Ver a morte

Imagem:PADRE GERMANO

Padre GermanoAntes da sessão do Luiz Gonzaga, alguém comentava o desencarne de um parente e o Chico pergunta-lhe:
— Ele viu a morte?
Todos se entreolharam sem saber o que responder. Perguntamos-lhe, então, meio curiosos:
— Que quer dizer, Chico, Ver a morte?
— Responde-nos o bondoso Médium: é saber o enfermo que vai morrer. Partirá assim mais preparado para despertar, na Espiritualidade, sem outras ilusões.
Falamos-lhe do nosso querido progenitor, cujo decesso se dera a 5 de maio de 1955 e que, dias antes de partir para o Além, tinha a intuição de sua morte e a recebeu serenamente como serenamente vivera.
— Sim, concluiu-nos o Chico, terá sempre uma boa morte quem possuir uma consciência boa, pura, sem remorsos de haver malbaratado a bênção do tempo.
E ficamos a nos lembrar, dando razões ao querido Padre Germano, quando afirmava: é preciso viver bem e no bem para morrer bem, ver a morte e ter um feliz despertar na Espiritualidade.

Ramiro Gama

Para andar com cuidado e sem vaidade

Manoel Pereira, amigo de há muitos anos do Chico, contou-nos também vários Lindos Casos e pediu-nos apenas publicássemos este:
Um confrade de São Paulo foi a Pedro Leopoldo para ver o famoso Médium. Encontra-o numa esquina de rua, no meio de muitos Irmãos do Rio e de Belo Horizonte. E, abraçando-o, realça-lhe, em altas vozes, os dons mediúnicos, comparando-o com Anjos e Apóstolos. O Chico ouve-o apiedadamente, complacentemente, chorando por dentro e, numa atitude de quem ora em silêncio para livrar-se do veneno das lisonjas, com a certeza de quem já traduziu o “in te descendi”, respondeu-lhe:
— Eu sou é um verdadeiro sapo, que traz às costas uma vela acesa. Beneficia-se com a claridade mas, para a possuir constantemente, tem que sofrer com a cera derretida que lhe cai sobre a pele, queimando-a, como a lhe recordar de que é preciso andar com cuidado e sem vaidade se quiser chegar ao fim da jornada…
Os irmãos presentes deixaram de rir e entenderam o que seja a Tarefa mediúnica a serviço de Jesus.
Observaram mais: que o Psicógrafo Pedro leopoldinense é, de fato, um instrumental mediúnico seguro e humilde, por onde o Pai do Céu nos vem enviando, de forma mais compreensível e inédita, os Ensinos de Seu Filho Amado, Nosso Senhor Jesus Cristo. E que nem todos os irmãos, esclarecidos pela Terceira Revelação, aprendem com que sacrifício ele, Chico, realiza sua tarefa e quantos esforços faz para se manter de pé, no clima das incompreensões, dentro da luta com as tempestades, os relâmpagos, os trovões das lisonjas, dos elogios, de todas as experimentações, e conseguir atender aos imperativos sagrados da sua Missão junto ao Grande incompreendido e ainda pouco conhecido, que é Jesus.

Ramiro Gama

É outro Kardec

Fig. KARDEC, EMMANUEL, BEZERRA E CHICO

Kardec e amigosDe quando em quando, em alguns Centros Espíritas onde vamos falar das Lições de Jesus, observamos Médiuns, bem orientados, recebendo Mensagens assinadas por Allan Kardec.
Ficamos em dúvida lembrando que, em Obras Póstumas, do Codificador, há uma amorosa advertência de um de seus Guias lembrando-lhe o aproveitamento do tempo na conclusão de suas obras e de que, como fora previsto, seu desencarne estava próximo e que ficaria no Espaço cerca de 40 anos para, depois, voltar à Terra e completar sua Missão junto ao Espiritismo. Verificando o ano de seu decesso, 1869, deveria estar entre nós, mais ou menos, entre os anos de 1909 e 1910.
E, segundo ouvimos de uma vez, de M. Quintão, quando entre nós, Allan Kardec dera na Federação Espírita Brasileira sua última comunicação em 1902. Daí, por diante, silenciara.
Como explicar as Mensagens assinadas com seu nome? Talvez, justificamos, sejam de seu representante, alguém credenciado, preposto ao seu valioso Trabalho. Porque ele, Kardec, ou deveria estar entre nós ou em esferas mais elevadas, em serviços de grande relevância espiritual, incapaz, pois, de se revelar a não ser através de terceiros. Se não, porque não tem dado sua presença pelo nosso querido Médium de Pedro Leopoldo?
De uma feita, sozinhos com o Chico, pedimos-lhe uma explicação. E o Médium humilde, primeiramente, mostrou-se surpreso, meio contrariado com o grave assunto.
Depois, sorriu e respondeu-nos:
— É, deve ser outro Kardec, pois não tem aparecido por aí, tantos Andrés Luizes e Emmanuéis?…
Ficamos satisfeitos com a explicação recebida, que, desta maneira, não deixa os recebedores das mensagens em situação delicada.
Vale dizer que esta é uma explicação pessoal do Médium, porque, em novembro de 1957, um grupo de irmãos da França, em nossa presença, entrevistando-o, sem antes lhe haver submetido as perguntas à sua aprovação, a respeito do assunto em causa, pediu-lhe que ouvisse seu Guia e, ele assim se houve:
— Nossos Mentores espirituais até hoje não têm tocado no assunto. Talvez, algum dia, o façam…

