Perdoar e esquecer

Foto:CHICO E AUGUSTO C. VANUCCI, EM 1981

Chico e Augusto C. VanucciAlguém já disse que a falta de perdão e de esquecimento de injúrias tem sido a causa de muito fracasso nas provas de todos nós.
Muitos irmãos perdoam, dizem, mas não esquecem as ofensas recebidas. Não sabem ou não podem esquecer. Por mais que façam por onde, a ofensa, a ingratidão, a injustiça, que ferem e magoam, não saem de suas mentes e de seus corações.
Conversamos assim, em Pedro Leopoldo, com alguns confrades, após havermos participado da sessão do Luiz Gonzaga, que fora como sempre tão instrutiva. Nela, diante de uma assistência quantiosa caiu, por sorte, a lição evangélica: O Perdão e o esquecimento das ofensas, que foi comentado pelos irmãos que tomaram parte na mesa.
Em caminho para a casa do caro Irmão André, o Chico, que ouvira a nossa conversa, contou-nos: há tempos, há uns 20 anos mais ou menos, recebi uma grande ofensa por parte de alguém a quem muito beneficiara. Calei-me, tendo pedido a Jesus para me ajudar a não guardar mágoa pelo ofensor, a não lhe querer mal e a esquecer a ofensa recebida.
O ofensor mudou-se de Pedro Leopoldo e não lhe soube mais notícias. Esqueci-o de fato.
Passado muito tempo, observei que um irmão daqui não me era estranho e, logo assim me via, escondia-se, fugia de mim. Fiquei preocupado: teria eu lhe feito algum mal? E esperei…
Numa tarde, numa esquina de rua, encontramo-nos e fui ao seu encontro e o abracei, dizendo-lhe: que é isto, por que foge de mim, será que o molestei alguma vez? O irmão, mostrando nos olhos grande surpresa e comoção, me respondeu:
—Eu é que estou arrependido da ofensa que lhe fiz…
—Ofensa, não me lembro, quando, em que lugar?
—Há uns 20 anos atrás, ali no bar.
Foi então que me lembrei da ofensa que, dentro de mim, estava morta, porque Jesus me ajudara a esquecê-la. Abraçamo-nos. E, de novo, caminhamos como bons irmãos.
A lição do Caso comoveu-nos e valeu pela mais linda das lições e pelo melhor dos remédios à nossa doença de não querermos perdoar, ou de não sabermos, ou querermos esquecer ofensas recebidas.

Ramiro Gama

Flores do coração

Flores do coraçãoEm Pedro Leopoldo, numa sessão do Luiz Gonzaga, em fevereiro de 1956, assistimos ao seguinte: um auditório numeroso superlotava o Centro. Perto do Chico, um grupo de mães sofredoras e pesarosas, chorando o decesso de seus filhos amados. O querido Médium ouviu-as com atenção e considerou amorosamente: Minhas irmãs, consolai-vos com esta verdade: um dia vereis, na Pátria Espiritual, os vossos filhos, todos os vossos entes familiares. É preciso, no entanto, que daqui partais triunfantes para vê-los também triunfantes. E, para sairdes daqui triunfantes, faz-se mister que luteis, que não deixeis de lutar. Transformai, pois, esta tristeza do mundo, que vos adoece, pela tristeza segundo Deus, que tudo sabe. A luta é redentora. É ela que nos fará vencer a morte em busca da vida verdadeira. Estou há 28 anos no exercício da mediunidade. Ainda não passei um dia sem sofrer e chorar. Posso morrer, tenho este direito e isto me consola, mas ficar triste e parar de lutar, nunca. Nosso Dever é lutar, com fé, como uma gratidão a Jesus, que até hoje luta e sofre por nós.
Todos os olhos cheios de lágrimas das mães presentes deixavam de chorar e encheram-se de um novo brilho. Consolaram-se. Em seus corações caíram luzes esclarecedoras, flores do coração de um verdadeiro servidor de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ramiro Gama

