Humilde ou sem vergonha?

O Chico, num momento de distração, em que se sentia fisicamente desgastado, pois já havia atendido cerca de 80 casos, cada qual mais doloroso, como sucede diariamente, foi procurado por um irmão que o caceteou por mais de duas horas. O boníssimo Médium sentia-se experimentado em demasia. Tratava-se de um desses casos para o qual o saudoso Dr. Bezerra receitara prisão em vez de oração, por se tratar de espíritos abusadores. E, num momento de descuido, deixou o importuno irmão falando sozinho, dizendo-lhe: não me amole e até logo. Isto foi o bastante para criar um desafeto que passou, daí em diante, a não corresponder ao seu cumprimento.
O Chico sentiu o caso. Nunca fizera desafetos. Possuía, como possui, a sua estrada livre, sem inimigos. E procurou resolvê-lo cristãmente. E, numa tarde, pondo a vergonha de lado e vestindo-se de bastante humildade, procurou o inimigo. E esse, atendendo ao Chico e à sua justificativa, saiu-se com esta: Chico, você me procura por ser humilde ou sem vergonha?
—Por ser sem vergonha…
—Ah! Então aceito o seu gesto de amizade, porque vejo que você é mesmo sincero. E tornaram-se, de novo, bons amigos.

Ramiro Gama

Professora Rosália Laranjeiras

AmanhecerA prezada irmã Naná, proprietária do Hotel Diniz, porto seguro de descanso e fraternidade para os espiritistas que chegam a Pedro Leopoldo, visto que nele ela mantém, com sua boa conversa e seu espírito evangelizado um clima de paz e boa vizinhança, contou-nos o seguinte:
D. Rosália Laranjeiras morreu no ano passado em Belo Horizonte. Era uma boa criatura, muito abnegada, sincera e serviçal. Foi a primeira e única Professora do Chico no Grupo Escolar desta localidade. Foi ela quem descobriu a mediunidade notável de nosso bondoso Francisco Cândido Xavier.
Fazia convescotes, passeios campestres com os alunos, uma vez por semana, possibilitando-lhes sentirem a natureza, traduzirem-lhe a mensagem de amor, viverem um dia de primavera. No dia seguinte, no entanto, teriam de dar-lhe por escrito, a impressão do passeio. O Chico, nas descrições, tirava sempre o primeiro lugar. Era dele a composição melhor. E isto foi chamando a atenção de todos e dela mesmo. Não era possível. O Chico deveria ter décor o que escrevia porque excedia e muito o que aprendera. E assim pensando, preparou-lhe uma armadilha.
Realizou um passeio mais cedo e na volta encaminhou todos os alunos para o Grupo Escolar.
Desejava ali, naquele mesmo dia, a impressão. Distribuiu-lhes o papel e esperou. No julgamento, o Chico tirou, de novo, o primeiro lugar: escrevendo uma verdadeira página literária sobre o amanhecer e daí tirando conclusões evangélicas. Dona Rosália mandou os alunos para casa e foi mostrar aos seus amigos íntimos a composição do Chico e todos foram acordes em reconhecer que aquilo ou fora copiado ou, então, era dos espíritos. Cheirava mediunidade. E, desta forma, o querido Médium ficou sob observação e sendo o assunto do dia como até hoje ele o é.
Depois, alguém apareceu na sua estrada. As primeiras sessões foram feitas, O Parnaso de Além-Túmulo foi iniciado. A Fonte começou a jorrar e tornou-se, com o tempo, por graças de Deus, uma corrente de água pura, maravilhando-nos e dessedentando-nos. Que o Divino Mestre dê hoje e sempre bastante Luz, Força, Paz e Proteção ao seu verdadeiro servidor que lhe exemplifica o Apostolado e nos mostra, como modelo, como devemos servi-lo.