Ramiro Gama

Desejo correcional

Fig. FAZENDA MODELO, VISTA PARCIAL

Fazenda ModeloUm irmão, residente em Pedro Leopoldo, encontrava-se com o Chico, à beira do caminho da Fazenda Modelo, vez por outra.
Era um obstinado. Como que procurava o Médium para lhe experimentar a paciência. Não acreditava na reencarnação. E apresentava seus argumentos ilógicos. E atrás deste, outros assuntos vinham à tona, obstinando-se o nosso irmão nos seus pontos de vista incoerentes…
O Chico, humildemente, lhe explicava o erro em que insistia e, principalmente, o de não querer esquecer mágoas e perdoar seus adversários, que ele mesmo os arranjava com sua teimosia irreverente.
Os conselhos, a paciência entremostrada, nada convencia o inveterado birrento, que tinha lá seu modo diferente de ver as coisas e assim ficava e com isto experimentava os nervos de seus irmãos de trabalho.
Um dia, já cansado de ser tentado e, entrevendo no encontro provocado, um abuso, disse-lhe o Chico, séria e amorosamente:
—Sabe de uma coisa, vim pelo caminho pensando em você e desejando-lhe um bom remédio, isto é, uma reencarnação na qual tenha uma progenitora bem brava para lhe dar, de quando em quando, umas boas chineladas, a fim de deixar de ser tão teimoso com as coisas santas.
O desejo correcional fez sorrir o irmão obstinado, que acabou sentindo-lhe a sinceridade e deixando de ser teimoso e estorvo no caminho do querido Médium.
Este caso contou-nos o Irmão Manoel Diniz.

Ramiro Gama

Irmã Noêmia Nóvoa

Chico Xavier, o médiumLembrou-nos mais: de que uma nossa conhecida e prezada consóror, esposa do nosso confrade Amadeu Nóvoa, parente do confrade Flávio Pereira, residentes no Rio de Janeiro, comparecera em Pedro Leopoldo, gravemente enferma, com o coração também por um fio. Hospedara-se na residência de nosso caro Ataliba Alves Sobrinho. Assistiu às sessões do Luiz Gonzaga, durante umas quatro vezes. E o Chico sempre a lhe observar o coração suspenso apenas por um fio, para não para. E a orar, com fervor, junto aos Mentores, para que a cara irmã não desencarnasse na sala de sessões do Centro.
Felizmente, regressou ao Rio, satisfeita por haver conhecido e abraçado o Chico e, um dia depois, desencarnou, feliz.
Como não deve sofrer o nosso abnegado Médium! Vê e sente coisas que nem sempre pode contar. Tem de calar-se, orar e esperar que da misericórdia infinita de Deus venha o socorro, algo que faça com que todos que ali cheguem saiam aliviados, contentes, esclarecidos, com a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo no coração.
E, graças a Deus, sempre o tem conseguido!

Ramiro Gama

Com a vida por um fio

Estação Ferroviária de Pedro LeopoldoFalávamos ao Chico, de criaturas enfermas que anseiam por vê-lo e abraçá-lo e de outras que, para o mesmo fim, têm logrado vê-lo e realizam sacrifícios indescritíveis jogando com a própria vida e quase desencarnam em plena sessão do Luiz Gonzaga.
E o psicógrafo de Parnaso de Além-Túmulo conta-nos:
Há tempos, numa sessão do Luiz Gonzaga, quando estávamos psicografando e na fase final, observei que um irmão na assistência trazia o coração por um fio. Tratava-se de alguém, residente em Belo Horizonte, que viera ver-me, se bem que se achasse gravemente enfermo. Apelei para o bondoso Emmanuel para que não deixasse o querido companheiro desencarnar ali, em plena sessão, o que traria certa emoção para os presentes e, talvez, motivos para os adversários do Espiritismo culparem-no como o causador de tudo. Observei que os caros Mentores, à frente meu Guia, começaram a medicar o irmão enfermado. Terminada a reunião, foi o mesmo amparado pelos companheiros da Terra e do Espaço para a Estação Ferroviária local.Quando ele transpunha a roleta, caiu fulminado por uma síncope cardíaca e desencarnou.
Os irmãos do Alto deram-lhe assistência e evitaram-nos possíveis e graves complicações.