As cartas do Dr. Guillon Ribeiro I

Centenário nascimento Chico XavierConversávamos com o Chico Xavier o assunto das cartas, focando os irmãos que se utilizam das mãos para abençoar e escrever e, assim, consolam e medicam. Abençoadamente, escrevem cartas que nos levantam de situações delicadas, cartas que afagam, que são como raios de sol penetrando as sombras de nossos corações doentes.
Lembrávamos-lhe de outras contendo reprimendas, asilando estados de cólera, carregando venenos, bombas, derruindo lares, adoecendo almas e corpos, semeando o mal.
Humberto de Campos, o mago do conto e da crônica, em uma de suas inspiradas “Reportagens de Além-Túmulo”, cita-nos o mal que uma dessas cartas fez.
Então, o nome querido do saudoso Dr. Guillon Ribeiro vem à tona. E Chico cita-nos o bem que lhe fizeram as cartas do bondoso e culto Espírito que, por muitos anos, a contento geral, foi o Presidente da Casa de Ismael. Citamos-lhe também os nossos casos, pois que os temos muitos, e graças outras obtidas pelas cartas do esclarecido autor do belo livro Nem Homem nem Deus, que melhor definiu a personalidade imácula do Divino Amigo. E concluímos: que esta era a sua especialidade através do que escrevia, mandar seu coração, todo bondade, seu espírito, todo Evangelho, aos lares dos irmãos amigos e até adversários. Ninguém as leria sem que se sentisse visitado por algo balsamizante, que esclarecia e emocionava.
Nesta altura, o Chico particulariza que atravessava uma fase dolorosa no seu mediunato. O Dr. Guillon Ribeiro soube, pois se correspondiam constantemente. E mandou-lhe uma carta que vive, com outras, no meio de seus papéis de estimação. Escreveu-lha, parece-me, com a pena do coração e a tinta do pranto, pois que, ao recebê-la, sentiu-se afagado, esclarecido, emocionado, finalmente, alegrado com a Tarefa árdua que realiza, em nome do Senhor.
E, por algum tempo, ficamos rememorando passagens outras das cartas do grande Irmão, tão modesto quanto bom, que escrevia seus artigos refertos de ensinamentos cristãos e não os assinava. Fazia o bem e escondia-se. E aí está, concluímos, porque busca nas missivas o melhor meio para anonimar-se, fazendo o bem, escrevendo as mais lindas e eruditas páginas sobre doutrina e deixando, nelas, um pouco de si mesmo, raios de luz de seu espírito. As flores do seu coração!
Que Jesus o abençoe!

Ramiro Gama

O homem dos vinte contos

Um amigo de Belo Horizonte disse, um dia, ao Chico:
—Tenho ido ao Centro Espírita Luiz Gonzaga, sempre que me é possível e, nas preces, tenho rogado a loteria.
E vendo a estranheza do Médium acentuou:
—Se eu ganhar, darei ao “Luiz Gonzaga” vinte contos.
Os dias correram e o homem ganhou a sorte grande.
Duzentos mil cruzeiros.
Quando isso aconteceu, sumiu de Pedro Leopoldo.
Se via o Chico por Belo Horizonte, evitava-lhe a presença.
—Imaginem! – costumava dizer na prosperidade crescente que o Céu lhe concedera – em minha ingenuidade, prometi uma dádiva a um Centro Espírita, se melhorasse de sorte! Quanta asneira falamos sem perceber!
Catorze anos rolaram e o homem da sorte grande morreu. Passados alguns dias, apareceu, em espírito, numa das sessões do Centro Espírita Luiz Gonzaga.
—Chico! Chico! – disse ao Médium, buscando abraçá-lo, – preciso pagar a minha dívida! Estou devendo vinte contos ao “Luiz Gonzaga” e vou trazer o dinheiro…
—Acalme-se, meu amigo, agora é tarde – respondeu o Médium, – o câmbio mudou para você. Não se preocupe. A sua fortuna está em outras mãos.
—Por que? Nada disso… O dinheiro é meu…
—Já foi, meu irmão! Você está desencarnado.
A entidade gritou, gritou e acabou perguntando em lágrimas:
—E, agora, que fazer?
Mas o Chico lhe respondeu:
—Esqueça-se da Terra, meu amigo. Nós todos somos devedores de Jesus. Paguemos a Jesus nossas contas e tudo estará bem.
Amparado pelos benfeitores espirituais da casa, o homem dos vinte contos, já desencarnado, retirou-se chorando.

Ramiro Gama

Receita para melhorar

HortelãEm julho de 1948, o nosso confrade Jacques Aboad, de passagem por Pedro Leopoldo, conversava, ao lado de outros confrades, em companhia do Chico, sobre os trabalhos de aperfeiçoamento da alma.
A conversação deu lugar à prece em conjunto.
E, manifestando-se, pelo Médium, José Grosso, dedicado e alegre companheiro desencarnado, dedicou aos presentes os seguintes apontamentos:

Dez gramas de juízo na cabeça.
Serenidade na mente.
Equilíbrio nos raciocínios
Elevação nos sentimentos.
Pureza nos olhos.
Vigilância nos ouvidos.
Lubrificante na cerviz.
Interruptor na língua.
Amor no coração.
Serviço útil e incessante nos braços,
Simplicidade no estômago.
Boa direção nos pés.
Uso diário em temperatura de boa vontade.

