, convidando-nos a aprender com sabedoria e a servir com amor, a benefício de nossa ascensão no caminho do reajuste.
Assim, pois, quanto puderem vocês, que ainda estão retendo a graça do corpo físico para engrandecer os interesses de Deus entre os homens, aproveitem o ensejo de lutar e sofrer, ajudar e edificar em nome do Senhor, principalmente na esfera da sementeira cristã que a propaganda espírita possibilita a nós todos, como sublime construção da Mente Nova do Mundo sob a inspiração da Boa-nova, sentida e realizada, nos círculos de ação em que evoluímos para a frente.
Hora Espiritualista é, nesse sentido, uma escola abençoada de conhecimento e de luz que nos cabe desdobrar no verbo santificante do Evangelho, através do céu, para os lares e para os corações sedentos de renovação para o Grande Futuro.
Não desfaleçamos e, sem dúvida, não tardará a frutificação de nossa sementeira com o Cristo.
O tempo é de lições demonstrativas. A graça divina nos visita em todos os caminhos da luta terrestre, em forma de convocação ao esforço incessante no bem eterno.
E, esperando que nos unamos cada vez mais em torno da execução de nosso programa de serviço espiritual, abraço a todos os amigos e irmãos de Ideal.

João Pinto de Souza
Nascimento – 08.02.1891
Falecimento – 31.07.1943

Página ao Irmão mais velho

Quando da realização da 1ª Semana do Moço Espírita de Minas Gerais, em Belo Horizonte, em julho de 1950, todos os trabalhos se desdobravam em torno dos jovens, mas Emmanuel se manifestou pelo Chico e escreveu esta “Página ao irmão mais velho”, que oferecemos também aos nossos leitores:

EmmanuelAjuda a teu filho enquanto é tempo.
A existência na Terra é a vinha de Jesus, em que nascemos e renascemos.
Quantos olvidam seus filhinhos, a pretexto de auxílio ao próximo e acabam por fardos pesados a toda gente!
Quantos se dizem portadores da caridade para o mundo e relegam o lar ao desespero e ao abandono?
Não convertas o companheiro inexperiente em ornamento inútil, na galeria da vaidade, nem lhe armes um cárcere no egoísmo, arrebatando-o à realidade, dentro da qual deve marchar em companhia de todos.
Dá-lhe, sempre que possível, a bênção dos recursos acadêmicos, contudo, antes disso, abre-lhe os tesouros da alma, para que não se iluda com as fantasias da inteligência quando procura agir sem Deus. Ensina-lhe a lição do trabalho, preparando-o, simultaneamente, na arte de ser útil, a fim de que não se transforme em alimária inconsciente.
Os pais são os ourives da beleza interior.
O buril do exemplo e a lâmpada sublime da bondade são os divinos instrumentos de tua obra.
Não imponhas à formação juvenil os ídolos do dinheiro e da força.
A bolsa farta de moedas, na alma vazia de educação, é roteiro seguro para a morte dos valores espirituais.
O poder sem amor gera fantoches que a verdade destrói no momento preciso.
Garante a infância e a juventude para a vida honrada e pacífica.
Que seria do celeiro se o lavrador não preservasse a semente?
Quem despreza o grelo* frágil é indigno do fruto.
Faze de teu filho o melhor amigo, se desejas um continuador para os teus ideais.
Que será de ti se depois de tua passagem pela carne não houver um cântico singelo de agradecimento endereçado ao teu espírito, por parte daqueles que deves amar? Que recolherás na seara da vida, se não plantares o carinho e o respeito, a harmonia e solidariedade, nem mesmo um pequenino canteiro doméstico?
Não reproves a esmo. A tua segurança de hoje lança raízes na tolerância de teu pai e na doçura das mãos enrugadas e ternas de tua mãe.
Esquece a cartilha escura da violência. Que seria de ti sem a paciência de algum velho amigo ou de algum mestre esquecido que te ensinaram a caminhar?
O destino é um campo restituindo invariavelmente o que recebe.
Ama teu filho e faze dele o teu confidente. E quanto puderes, com o teu entendimento e com o teu coração, ajuda-o, cada dia, para que não te falte a visão consoladora da noite estrelada na hora do repouso e para que te glorifiques, em plena luz, no instante bendito do sublime despertar.

*(grelo – nome genérico para um rebento de uma planta)

Emmanuel

Ramiro Gama

Saldo e extra

Na noite de 13 de março de 1950, alguns amigos conversavam sobre os problemas do homem na Terra, quando, iniciados os trabalhos, André Luiz veio à assembleia e escreveu a seguinte Mensagem pelo lápis do Chico:

André LuizO homem comum, em todas as latitudes da Terra, guarda, habitualmente, o mesmo padrão de atividade normal.
Alimenta-se. Veste-se. Descansa. Dorme. Pensa. Fala. Grita. Procria. Indaga. Pede. Reclama. Agita-se.
Em suma, consome e, muitas vezes, usurpa a vitalidade dos reinos que se lhe revelam inferiores.
É o serviço da evolução.
Para isso, concede-lhe o Senhor grande quota de tempo.
Cada semana de serviço útil, considerada em seis dias ativos, é constituída de 144 horas, das quais as criaturas mais excepcionalmente consagradas à responsabilidade gastam 48 em trabalho regular.
Nessa curiosa balança, a mente encarnada recebe um saldo de 96 horas, em seis dias, relativamente ao qual, raríssimas pessoas guardam noção de consciência.
Por semelhante motivo, a sementeira gratuita da fraternidade e da luz, para o seguidor de Cristo se reveste de especial significação.
Enorme saldo de tempo exige avultado serviço extra.
Em razão disso, às portas da Vida Eterna, quando a alma do aprendiz, no exame de aproveitamento além da morte, alega cansaço e se reporta aos trabalhos triviais que desenvolveu no mundo, a palavra do Senhor sempre interrogará, inquebrantável e firme:
— Que fizeste de mais?

André Luiz

Oferecemos esta Mensagem aos nossos leitores para as nossas meditações.

Ramiro Gama

Conteúdo sindicalizado