Ama sempre

Descerra teu coração à luz do grande amor, a fim de que as dores humanas encontrem contigo o bálsamo do entendimento e a fonte do perdão.
Situados uns à frente dos outros, no campo imenso da vida, é imprescindível reconhecer que todos possuímos dificuldades e inibições.
Se pretendes acompanhar o Mestre da Cruz compadece-te dos outros tanto quanto Ele se compadece de nós.
Através de todos os ângulos do caminho, Jesus não catalogou delinquentes incorrigíveis naqueles que se lhe apresentavam à visão, carregando arrependimentos e culpas, mas sim vítimas infortunadas do mal na rede do sofrimento exigindo socorro para se levantarem na dignificação de si mesma.
Onde estiveres, passa ajudando!…
Aos teus olhos esse irmão entregou-se ao vício, aquele se rendeu à sombra do crime, aquele outro desceu ao menosprezo de si próprio com que se faz credor de sarcasmo e desconsideração!… Entretanto, não sabes até que ponto terão resistido às sugestões das trevas e talvez jamais tiveram as oportunidades que te enriquecem os dias.
Lembra-te da Divina Misericórdia que te situou a existência nos braços maternais, olvidando-te o pretérito obscuro para que te restaures, e perdoa sempre aos companheiros necessitados de carinho e renascimento.
O pântano auxiliado converte-se em celeiro de pão.
Não acuses, nem critiques.
Ama sempre, para que o amor, o Cristo da Verdade, em se doando ao sacrifício supremo, se fez o divino renovador da Terra, transformando-se para nós todos em padrão de vida eterna e em modelo de luz.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1958
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Obediência

Não nos repugne o verbo obedecer.
Tudo o que constitui progresso e aperfeiçoamento guarda a ordem por base.
Não olvides que a disciplina principia no Céu.
As mais sublimes constelações atendem às lei de equilíbrio e movimento.
O Sol que nos sustenta a vida no mundo repete operações de ritmo, há numerosos milênios.
A Lua que clareava o caminho das mais remotas civilizações da Índia e do Egito efetua, ainda hoje, as mesmas tarefas, diante da Humanidade.
No campo da Natureza, a disciplina é alicerce de toda bênção.
Obedece ao solo.
Obedece a árvore.
Obedece a fonte.
Qualquer construção obedece ao plano do arquiteto que a idealiza.
E, no aconchego do lar, obedecem o piso anônimo, o vaso amigo e o pão que enriquece a mesa.
Na experiência física, a saúde é obra da disciplina celular.
Quando as unidades microscópicas da colmeia orgânica se desarvoram, rebeladas, encontramos os tormentos da enfermidade ou as sombras da morte.
Chamados a servir aos nossos semelhantes no Espiritismo Cristão, em favor de nós mesmos, saibamos cultivar a liberdade de obedecer para o bem, aprendendo e ajudando sempre.
Jamais nos esqueçamos de que Jesus se fez o Mestre Divino e o Soberano das Almas, não somente porque tenha vindo ao mundo, consagrado pelos cânticos das Legiões Celestes, mas também por haver transformado a própria vida, em Seu Apostolado de Amor, num cântico de humildade, obedecendo constantemente a Vontade de Deus.

Scheilla
Psicografia de Chico Xavier, em 1.6.1957
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

O capital dos minutos

Amanho da terraNo amanho da terra, em toda parte, surge a erva daninha.
Aqui, chama-se tiririca, além é joio imprestável, mais adiante guarda o nome de escalracho destruidor.
No fundo, é sempre mato inculto, impedindo a germinação da boa semente e consumindo a vitalidade do solo.
Extensos tratos de gleba proveitosa permanecem dominados por essa relva improdutiva e renascente, onde tanta árvore generosa poderia crescer e produzir para a alegria e segurança de todos.
Referimo-nos a esse elemento invasor para lembrar o vosso valioso capital dos minutos.
Quanta felicidade poderá plantar com a bênção de meia hora? Quanto estudo nobre investir-nos-á na posse de elevados conhecimentos com apenas alguns instantes de leitura e reflexão?
Dez minutos na conversação digna ou na visita confortadora podem operar a renovação de muitos destinos. Um quarto de hora na assistência aos enfermos ou no trabalho gratuito em favor do próximo consegue prodígios na vitória do bem.
Entretanto, contra a plantação de semelhantes recursos nas leiras do tempo, encontramos a tiririca da maledicência, o joio do azedume verbal e o escalracho das críticas ociosas fantasiadas de interesse pela salvação apressada dos outros…
No fundo, porém, é sempre a conversa inútil que aniquila as mais nobres oportunidades de serviços e progresso.
Não olvidemos o capital dos minutos, – a riqueza capaz de comprar-nos a sublimação para a vida eterna, se atendermos à edificação da verdadeira fraternidade.
E com os talentos do amor e da fé, procuremos servir sem repouso, recordando a afirmação do Mestre Divino:
– “Meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também”.