Ramiro Gama

Graças inesperadas

Graças inesperadasCerta vez comparecemos em Pedro Leopoldo com Moreira Guimarães, sua cara esposa Dona Marcele e a Professora Carlinda Guimarães. Vivemos também momentos de rara emoção.
Todos recebemos graças inesperadas. A irmã Marcele, que veio da França, em plena guerra mundial, em 1945, acompanhada de uma senhora cega e íntima de sua família, recebeu algo que a fez chorar, quando o Chico lhe dizia:
— Irmã Marcele, a seu lado está o Espírito de uma senhora, que se chama Maria Luíza, que era cega, quando na Terra, e que, segundo me diz, a trouxe da França para o Brasil…
Moreira recebe notícias de um irmão, de confrades da velha guarda, no Além, como de Inácio Bitencourt e outros.
A Professora Carlinda também ganha algo para seu nobre coração de mãe abnegada, criando filhos alheios. E, por fim, quando menos esperávamos, o Chico diz: irmã Zezé, a seu lado está um senhor, que quer se identificar por Tio Tonio. Tratava-se do Dr. Antônio Costa, tio de nossa esposa, estimado e culto advogado, homem de bem, desencarnado recentemente.
E, para nós:
— Ramiro, há um Espírito aqui, que desencarnou em Três Rios, meses atrás, e manda-lhe um abraço. Chama-se Martinho Martins da Rocha. Referia-se a um confrade Espírita com quem trabalhamos no Fé e Esperança, na querida localidade fluminense e que desencarnara sem que o soubéssemos.
E, finalizando, dirige-se ainda à Irmã Zezé:
— Aqui está o Espírito de Dona Antonieta. A irmã Zezé lembra-se de uma pessoa da família mas o Chico retruca:
— Não é esta, mas sim Dona Antonieta, aquela que foi sua vizinha e que morava defronte à sua casa. A irmã Zezé chora de emoção. Pois nem de leve se lembrava dessa vizinha, que desencarnara meses atrás, se bem houvesse recebido de sua família, ao embarcar, um pedido de prece para esse Espírito.
E, assim, graças sobre graças recebemos e longe iríamos se fôssemos registrar aqui o que temos ganho e, conosco, nossos companheiros de viagem, junto à mediunidade abençoada de Chico Xavier.
Que Jesus sempre e cada vez mais o ilumine, pois, em verdade, é uma Antena de Luz por onde o Divino Mestre vem consolando, esclarecendo e medicando seus irmãos sofredores da Terra.

Ramiro Gama

Graças sobre graças!

