Que fazes - que produzes?

A vida nunca deixará sem contas o tempo que nos empresta.
A fonte oculta no campo desamparado é uma bênção para o chão ressequido.
A árvore é doadora constante de utilidades e benefícios.
A cova minúscula é berço da sementeira.
A erva tênue faz a provisão do celeiro.
A abelha pequenina fabrica mel que alivia o doente.
O barro humilde, ao calor da cerâmica, se transforma em sustentáculo da habitação.
Nos estábulos e nos redis, há milhões de vidas inferiores, extinguindo-se em dádivas permanentes ao conforto da Humanidade, produzindo leite e lã para que povos inteiros se alimentem, se agasalham e desenvolvem.
E nós, que desfrutamos a riqueza do tempo, que fazemos da sublime oportunidade de criar o bem?
Ainda que fujamos para os derradeiros ângulos do Planeta, um dia chegará em que a Verdade Divina se dirigirá a nós outros, indagando:
– Que produzes? Que fazes da saúde, do corpo, da inteligência, dos recursos variados que a vida te deu?
Lembremo-nos de que na própria crucificação, o Mestre Divino produziu a Ressurreição por mensagem de imortalidade ao mundo de todos os séculos.
Não te esqueças, meu amigo, de que a felicidade é uma equação de rendimento ao esforço da criatura, na imprevisão do bem e na extensão dele e não olvides que, provavelmente, não vem longe o minuto em que prestarás contas de teu aproveitamento nas bênçãos de trabalho e paz, alegria e luz, que vens atravessando na condição de usufrutuário da Terra.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1957
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

A Criança

Levantará o homem o próprio ninho à plena altura, estagiando no tope dos gigantescos edifícios de cimento armado…
Escalará o fastigio da ciência, povoando o espaço de ondas múltiplas, incessantemente convertidas em mensagens de som e cor.
Voará em palácios aéreos, cruzando os céus com a rapidez do raio…
Elevar-se-á sobre torres poderosas, estudando a natureza e movimento dos astros…
Erguer-se-á, vitorioso, ao cimo da cultura intelectual, especulando sobre a essência do Universo…
Entretanto, se não descer, repleto de amor, para auxiliar a criança, no chão do mundo, debalde esperará pela humanidade melhor.
Na infância surge renovado o germe da perfeição, tanto quanto na alvorada recomeça o fulgor do dia.
Estende os braços generosos e ampara os pequeninos que te rodeiam.
Livra-os, hoje, da ignorância e da penúria, da preguiça e da crueldade, para que amanhã saibam livrar-se do crime e do sofrimento.
Filha de tua carne ou rebento do lar alheio, cada criança é vida de tua vida.
Aprende a descer para ajudá-la, como Jesus desceu até nós para redimir-nos.
Sem a recuperação da infância para a glória do bem, todo o progresso humano continuará oscilando nos espinheiros da ilusão e do mal.
Não duvides que, ao pé de cada berço, Deus nos permite encontrar o próprio futuro. De nós depende fazê-lo trilho perigoso para a descida à sombra ou estrada sublime para ascensão à luz.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 22.09.1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Pelas Mãos do Tempo

O ciclo anual no infinito do tempo é, de algum modo, semelhante à existência no infinito da vida.
Na primavera temos a infância e a juventude, coloridas de suaves promessas.
No verão, encontramos a plenitude orgânica, repleta de energia.
No outono, vemos a madureza, tocada de experiência.
No inverno, sentimos a presença da noite fria e obscura, precedendo a alvorada nova.
Se te empenhas no aproveitamento do corpo terrestre como instrumento necessário à formação do futuro, reflete na bênção do dia e vale-te dela na própria renovação.
Para esse fim, não te despreocupes da mente, para que a criação, o trabalho e a vigilância te inspirem a caminhada na construção do porvir, que desejas entretecido de paz e luz.
Assume com a própria consciência, o compromisso da redenção de ti mesmo e resgata-o, com o respeito dentro do qual sabes solver no mundo a promissória bancária que te desafia a responsabilidade e envolve o nome.
Lembra-te das horas que escoam implacáveis e afeiçoa-te ao cumprimento do dever como sendo o culto da própria felicidade.
Observa o microcosmo em que a Lei Divina te situa temporariamente, no aprendizado salvador…
A família consanguínea, a casa de trabalho, a autoridade humana a que te subordinas; o templo de tua fé, o grupo dos amigos e dos desafetos e o caminho das obrigações inelutáveis, a se revelarem de hora a hora…
Repara o tesouro das oportunidades de serviço e faze dele abençoada escola de preparação espiritual, ante a imortalidade que te espera…
Exercita a bondade e enriquece-te de conhecimentos superiores; auxiliando aos que te rodeiam em cada instante de hoje que te foge ao olhar e, da estação em que estiveres, partirás pelas mãos do tempo, em demanda da sabedoria e do amor que te aguardam o coração, no Grande Amanhã, ao esplendor do Sol Inextinguível.


Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Fermento Verbal

Aprendamos a sentir com amor, a fim de que venhamos a pensar com justiça e a falar para o bem.
O próprio Testamento Divino assegura que no “no princípio era verbo”.
Depois do amor e da justiça do Criador, apareceu a expressão verbal como fermento vivo da Criação.
Em todos os avisos da caridade não nos esqueçamos da boa palavra que socorre e ilumina sempre.
Para usá-la com segurança, não é preciso assumas posição compulsória de santidade, transformando a frase em látego de chamas sobre os enganos que ainda entenebrecem o roteiro do próximo.
Basta que a tua diligência no bem se faça incessante.
À frente do comentário calunioso, lembra alguma virtude da criatura visada pela chuva injustificável de lodo e lama.
Perante as anotações do desânimo, fala acerca das esperanças do Céu que ainda não apagou o sol com que nos clareia o caminho.
Diante da delinquência, recorda a Misericórdia Celestial que a todos nos provê de recursos para o pagamento das próprias faltas.
Ante a irritação e a crítica, não pronuncies o venenoso apontamento que dilacera à distância, mas sim procura algum fato ou alguma lição em que a pessoa reprovada encontre alívio e consolo.
Sobretudo, auxilia aos ausentes que não podem cogitar da própria defesa.
Lembra-te de que todo aquele que hoje desaprova os outros contigo, amanhã te desaprovará também diante dos outros.Guarda-te contra a insinuação maledicente que supõe encontrar serpente e lagarto, pedra e espinho no roteiro dos semelhantes e, procurando o bem sem desfalecer, através da boa palavra constante, atingirás o rio abençoado da simpatia, em cuja corrente límpida alcançarás o porto da paz, com a vitória de tuas esperanças mais belas, então convertidas em verdadeira felicidade na Vida Superior.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Se Semeias

SemeadorSe semeares com amor, não te espante a terra eriçada de espinhos…
Que seria da lavoura sem o arado firme e prestimoso, que opera a renovação? Que seria da vida, sem a persistência da boa vontade?
Ergue-te cedo, cada dia, e espalha os grãos do entendimento e do serviço.
Provavelmente, surgirá, cada hora, mil surpresas inquietantes.
As ruínas consequentes do temporal, o bote de serpe oculta, os seixos pontiagudos da estrada, a soturna visão do pântano, a guerra sem tréguas contra os animálculos daninhos, os calos dolorosos das mãos e dos pés, a expectativa torturante, são o que vive em sua luta o semeador que se decide a trabalhar…
Recompensa? Não guardes a remuneração da Terra.
O mundo está repleto de bocas famintas que devoram o pão, sem cogitar dos sacrifícios ou das lágrimas que lhe deram origem.
Enquanto peregrinares entre os homens, o teu prêmio virá do perfume das flores, da luminosa vestidura da paisagem ou do caricioso beijo do vento.
Se semeias com amor, não indagues de causas.
Consagra-te ao esforço do bem, para que o solo se renove e produza.
Compadece-te da terra sem água, não desampares o deserto.
Não te irrita o charco.
Ajuda sempre.
A felicidade vem do amor, o progresso vem da cooperação.
A lavoura do espírito é semelhante ao amanho do campo.
Auxilia sem cessar…
Se semeias com amor, jamais desanimes, porque se é teu o trabalho do plantio, a semente, o crescimento e a frutificação pertencem ao Divino Semeador, que nunca se cansa de semear.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1958
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