Scheilla
Psicografia de Chico Xavier, em 4.3.1957
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Pão, Ouro e Amor

ScheillaAquele diz: - “Isto é meu”.
Outro afirma: - “Guardo o que me pertence”.
Entretanto, só Deus é o legítimo Senhor de Tudo.
Rejubilas-te com a nutrição…
Contudo foi Ele quem promoveu a sustentação da semente para que a semente, convertida em pão, te assegure o equilíbrio.
Orgulhas-te do dinheiro que te garante a aquisição das utilidades imprescindíveis à segurança e ao conforto…
No entanto, foi Ele, quem te angariou indiretamente os recursos precisos para que te não faltassem saúde e raciocínio, disposição e inteligência na tarefa em que te sorri a fortuna.
Regozijas-te com o lar…
Todavia, foi Ele quem te situou nos braços maternais que te acalentaram os vagidos primeiros, aproximando-te dos afetos que te enriquecem os dias…
Lembra-te de Deus, o Todo Misericordioso que nos confia os tesouros da existência, a fim de que aprendamos a buscar-lhe o Paterno Seio…
E reparte com teu irmão do caminho os talentos que Ele te empresta, na certeza de que somente ao preço da fraternidade infatigável e pura, subirás para a Glória Divina, em que Deus te reserva a imortalidade da vida, entre as fulgurações da Sabedoria Imperecível e as bênçãos do Amor Eterno.

Scheilla
Psicografia de Chico Xavier, em 5.1.1957
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Não te entregues a dor

Chico Xavier e EmmanuelSe a dor te visita o coração, improvisando tempestades de lágrimas em teu campo interior, não te confies ao incêndio do desespero, nem ao gelo da lamentação.
Recorda o tesouro do tempo, retira-te da amargura que te ocupa, indebitamente, e trabalha servindo. O trabalho é um refúgio contra as aflições que dominam a alma. O serviço aos semelhantes gera valoroso otimismo.
Se a incompreensão te impôs férrea grade ao espírito, através da qual ninguém, por agora, te identifica o ideal ou os propósitos elevados não te demores acariciando o fel da revolta.
Lembra o favor sublime do tempo, trabalha e serve. O trabalho acrescenta as energias. O serviço a todos revela divina sementeira.
Se a calúnia chegou ao teu círculo, estendendo sombras tenebrosas, não te afundes no lago fervente do pranto, nem te embrenhes na selva do sofrimento inútil.
Reflete na bênção das horas, trabalha e serve. O trabalho reconforta. O serviço aos outros anula os detritos do mal.
Se erraste, instalando escuro remorso no centro do próprio ser, não te cristalizes na inércia e nem te enlouqueças, soluçando e gemendo em vão.
Medita na glória dos minutos, trabalha e serve. O trabalho reajusta as forças do espírito. O serviço ao próximo reconquista o respeito e a serenidade perante a vida.
Se a enfermidade e a morte varrem-te a casa, não te relegues ao acabrunhamento, qual se foras um punhado de lixo.
Pensa na dádiva dos dias, trabalha e serve. O trabalho é uma esponja bendita sobre as mágoas do mundo. O serviço no bem de todos é um milagre renovador.
Na luta e na tranquilidade, no sofrimento e na alegria, na tristeza ou na esperança, segue agindo e auxiliando.
Trabalhar é produzir transformação, oportunidade e movimento. Servir é criar simpatia, fraternidade e luz.

Emmanuel, psicografia de Chico Xavier

Que fazes - que produzes?