Ramiro Gama

As cartas do Dr. Guillon Ribeiro II

As cartas do Dr. Guillon Ribeiro IINosso distinto confrade Thomas Menezes, estimado Espírita da cidade de Petrópolis, onde dirige, com segurança, o Centro Espírita Bezerra de Menezes, compareceu à nossa residência especialmente para louvar os Lindos Casos de Chico Xavier que, ao seu dizer, lhe confortavam muito, e para nos mostrar, dentre outras, uma carta do Dr. Guillon Ribeiro, que transcrevemos abaixo, como testemunho do que afirmamos: que esse nosso saudoso irmão, através de suas cartas, evangelizou muitos corações e resolveu casos dolorosos de muitos irmãos. Nosso caro irmão Thomas Menezes, em 1933, atravessava uma situação difícil, como se compreenderá da resposta que recebeu. Pôs em prática os conselhos recebidos e conseguiu solucionar sua situação.
E, hoje, decorridos 26 anos, pode afirmar que Jesus, por intermédio do Dr. Guillon Ribeiro, o ajudou, e lhe deu o remédio de que precisava. Leiamos, pois, a carta, com atenção e carinho, tanto mais que revela lições importantes e que se atualizam com os nossos dias:

Rio, 31 de janeiro de 1933
Prezado irmão Thomas Menezes.
Paz em Nosso Senhor Jesus Cristo.
Recebi sua estimada carta de 14 do corrente e vivamente me penalizaram as rudes provas por que tem passado pessoalmente, bem como os demais membros da sua família, provas de que nela me informa e que culminaram em ficar o seu irmão Eugênio com as faculdades mentais perturbadas.
Não sei se o amigo conhece alguma coisa da Doutrina Espírita. Como quer que seja, procure conhecê-la bem, porque só ela explica racionalmente essas e todas as outras vicissitudes de ser das dores e dos sofrimentos que lhe são peculiares, em face da justiça, da misericórdia e do amor infinito de Deus, nosso Criador e Pai. Só ela nos dá a conhecer o que é a existência corpórea, em seu verdadeiro significado, o que representa, como fator do progresso de nossos Espíritos, objetivando a realização do destino único para que ele nos criou a todos – a suprema felicidade, que alcançaremos quando chegarmos à perfeição moral. Ainda mais: só por ela conhecerá todo o valor da prece e aprenderá a valer-se desta, para atrair o amparo, a assistência, e o auxílio dos bons Espíritos que, como mensageiros do Senhor, são os distribuidores das esmolas do seu coração boníssimo.
Digo-lhe isto porque na prece feita de coração, com fervor e humildade, é que o amigo e os que o rodeiam encontrarão o conforto de que necessitam, o bálsamo para as feridas que se lhes tem aberto na alma e as energias morais indispensáveis a enfrentarem com paciência, resignação e humildade as provações que ainda lhes estejam reservadas, certos de que, se Deus, que é bom, que é infinitamente bom, permite que as soframos, Ele a cuja revelia não cai um só fio de cabelo das nossas cabeças, é que elas são úteis e necessárias aos nossos Espíritos, a fim de que estes sejam o que devem ser, correspondendo aos seus desígnios, isto é, verdadeiros filhos seus, pela observância da lei suprema, que enfeixa em si todas as leis emanadas da sua onisciência, a que nos prescreve amá-lo acima de todas as coisas, amando ao próximo como a nós mesmos, perdoando a todos e sempre para sermos perdoados de nossos erros, culpas, faltas e crimes, oriundos todos do orgulho e do egoísmo, que são os nossos maiores inimigos. Fazendo-nos ter olhos de ver somente as coisas da vida material, em detrimento da vida espiritual, que é a verdadeira vida, o orgulho e o egoísmo são a causa principal das nossas decepções, aflições e amarguras. E a força nos faltará sempre para combatê-los, para deixarmos de ser escravos, para deixarmos de ser, pelo ascendente deles, filhos do pecado e nos tornamos filhos de Deus pela posse das virtudes que lhe são opostas, se não recorrermos continuamente à prece, entendendo-a no seu verdadeiro significado e fazendo-a, não de lábios apenas, mas com verdadeiro sentimento cristão. Ponha em prática estes conselhos e verá como a alegria sã voltará ao seu Espírito e dos que lhe são caros.
Quanto ao seu irmão Eugênio, o Espírito amigo a quem consultei sobre ele, respondeu o seguinte:
“Alma sem a força da fé, não resistiu à prova. Só um trabalho espiritual, feito com a unção do sentimento da caridade, e com absoluta confiança em Deus, poderá curá-la. Mas, para isso, é indispensável que ele esteja num meio afetuoso e calmo, sem o que não haverá possibilidade de bom êxito. Lá onde se acha não melhorará, ao contrário, piorará cada vez mais.
Para os membros da sua família, imploro a Deus coragem e resignação nas suas provas.
A isso, nada me resta acrescentar, depois do que acima deixei dito.
O que lhe posso afirmar é que a Jesus e a nossa Mãe Santíssima rogarei com fervor o bálsamo do amor e da misericórdia de seus corações amantíssimos, para o amigo e para todos os membros da sua família.
Paz, humildade e fé.
Fraternas e cordiais saudações do irmão e amigo

