Quem escreve

Foto: CARMEN CINIRA,POETISA

Quem escreveUm grupo de amigos de Belo Horizonte conversava, em Pedro Leopoldo, sobre as responsabilidades da palavra escrita, comentando a leviandade de muita gente que usa o lápis e a pena no campo da maldade e da calúnia…
Daí a instantes, quando os nossos confrades entraram em oração, junto do Chico, aparece o Espírito da Poetisa Cármen Cinira, endereçando-lhes a seguinte Mensagem:

Quem escreve no mundo
É como quem semeia
Sobre o solo fecundo…
A inteligência brilha sempre cheia
De possibilidades infinitas.
Planta
Uma ideia qualquer onde te agitas,
Semeia essa ideia pecadora ou santa,
E vê-la-ás a todos extensiva,
Multiplicar-se milagrosa e viva.
Sem tanger as feridas e as arestas,
Conduze com cuidado
A pena pequenina em que te manifestas!
Foge à volúpia das maldades nuas,
Não condenes, não firas, não destruas,
Porque o verbo falado
Muitas vezes é disperso
Pelo vento que flui da Fonte do Universo.
Mas a palavra escrita
Guarda a força infinita,
Que traz resposta a toda a sementeira,
Em frutos de beleza e de alegria
Ou de mágoa sombria,
Para os caminhos de uma vida inteira…

Cármen Cinira, poetisa

Bondade para com todos

C.E. Luiz GonzagaVários materialistas chegaram a Pedro Leopoldo, para assistir à sessão pública do Centro Espírita Luiz Gonzaga, numa noite de sexta-feira.
E, desrespeitosos, começaram por dizer que não acreditavam na Doutrina do Espiritismo e que a mediunidade era pura mistificação quando não fosse simplesmente loucura…
Ainda assim, queriam ver os trabalhos do Chico.
O Médium, em concentração, perguntou a Emmanuel:
—O senhor não julga melhor convidarmos esses homens à retirada? Afinal de contas, não admitem nem mesmo a existência de Deus…
—Não pense nisso, – exclamou o orientador – são nossos irmãos. Precisamos recebê-los com bondade e ser-lhes úteis, tanto quanto nos seja possível.
—Mas, – ponderou o Chico – Jesus recomendou-nos não atirar pérolas aos porcos.
—Sim – disse Emmanuel com serenidade e compreensão – o Mestre determinou que não devemos atirar pérolas aos porcos, todavia não nos proibiu de oferecer-lhes a alimentação compatível com as necessidades que lhes são próprias…
Procuremos ajudar a todos e o senhor fará por nós todos o que seja acertado e justo.
E o Médium, emocionado, guardou a formosa lição.

Ramiro Gama

Uma lição sobre a fé

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Nosso Senhor Jesus CristoUm simpatizante do Espiritismo, residente em Santos, Estado de São Paulo, veio a Pedro Leopoldo, asseverando desejar conhecer o Chico para melhor acertar os seus problemas de fé.
O Médium, no entanto, empregado de uma repartição, não dispõe do tempo como deseja e, por determinação de sua Chefia, estava ausente de casa.
O visitante insistiu, insistiu.
E como não podia deter-se por muitos dias, regressou a penates, dizendo a vários amigos:
—Duvido muito da mediunidade. Imaginem meu caso com o Chico Xavier. Viajo para Pedro Leopoldo com sacrifício de tempo e dinheiro. Chego à cidade e informam-me, sem mais aquela, que o Médium estava ausente. Perdi minha fé, pois tenho a ideia de que tudo seja simples fraude e estou convencido de que o Chico se esconde para melhor sustentar a mistificação.
Um dos companheiros de ideal escreve, aflito, ao Chico, relatando-lhe a ocorrência.
Não seria aconselhável procurar o queixoso e atendê-lo?
O pobre homem parecia haver perdido a confiança no Espiritismo.
O Médium, muito preocupado pede o parecer de Emmanuel e o devotado orientador responde-lhe, com serena precisão:
—Deixe este caso para trás. Se a fé desse homem for erguida sobre você é melhor que ele a perca desde já, porque nós todos somos criaturas falíveis. A fé para ele e para nós deve ser construída em Jesus, porque somente confiando em Jesus e imitando-lhe os exemplos, é que poderemos seguir para Deus.

Ramiro Gama

Na defesa do verme

Um confrade entusiasta elogiava o Chico à queima-roupa, ao fim de movimentada sessão pública, e o Médium desapontado, exclamou:
— Não me elogie desta maneira. Isso é desconcertante. Não passo de um verme neste mundo.