José Grosso

Supomos descobrir, neste curioso receituário, excelentes motivos para sorriso e meditação.

Ramiro Gama

Uma advertência e um ensino

O Chico, em certa noite de sessão pública, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, achava-se muito triste.
Um jornal atirara-lhe ao nome acusações descabidas.
A maledicência, crescera, abundante.
Casimiro Cunha, porém, aparece-lhe, sorri com bondade e escreve, tomando-lhe as mãos:

Homem com pressa no bem,
Cujo passo não recua,
Não consegue reparar
O cão que ladra na rua.

O Médium lê e sorri.
Consolado, retorna ao serviço da noite e segue para a frente.
E a quadra ficou valendo por um ensino, podendo ser encontrada no livro Gotas de Luz.

Ramiro Gama

Que seria da pedra sem o martelo?

SEMPRE O CHICO E EMMANUEL A NOS ENSINAR!...

Chico e EmmanuelNa sua profissão de serventuário público o Chico, certa vez, foi visitar um companheiro que residia a alguns quilômetros além de Pedro Leopoldo.
O companheiro, intempestivamente, o recebe com duas pedras na mão.
Xinga-o a valer.
E, quando o Chico tentava responder, delicadamente, Emmanuel intervém, dizendo-lhe:
—Não diga nada, exemplifique a própria fé, suportando-lhe a injustiça e os desabafos.
—Ele sofre do fígado, e há dias que vem sentindo cólicas hepáticas.
—Não revide a insultos e exacerbações. Ele precisa exteriorizar os venenos que lhe estão na alma e no corpo e você de limar-se, apurar-se e burilar-se, silenciando…
E com um sorriso doce, o bondoso Mentor rematou o assunto com esta pergunta:
—Ademais, que seria da pedra sem o martelo?

Ramiro Gama

Ouro e experiência

Ouro e experiênciaO Chico, em excursão com seu chefe de serviço, expondo aqui e ali apuradas amostras de gado, passou por Sabará e, dali, pelas Minas de Morro Velho.
Visitou-as por horas.
E deslumbrou-se com o que viu.
O trabalho afanoso e sacrificial da extração do ouro, sua busca, em cascalhos, no seio da terra, numa profundidade e distância incomensuráveis, causou-lhe assombro inopinado.
Observou um irmão idoso, calejado naquele serviço, ao qual dera toda sua existência, e perguntou-lhe:
— Amigo, o ouro é extraído com facilidade?
— Nada disso, moço. Em 40 toneladas de pedra, encontramos, às vezes, tão somente 100 a 200 gramas de ouro.
E Emmanuel, que tudo ouvia, comentou:
— Assim, Chico, sucede na vida. Precisamos, quase sempre, de 40 toneladas de aborrecimentos bem suportados para obtermos 100 a 200 gramas de conhecimentos e experiência…

Ramiro Gama

O hábito de fumar

O hábito de fumarUm irmão, que fumava 100 cigarros por dia, pediu um conselho ao Espírito de Emmanuel sobre o hábito pernicioso a que se entregava, e o Mentor espiritual atendeu-o, exclamando:
—Melhoremos a nós mesmos, meu filho.
Disse o consulente: eu desejava um conselho mais direto.
—Fume menos…
—Ora essa! O que desejo é uma resposta positiva.
Emmanuel, então, endereçou-lhe as seguintes palavras:
—Meu amigo, entre fumar e não fumar, é melhor não fumar. Entretanto, se você pretende fazer alguma coisa pior, continue fumando…

Ramiro Gama

A lição do prédio que se inclinou

Prédio que se inclinouA Imprensa Belo-horizontina noticiara, com alarde, que um prédio de 10 andares, depois de pronto e já com o habite-se, inclinara-se visivelmente.
Em redor, aglomeravam-se muitas pessoas curiosas, comentando o erro de cálculo do Engenheiro construtor.
O Chico por ali passava, vira o prédio interditado e ouvira as diversas críticas.
Emmanuel a seu lado, lhe diz:
—Veja e medite. Por um erro de cálculo perde-se um prédio de dez andares; também em nossa existência, por um erro, consequente da falta de oração e vigilância, inclinamos, tombamos, inutilizando muitos séculos de nosso edifício espiritual!…

Ramiro Gama

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