Guillon Ribeiro

Perdoar e esquecer

Foto:CHICO E AUGUSTO C. VANUCCI, EM 1981

Chico e Augusto C. VanucciAlguém já disse que a falta de perdão e de esquecimento de injúrias tem sido a causa de muito fracasso nas provas de todos nós.
Muitos irmãos perdoam, dizem, mas não esquecem as ofensas recebidas. Não sabem ou não podem esquecer. Por mais que façam por onde, a ofensa, a ingratidão, a injustiça, que ferem e magoam, não saem de suas mentes e de seus corações.
Conversamos assim, em Pedro Leopoldo, com alguns confrades, após havermos participado da sessão do Luiz Gonzaga, que fora como sempre tão instrutiva. Nela, diante de uma assistência quantiosa caiu, por sorte, a lição evangélica: O Perdão e o esquecimento das ofensas, que foi comentado pelos irmãos que tomaram parte na mesa.
Em caminho para a casa do caro Irmão André, o Chico, que ouvira a nossa conversa, contou-nos: há tempos, há uns 20 anos mais ou menos, recebi uma grande ofensa por parte de alguém a quem muito beneficiara. Calei-me, tendo pedido a Jesus para me ajudar a não guardar mágoa pelo ofensor, a não lhe querer mal e a esquecer a ofensa recebida.
O ofensor mudou-se de Pedro Leopoldo e não lhe soube mais notícias. Esqueci-o de fato.
Passado muito tempo, observei que um irmão daqui não me era estranho e, logo assim me via, escondia-se, fugia de mim. Fiquei preocupado: teria eu lhe feito algum mal? E esperei…
Numa tarde, numa esquina de rua, encontramo-nos e fui ao seu encontro e o abracei, dizendo-lhe: que é isto, por que foge de mim, será que o molestei alguma vez? O irmão, mostrando nos olhos grande surpresa e comoção, me respondeu:
—Eu é que estou arrependido da ofensa que lhe fiz…
—Ofensa, não me lembro, quando, em que lugar?
—Há uns 20 anos atrás, ali no bar.
Foi então que me lembrei da ofensa que, dentro de mim, estava morta, porque Jesus me ajudara a esquecê-la. Abraçamo-nos. E, de novo, caminhamos como bons irmãos.
A lição do Caso comoveu-nos e valeu pela mais linda das lições e pelo melhor dos remédios à nossa doença de não querermos perdoar, ou de não sabermos, ou querermos esquecer ofensas recebidas.