A vida nunca deixará sem contas o tempo que nos empresta.
A fonte oculta no campo desamparado é uma bênção para o chão ressequido.
A árvore é doadora constante de utilidades e benefícios.
A cova minúscula é berço da sementeira.
A erva tênue faz a provisão do celeiro.
A abelha pequenina fabrica mel que alivia o doente.
O barro humilde, ao calor da cerâmica, se transforma em sustentáculo da habitação.
Nos estábulos e nos redis, há milhões de vidas inferiores, extinguindo-se em dádivas permanentes ao conforto da Humanidade, produzindo leite e lã para que povos inteiros se alimentem, se agasalham e desenvolvem.
E nós, que desfrutamos a riqueza do tempo, que fazemos da sublime oportunidade de criar o bem?
Ainda que fujamos para os derradeiros ângulos do Planeta, um dia chegará em que a Verdade Divina se dirigirá a nós outros, indagando:
– Que produzes? Que fazes da saúde, do corpo, da inteligência, dos recursos variados que a vida te deu?
Lembremo-nos de que na própria crucificação, o Mestre Divino produziu a Ressurreição por mensagem de imortalidade ao mundo de todos os séculos.
Não te esqueças, meu amigo, de que a felicidade é uma equação de rendimento ao esforço da criatura, na imprevisão do bem e na extensão dele e não olvides que, provavelmente, não vem longe o minuto em que prestarás contas de teu aproveitamento nas bênçãos de trabalho e paz, alegria e luz, que vens atravessando na condição de usufrutuário da Terra.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1957
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

A Criança

Levantará o homem o próprio ninho à plena altura, estagiando no tope dos gigantescos edifícios de cimento armado…
Escalará o fastigio da ciência, povoando o espaço de ondas múltiplas, incessantemente convertidas em mensagens de som e cor.
Voará em palácios aéreos, cruzando os céus com a rapidez do raio…
Elevar-se-á sobre torres poderosas, estudando a natureza e movimento dos astros…
Erguer-se-á, vitorioso, ao cimo da cultura intelectual, especulando sobre a essência do Universo…
Entretanto, se não descer, repleto de amor, para auxiliar a criança, no chão do mundo, debalde esperará pela humanidade melhor.
Na infância surge renovado o germe da perfeição, tanto quanto na alvorada recomeça o fulgor do dia.
Estende os braços generosos e ampara os pequeninos que te rodeiam.
Livra-os, hoje, da ignorância e da penúria, da preguiça e da crueldade, para que amanhã saibam livrar-se do crime e do sofrimento.
Filha de tua carne ou rebento do lar alheio, cada criança é vida de tua vida.
Aprende a descer para ajudá-la, como Jesus desceu até nós para redimir-nos.
Sem a recuperação da infância para a glória do bem, todo o progresso humano continuará oscilando nos espinheiros da ilusão e do mal.
Não duvides que, ao pé de cada berço, Deus nos permite encontrar o próprio futuro. De nós depende fazê-lo trilho perigoso para a descida à sombra ou estrada sublime para ascensão à luz.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 22.09.1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Pelas Mãos do Tempo

O ciclo anual no infinito do tempo é, de algum modo, semelhante à existência no infinito da vida.
Na primavera temos a infância e a juventude, coloridas de suaves promessas.
No verão, encontramos a plenitude orgânica, repleta de energia.
No outono, vemos a madureza, tocada de experiência.
No inverno, sentimos a presença da noite fria e obscura, precedendo a alvorada nova.
Se te empenhas no aproveitamento do corpo terrestre como instrumento necessário à formação do futuro, reflete na bênção do dia e vale-te dela na própria renovação.
Para esse fim, não te despreocupes da mente, para que a criação, o trabalho e a vigilância te inspirem a caminhada na construção do porvir, que desejas entretecido de paz e luz.
Assume com a própria consciência, o compromisso da redenção de ti mesmo e resgata-o, com o respeito dentro do qual sabes solver no mundo a promissória bancária que te desafia a responsabilidade e envolve o nome.
Lembra-te das horas que escoam implacáveis e afeiçoa-te ao cumprimento do dever como sendo o culto da própria felicidade.
Observa o microcosmo em que a Lei Divina te situa temporariamente, no aprendizado salvador…
A família consanguínea, a casa de trabalho, a autoridade humana a que te subordinas; o templo de tua fé, o grupo dos amigos e dos desafetos e o caminho das obrigações inelutáveis, a se revelarem de hora a hora…
Repara o tesouro das oportunidades de serviço e faze dele abençoada escola de preparação espiritual, ante a imortalidade que te espera…
Exercita a bondade e enriquece-te de conhecimentos superiores; auxiliando aos que te rodeiam em cada instante de hoje que te foge ao olhar e, da estação em que estiveres, partirás pelas mãos do tempo, em demanda da sabedoria e do amor que te aguardam o coração, no Grande Amanhã, ao esplendor do Sol Inextinguível.


Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Fermento Verbal

Aprendamos a sentir com amor, a fim de que venhamos a pensar com justiça e a falar para o bem.
O próprio Testamento Divino assegura que no “no princípio era verbo”.
Depois do amor e da justiça do Criador, apareceu a expressão verbal como fermento vivo da Criação.
Em todos os avisos da caridade não nos esqueçamos da boa palavra que socorre e ilumina sempre.
Para usá-la com segurança, não é preciso assumas posição compulsória de santidade, transformando a frase em látego de chamas sobre os enganos que ainda entenebrecem o roteiro do próximo.
Basta que a tua diligência no bem se faça incessante.
À frente do comentário calunioso, lembra alguma virtude da criatura visada pela chuva injustificável de lodo e lama.
Perante as anotações do desânimo, fala acerca das esperanças do Céu que ainda não apagou o sol com que nos clareia o caminho.
Diante da delinquência, recorda a Misericórdia Celestial que a todos nos provê de recursos para o pagamento das próprias faltas.
Ante a irritação e a crítica, não pronuncies o venenoso apontamento que dilacera à distância, mas sim procura algum fato ou alguma lição em que a pessoa reprovada encontre alívio e consolo.
Sobretudo, auxilia aos ausentes que não podem cogitar da própria defesa.
Lembra-te de que todo aquele que hoje desaprova os outros contigo, amanhã te desaprovará também diante dos outros.Guarda-te contra a insinuação maledicente que supõe encontrar serpente e lagarto, pedra e espinho no roteiro dos semelhantes e, procurando o bem sem desfalecer, através da boa palavra constante, atingirás o rio abençoado da simpatia, em cuja corrente límpida alcançarás o porto da paz, com a vitória de tuas esperanças mais belas, então convertidas em verdadeira felicidade na Vida Superior.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Se Semeias

SemeadorSe semeares com amor, não te espante a terra eriçada de espinhos…
Que seria da lavoura sem o arado firme e prestimoso, que opera a renovação? Que seria da vida, sem a persistência da boa vontade?
Ergue-te cedo, cada dia, e espalha os grãos do entendimento e do serviço.
Provavelmente, surgirá, cada hora, mil surpresas inquietantes.
As ruínas consequentes do temporal, o bote de serpe oculta, os seixos pontiagudos da estrada, a soturna visão do pântano, a guerra sem tréguas contra os animálculos daninhos, os calos dolorosos das mãos e dos pés, a expectativa torturante, são o que vive em sua luta o semeador que se decide a trabalhar…
Recompensa? Não guardes a remuneração da Terra.
O mundo está repleto de bocas famintas que devoram o pão, sem cogitar dos sacrifícios ou das lágrimas que lhe deram origem.
Enquanto peregrinares entre os homens, o teu prêmio virá do perfume das flores, da luminosa vestidura da paisagem ou do caricioso beijo do vento.
Se semeias com amor, não indagues de causas.
Consagra-te ao esforço do bem, para que o solo se renove e produza.
Compadece-te da terra sem água, não desampares o deserto.
Não te irrita o charco.
Ajuda sempre.
A felicidade vem do amor, o progresso vem da cooperação.
A lavoura do espírito é semelhante ao amanho do campo.
Auxilia sem cessar…
Se semeias com amor, jamais desanimes, porque se é teu o trabalho do plantio, a semente, o crescimento e a frutificação pertencem ao Divino Semeador, que nunca se cansa de semear.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1958
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

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