Chico e EmmanuelEmmanuel, junto dele, ouvindo a afirmação, falou-lhe paternal:
— O verme é um excelente funcionário da Lei, preparando o êxito da sementeira pelo trabalho constante no solo e funciona, ativo, na transmutação dos detritos da terra, com extrema fidelidade ao papel de humilde e valioso servidor da natureza… Não insulte o verme, comparando-se a ele, por que muito nos cabe ainda aprender para sermos fiéis a Deus, na posição evolutiva que já conseguimos alcançar…
O Médium transmitiu aos circunstantes o ensinamento que recebeu, ensinamento esse que tem sido igualmente assunto de interesse em nossas meditações.

Ramiro Gama

Dom Negrito

Dom NegritoEste é o nome de um cãozinho preto, luzidio, simpático, para não dizermos espiritualizado que, recente e espontaneamente, aparece as sessões públicas do Centro Espírita Luiz Gonzaga: chega, vagarosa e respeitosamente, dirige-se para o canto em que está o Chico e ali fica, como em estado de concentração e prece, até ao fim dos trabalhos.
A dona do Dom Negrito encontrou-se com Chico e lhe disse:
— Imagine Chico, que o Negrito, às segundas e sextas-feiras, desaparece das 20 às 2 horas da madrugada. E, agora há pouco, é que soube para onde vai: às sessões do “Luiz Gonzaga”.
Isto tem graça? Ele, que é um cão, consegue vencer os obstáculos e procurar os bons ambientes e eu, que sou sua dona, por mais que me esforce, nada consigo…
E o Chico, como sempre útil e bom, a consola:
— Isto tem graça e é uma bela lição. Mas, não fique desanimada por isto; Dom Negrito vem buscar e leva um pouquinho para sua dona e um dia há de trazê-la aqui. Jesus há de ajudar…
Que os tempos estão chegados é uma verdade. Até os cães estão dando lições e empurrões nos seus donos, encaminhando-os com seus testemunhos, à Vereda da Verdade, por meio do Espiritismo, que esclarece, medica, consola e salva.

Ramiro Gama

Uma pergunta da Terra e uma resposta do Céu

Bezerra de MenezesO nosso caro irmão Flávio de Souza Pereira andava apreensivo com relação às visitas que fazia aos irmãos enfermos, portadores de moléstias contagiosas, como a lepra e a tuberculose, visto que vivia sempre recebendo de parentes e amigos menos crentes constantes advertências:
— Olhe lá, cuidado senão você acabará também com a moléstia…
Indo a Pedro Leopoldo, não se conteve e, na sessão a que assistira, com sincera atitude de crente, fez a pergunta:
— Diante da necessidade de assistência direta a um irmão nosso em humanidade, portador de uma moléstia contagiosa como a tuberculose, a lepra, etc., como devemos proceder?
E Chico recebeu do caroável Bezerra de Menezes a seguinte e expressiva resposta:
— Cremos que a higiene não deve funcionar em vão, por isso mesmo, não vemos nenhum motivo de ausência do nosso esforço fraterno, quanto aos nossos irmãos enfermos, a pretexto de preservarmos a nossa saúde, de vez que, também de nós mesmos, temos ainda pesados débitos para resgatar. Evitar o abuso é dever, mas acima de quaisquer impulsos de autodefesa em nossa vida, prevalece a caridade, com seu mandamento de amor, sacrifício e luz.

Ramiro Gama

Olhando as pessoas leio os seus nomes

Chico e casal amigoVisitamos o simpático casal Lauro e Dayse Pastor Almeida.
Ambos admiram o Chico com bastante sinceridade. Sabem alguns casos lindos do Médium e, por isto, fomos visitá-los.
Dona Dayse conta-nos o que lhes sucedeu ao verem o Chico pela primeira vez, quando visitavam Belo Horizonte:
— Tínhamos uma vontade imensa de conhecê-lo. Mas achamos isto tão impossível que nada tentamos para ir a Pedro Leopoldo. Mas, uma noite, às vésperas de regressarmos ao Rio, quando Lauro Pastor acabara sua conferência, finalizando a Semana do Livro Espírita, é que vimos o grande Médium sentado junto aos que compunham a mesa da magnânima sessão.
Quando tudo terminou, espontaneamente, vem ao nosso encontro o Chico, numa atitude tão simples e tão fraterna, como se nos conhecesse há anos. Olha para mim e pronuncia meu nome: Dona Dayse.
Delicadamente corrijo-lhe a pronúncia, verificando que nada sabe de inglês. E ele, natural e humildemente, justifica-se:
— É que estou lendo seu nome como ele é escrito.
Mais tarde, verificamos que, de fato, olhando às pessoas, lê seus nomes…
Na sessão do Centro Espírita Luiz Gonzaga chegam irmãos que passaram anos sem vê-lo e ele, Chico, lhes pronuncia os nomes, particulariza casos, como aconteceu com o Cadete Ulisseia, a quem viu só uma vez. Decorridos três anos, quando o viu entre muitos, citou-lhe o nome, o que surpreendeu e encantou o jovem militar espírita. Agradecidos ao querido casal pela dádiva que nos deu, escrevemos-lhe no álbum, na saída:

Com Jesus e por Jesus
Entramos na sua casa,
Sentindo que nos abrasa
Sua Paz interior.
Ave Cristo, bendizemos.
Dizendo de coração:
Que vivam nesta Oração
A Tarefa do Senhor.