Ramiro Gama

Flores do coração

Flores do coraçãoEm Pedro Leopoldo, numa sessão do Luiz Gonzaga, em fevereiro de 1956, assistimos ao seguinte: um auditório numeroso superlotava o Centro. Perto do Chico, um grupo de mães sofredoras e pesarosas, chorando o decesso de seus filhos amados. O querido Médium ouviu-as com atenção e considerou amorosamente: Minhas irmãs, consolai-vos com esta verdade: um dia vereis, na Pátria Espiritual, os vossos filhos, todos os vossos entes familiares. É preciso, no entanto, que daqui partais triunfantes para vê-los também triunfantes. E, para sairdes daqui triunfantes, faz-se mister que luteis, que não deixeis de lutar. Transformai, pois, esta tristeza do mundo, que vos adoece, pela tristeza segundo Deus, que tudo sabe. A luta é redentora. É ela que nos fará vencer a morte em busca da vida verdadeira. Estou há 28 anos no exercício da mediunidade. Ainda não passei um dia sem sofrer e chorar. Posso morrer, tenho este direito e isto me consola, mas ficar triste e parar de lutar, nunca. Nosso Dever é lutar, com fé, como uma gratidão a Jesus, que até hoje luta e sofre por nós.
Todos os olhos cheios de lágrimas das mães presentes deixavam de chorar e encheram-se de um novo brilho. Consolaram-se. Em seus corações caíram luzes esclarecedoras, flores do coração de um verdadeiro servidor de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ramiro Gama

As cartas do Dr. Guillon Ribeiro I

Centenário nascimento Chico XavierConversávamos com o Chico Xavier o assunto das cartas, focando os irmãos que se utilizam das mãos para abençoar e escrever e, assim, consolam e medicam. Abençoadamente, escrevem cartas que nos levantam de situações delicadas, cartas que afagam, que são como raios de sol penetrando as sombras de nossos corações doentes.
Lembrávamos-lhe de outras contendo reprimendas, asilando estados de cólera, carregando venenos, bombas, derruindo lares, adoecendo almas e corpos, semeando o mal.
Humberto de Campos, o mago do conto e da crônica, em uma de suas inspiradas “Reportagens de Além-Túmulo”, cita-nos o mal que uma dessas cartas fez.
Então, o nome querido do saudoso Dr. Guillon Ribeiro vem à tona. E Chico cita-nos o bem que lhe fizeram as cartas do bondoso e culto Espírito que, por muitos anos, a contento geral, foi o Presidente da Casa de Ismael. Citamos-lhe também os nossos casos, pois que os temos muitos, e graças outras obtidas pelas cartas do esclarecido autor do belo livro Nem Homem nem Deus, que melhor definiu a personalidade imácula do Divino Amigo. E concluímos: que esta era a sua especialidade através do que escrevia, mandar seu coração, todo bondade, seu espírito, todo Evangelho, aos lares dos irmãos amigos e até adversários. Ninguém as leria sem que se sentisse visitado por algo balsamizante, que esclarecia e emocionava.
Nesta altura, o Chico particulariza que atravessava uma fase dolorosa no seu mediunato. O Dr. Guillon Ribeiro soube, pois se correspondiam constantemente. E mandou-lhe uma carta que vive, com outras, no meio de seus papéis de estimação. Escreveu-lha, parece-me, com a pena do coração e a tinta do pranto, pois que, ao recebê-la, sentiu-se afagado, esclarecido, emocionado, finalmente, alegrado com a Tarefa árdua que realiza, em nome do Senhor.
E, por algum tempo, ficamos rememorando passagens outras das cartas do grande Irmão, tão modesto quanto bom, que escrevia seus artigos refertos de ensinamentos cristãos e não os assinava. Fazia o bem e escondia-se. E aí está, concluímos, porque busca nas missivas o melhor meio para anonimar-se, fazendo o bem, escrevendo as mais lindas e eruditas páginas sobre doutrina e deixando, nelas, um pouco de si mesmo, raios de luz de seu espírito. As flores do seu coração!
Que Jesus o abençoe!