FAZENDA MODELO

Fazenda ModeloConhecemos, sobremodo, a Missão trabalhosa e beneficial do Chico. Sabendo como vive, porque vive e sempre em permanente jejum e oração, alimentando-se apenas uma vez por dia e, mesmo assim, com uma refeição sóbria, de verduras e pouca carne, feita com pouco sal, evitamos, quando o visitamos, procurá-lo fora das sessões do Luiz Gonzaga.
Ele tem, em cada dia, as horas tomadas. O tempo lhe é um patrimônio sagrado e sabe validar até a bênção dos minutos. Levanta-se cedo e vai para o Escritório da Fazenda Modelo, onde trabalha até as 17 horas, vindo à casa apenas para o almoço. À tarde, se não há nenhuma sessão no Luiz Gonzaga ou no Centro Meimei, aproveita-a para atender à recepção de algum livro, para responder cartas, visita a algum doente. Seu tempo é, pois, repleto de bons exemplos.
Não fazemos parte dos que o procuram para satisfazer curiosidade ou dar-lhe sofrimento com palestras contrárias às normas cristãs, ou ainda, para lhe pedir a solução de assuntos pessoais, que devem ser solucionados pelos seus respectivos donos.
Nossas visitas trazem sempre o imperativo da necessidade de um esclarecimento doutrinário e o benefício de nosso próximo ou a possibilidade de consolo para irmãos necessitados, vivendo os dramas dolorosos do desencarne de entes amados.
E, por isso, temos sido bem-sucedidos, graças a Deus!
Em maio de 1956, levamos conosco o General Carlos Gomes e sua prezada esposa. Havia uma necessidade. O trabalho era cristão. Nossos caros irmãos sofreram o golpe do desencarne de seu filho único, Carlitinhos, de 24 anos, que se deu em plena robustez física, quando cursava o sexto ano de medicina. Tinham os nossos amigos de infância de suportar aquela prova crucial em sua vida e somente o conseguiram indo conosco a Pedro Leopoldo, onde receberam a elucidação do homicídio espiritual, de que seu filho fora vítima, aquilo que não compreendemos, pobres que somos das luzes celestiais e que vive, justificado nas Leis de Deus.
Fomos todos obsequiados com a graça do Pai! Pela mediunidade de Chico Xavier, nossos amigos receberam uma mensagem esclarecedora e cheia de ensinos evangélicos de seu saudoso filho, que se mostrava mais vivo nos seus conceitos, nos seus anseios, na sua identificação preciosa, comovedora. O Chico viu perto do General dois de seus queridos colegas de Exército, hoje na Espiritualidade. Ilha Moreira e Marçal Nonato de Faria. Depois, no momento em que dedicava vários exemplares do Evangelho aos familiares do General, o querido Médium para um instante, para lhe dizer:
— General, a seu lado, entre outros amigos, está o Espírito de seu irmão Zezé, que vem assistir ao ato fraterno da oferenda desse livro à sua esposa Marina e aos seus filhos: José Carlos e Maria Cândida.
O General Carlos Gomes, sua esposa e todos nós ficamos sensibilizados, porque o Chico não sabia que, no Além, havia um irmão do nosso Amigo e que se chamava José e era, na intimidade, tratado por Zezé…
Outras graças vieram e pudemos descer de Pedro Leopoldo para o Rio trazendo os corações agraciados e os nossos companheiros de viagem consoladíssimos, trazendo nas fisionomias e, por certo, nos corações, uma nova compreensão, quanto aos justos desígnios de Deus.

Ramiro Gama

Visita medicamentosa


Visita medicamentosaNuma quinta-feira do mês de agosto de 1946, Dona Naná acordou assustada ouvindo a voz do Espírito de sua progenitora, que lhe dizia:
—Levanta-te e vai visitar tua irmã Santinha, em Barbacena, que está muito mal.
Levantou-se e saiu para a rua. Encontrou-se com o Chico, que lhe diz:
—Naná, sua mãe lhe manda dizer para você embarcar, imediatamente, para Barbacena, a fim de cuidar de sua irmã. Seus familiares e o médico da casa creem que ela está na hora da morte.
Mas ainda não vai desta vez. E sua chegada vai ser um remédio para a doente que, com isto, vai melhorar para daqui a alguns dias, levantar-se salva.
Horas depois, Dona Naná recebe um telegrama de Barbacena, dizendo: sua irmã Santinha gravemente enferma. Venha com urgência.
Dona Naná embarcou, horas depois, para Barbacena. Lá sucedeu o que Chico lhe dissera. Com sua chegada, a doente melhorou. E, dias depois, estava salva.

Ramiro Gama

O H. Diniz não deve morrer

Fig. PEDRO LEOPOLDO, vista aérea, 1958

Pedro Leopoldo, vista aérea, 1958No ano de 1956, visto que seu Hotel estava condenado pela Prefeitura local, Pedro Leopoldo, que planejava cortar-lhe a frente para prolongar a Rua Herbster, paralela à estação, Dona Naná resolve não tirar a licença para o ano de 1957. Isto em novembro, mês dedicado a este procedimento.
Achava-se neste propósito, quando na varanda de sua casa, chega o Fiscal Municipal com a petição para ela assinar, pedindo a licença. Algo estranho sucedeu com ela. Esqueceu de tudo e, com as mãos trêmulas, assinou a petição com uma letra bem diferente.
Daí a instante, o Chico apareceu-lhe e diz-lhe:
—Naná, sua mãe me apareceu e pede para você não abandonar esta casa. O H. Diniz não deve morrer. E a rua não vai passar por aqui. Você pode fazer as reparações desejadas. O dinheiro vai aparecer, abençoadamente. E foi sua mãe quem fez você assinar o pedido da licença.
E tudo sucedeu com o Chico prenunciara. E até o dinheiro, que não sabia donde tirar para reparar sua casa, como que veio do céu, abençoadamente. Vários quinquênios atrasados da Prefeitura, de que é Professora, vieram sem que os esperasse e, com eles, vai resolvendo seu caso.
Graças a Deus!

Ramiro Gama

Conteúdo sindicalizado