Ramiro Gama

O lavrador e a enxada

FAZENDA MODELO, EM PEDRO LEOPOLDO, ONDE CHICO TRABALHOU 20 ANOS

Fazenda Modelo, Pedro LeopoldoChico Xavier trabalhou durante vinte anos, na Fazenda de Criação do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo.
Certa manhã, caminhava para o trabalho, atravessando largo trecho de campo no rumo do escritório, meditando sobre os trabalhos mediúnicos a que se confiava.
As exigências eram sempre muitas. Como agir para equilibrar-se na tarefa? Surgiam doentes, pedindo socorro…
Aflitos rogavam consolação. Curiosos reclamavam esclarecimentos… Ateus insistiam pela obtenção de fé.
Os problemas eram tantos! Quando curvava a cabeça, desanimado, aparece-lhe Emmanuel e aponta-lhe um quadro a pequena distância. Era um lavrador ativo, manejando uma enxada ao sol nascente.
— Reparou? – disse ele ao Médium – guiada pelo cultivador, a enxada apenas procura servir. Não pergunta se o terreno é seco ou pantanoso, se vai tocar o lodo ou ferir-se entre as pedras…
Não indaga, se vai cooperar em sementeira de flores, batatas, milho ou feijão… Obedece ao lavrador e ajuda sempre. Logo após, fez uma pausa, e considerou:
— Nós somos a enxada nas mãos de Jesus, o Divino Semeador. Aprendamos a servir sem indagar. Chico, tocado pelo ensinamento, experimentou iluminada renovação interior, e disse: — É verdade! O desânimo é um veneno…
— Sim, – concluiu o orientador – a enxada que foge à glória do trabalho, cai na tragédia da ferrugem. Essa é a Lei. O benfeitor despediu-se e o Médium abraçou o trabalho, naquele dia, de coração feliz e a alma nova.

Ramiro Gama

As aparências enganam

Foto: TARDE DE AUTÓGRAFOS IV, 28.01.64

As aparências enganamAlguns companheiros conversavam furiosamente, em Pedro Leopoldo, sobre certo político.
A coisa devia ser assim.
Devia ser de certo modo.
O homem era a perversidade em pessoa.
Prometera isso e fizera aquilo.
Um dos irmãos dirigiu-se ao Médium e perguntou:
—Que diz você, Chico? Temos alguma referência dos Amigos Espirituais sobre o caso?
O interpelado pretendia responder, mas no justo momento, em que ia emitir a sua opinião, ouviu a voz de Emmanuel sussurrar-lhe, segura, aos ouvidos:
—Cale a sua boca. Você nada tem a ver com isso.
O Médium ruborizou-se e o grupo em torno verificou que o Chico não conseguia responder, apesar do desejo de externar-se.
Alguém ponderou que ele deveria estar mal e rodearam-no, em oração, dando-lhe passes.
A reunião dispersou-se.
Não foram poucos os que, estranhando o caso, afirmaram em surdina que o Chico parecia francamente um pobre obsedado.
Mas o fato é que a sombra da maledicência não lhe penetrou o espírito e nem lhe prejudicou, por isto, o clima de elevação, fruto de jejum e oração, em que deve viver, em que vive.
Caso digno de ser seguido por todos que zelam pela vitória de seu dia, policiando o que lhes sai dos lábios…

Ramiro Gama

Aviso oportuno

CHICO E O PROF. H.N.BANERJEE

Aviso oportunoUm grupo de irmãos, reunidos em estudos doutrinários, solicitou de Emmanuel um conselho sobre o melhor modo de evitar a conversação viciosa e inútil.
E o Amigo espiritual respondeu por intermédio do Chico:
—Vocês observem qual é o rendimento espiritual da palestração. Quando tiverem gasto quarenta a sessenta minutos de palavras em assuntos que não digam respeito à nossa própria edificação espiritual, através de nossa melhoria pelo estudo ou de nossa regeneração pessoal com Jesus, façam silêncio, procurando algum serviço porque, pela conversação impensada, a sombra interfere em nosso prejuízo, arrojando-nos facilmente à calúnia e à maledicência.
Estendemos aos nossos leitores este aviso oportuno.

Ramiro Gama

Conteúdo sindicalizado