Ramiro Gama

O homem dos vinte contos

Um amigo de Belo Horizonte disse, um dia, ao Chico:
—Tenho ido ao Centro Espírita Luiz Gonzaga, sempre que me é possível e, nas preces, tenho rogado a loteria.
E vendo a estranheza do Médium acentuou:
—Se eu ganhar, darei ao “Luiz Gonzaga” vinte contos.
Os dias correram e o homem ganhou a sorte grande.
Duzentos mil cruzeiros.
Quando isso aconteceu, sumiu de Pedro Leopoldo.
Se via o Chico por Belo Horizonte, evitava-lhe a presença.
—Imaginem! – costumava dizer na prosperidade crescente que o Céu lhe concedera – em minha ingenuidade, prometi uma dádiva a um Centro Espírita, se melhorasse de sorte! Quanta asneira falamos sem perceber!
Catorze anos rolaram e o homem da sorte grande morreu. Passados alguns dias, apareceu, em espírito, numa das sessões do Centro Espírita Luiz Gonzaga.
—Chico! Chico! – disse ao Médium, buscando abraçá-lo, – preciso pagar a minha dívida! Estou devendo vinte contos ao “Luiz Gonzaga” e vou trazer o dinheiro…
—Acalme-se, meu amigo, agora é tarde – respondeu o Médium, – o câmbio mudou para você. Não se preocupe. A sua fortuna está em outras mãos.
—Por que? Nada disso… O dinheiro é meu…
—Já foi, meu irmão! Você está desencarnado.
A entidade gritou, gritou e acabou perguntando em lágrimas:
—E, agora, que fazer?
Mas o Chico lhe respondeu:
—Esqueça-se da Terra, meu amigo. Nós todos somos devedores de Jesus. Paguemos a Jesus nossas contas e tudo estará bem.
Amparado pelos benfeitores espirituais da casa, o homem dos vinte contos, já desencarnado, retirou-se chorando.

Ramiro Gama

Receita para melhorar

HortelãEm julho de 1948, o nosso confrade Jacques Aboad, de passagem por Pedro Leopoldo, conversava, ao lado de outros confrades, em companhia do Chico, sobre os trabalhos de aperfeiçoamento da alma.
A conversação deu lugar à prece em conjunto.
E, manifestando-se, pelo Médium, José Grosso, dedicado e alegre companheiro desencarnado, dedicou aos presentes os seguintes apontamentos:

Dez gramas de juízo na cabeça.
Serenidade na mente.
Equilíbrio nos raciocínios
Elevação nos sentimentos.
Pureza nos olhos.
Vigilância nos ouvidos.
Lubrificante na cerviz.
Interruptor na língua.
Amor no coração.
Serviço útil e incessante nos braços,
Simplicidade no estômago.
Boa direção nos pés.
Uso diário em temperatura de boa vontade.

José Grosso

Supomos descobrir, neste curioso receituário, excelentes motivos para sorriso e meditação.

Ramiro Gama

Uma advertência e um ensino

O Chico, em certa noite de sessão pública, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, achava-se muito triste.
Um jornal atirara-lhe ao nome acusações descabidas.
A maledicência, crescera, abundante.
Casimiro Cunha, porém, aparece-lhe, sorri com bondade e escreve, tomando-lhe as mãos:

Homem com pressa no bem,
Cujo passo não recua,
Não consegue reparar
O cão que ladra na rua.

O Médium lê e sorri.
Consolado, retorna ao serviço da noite e segue para a frente.
E a quadra ficou valendo por um ensino, podendo ser encontrada no livro Gotas de Luz.

Ramiro Gama

Que seria da pedra sem o martelo?

SEMPRE O CHICO E EMMANUEL A NOS ENSINAR!...

Chico e EmmanuelNa sua profissão de serventuário público o Chico, certa vez, foi visitar um companheiro que residia a alguns quilômetros além de Pedro Leopoldo.
O companheiro, intempestivamente, o recebe com duas pedras na mão.
Xinga-o a valer.
E, quando o Chico tentava responder, delicadamente, Emmanuel intervém, dizendo-lhe:
—Não diga nada, exemplifique a própria fé, suportando-lhe a injustiça e os desabafos.
—Ele sofre do fígado, e há dias que vem sentindo cólicas hepáticas.
—Não revide a insultos e exacerbações. Ele precisa exteriorizar os venenos que lhe estão na alma e no corpo e você de limar-se, apurar-se e burilar-se, silenciando…
E com um sorriso doce, o bondoso Mentor rematou o assunto com esta pergunta:
—Ademais, que seria da pedra sem o martelo?

Ramiro Gama

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