O Grande Doador

Jesus CristoEle não era médico mas levantou paralíticos e restaurou feridos usando o divino poder do amor.
Não era advogado e elegeu-se o supremo defensor de todos os injustiçados do mundo.
Não possuía fazenda e estabeleceu novo reino na Terra.
Não improvisava festas e consolou os tristes e reergueu o bom ânimo das almas desesperadas.
Não era professor consagrado e fez-se o Mestre da Evolução e do Aprimoramento da Humanidade.
Não era Doutor da Lei e criou a universidade sublime do bem para todos os espíritos de boa vontade.
Padecendo amarguras – reconfortou a muitos.
Tolerando aflições – semeou a fé e a coragem.
Abatido – curou as chagas morais do povo.
Suplicando – expediu a mensagem do perdão e do amor, em todas as direções.
Esquecido pelos mais amados – ensinou a fraternidade e o reconhecimento.
Vencido na cruz – revelou a vitória da vida eterna, em plena e gloriosa ressurreição, renovando os destinos das nações e santificando o caminho dos povos.
Ele não era, portanto, rico e engrandeceu os celeiros dos séculos.
Quem oferecer o coração, em homenagem ao Divino Amor na Terra, poderá desse modo, no exemplo de Jesus, embora anônimo, aflito, apagado ou crucificado, atender à santificada colaboração com Deus, a benefício da Humanidade.

André Luiz
Psicografia de Chico Xavier, em 1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Cruzes e Algemas

Observa o longo caminho em que transitas no mundo e notarás que todas as criaturas jornadeiam na Terra entre cruzes e algemas.
Cruzes talhadas pela misericórdia de Deus.
Algemas forjadas pelos próprios homens.
Cruzes que elevam. Algemas que aniquilam.
Cruzes que bendizem. Algemas que amaldiçoam.
Cruzes que iluminam. Algemas que ensombram.
Não desprezes o madeiro das obrigações em que a Sabedoria do Senhor te situa, porque todas as almas que sobem o monte da evolução, transportam consigo as cruzes redentoras do trabalho e da disciplina.

Onde se destaquem progresso e sublimação ai enxameia cruzes diversas.
Possuímo-las por toda parte, em todos os feitos e em todos os tons de luta.
Aqui constituem o esposo difícil, a companheira desesperada e o filho ingrato e incompreensivo…
Acolá, descobrimo-las na solidão e na enfermidade, na penúria e no sofrimento, na dor e no sacrifício, tanto quanto mais além, reconhecemo-las na popularidade e na inteligência, no fausto e no ouro, na responsabilidade e no poder.

Procura aceitar com valor e serenidade os preciosos deveres que o Senhor te confia, porque das cruzes abandonadas nascem as trevas da rebeldia e do orgulho, que perturbam o coração e ensanguentam os filhos rebeldes da Terra.
Quantos lhes abominam os braços santificantes, sacudindo-lhes o jugo, não raro, descem à sombra e à viciação, à loucura e à delinquência, em que padecem, às vezes, por séculos dolorosos, nos grilhões do remorso e do crime, do desequilíbrio e do desencanto que inventaram para si mesmos.

Abraça na cruz que te honra o caminho a bênção da própria vida e agradece-lhe o suor do trabalho e as lágrimas da renúncia que te faça verter, porquanto se apenas a Cruz do Cristo, – o Anjo sem culpa, – foi capaz de instalar-nos a luz da ressurreição, somente a cruz de nossas dores no resgate de nossos erros, será capaz de impelir-nos à posse da Vida Eterna.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1956
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Ante o Futuro

Não adianta indagar do futuro, ocasionalmente, para satisfazer a curiosidade irrequieta ou inútil.
Vale construí-lo em bases que a lógica traça-nos generosamente à visão.
Não desconhecemos que o nosso amanhã será a invariável reposta do mundo ao nosso hoje,
E aos nossos pés a natureza sábia e simples nos convida a pensar.
O arado preguiçoso deve aguardar a ferrugem.
A leira abandonada receberá o assalto da planta daninha.
A casa relegada ao abandono será pasto dos vermes que lhe corroerão a estrutura.
O pão desaproveitado repousará na sombra do mofo.
A fonte que se consagra ao movimento atingirá a paz do oceano.
A flor leal ao destino que lhe é próprio converter-se-á em fruto benfazejo.
A plantação amparada com segurança distribuirá bênçãos à mesa.
E o minério obediente aos golpes do malho transformar-se-á em peça de alto preço.
Sabemos que é possível edificar o futuro e recolher-lhe os dons de amor e vida.
Escolhe a bondade por lema de cada dia, não desistas de aprender, infatigavelmente e, com os braços no serviço incessante caminharás desde hoje, sob a luz da vitória, ao encontro de glorioso porvir.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1956.
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Teu Cérebro

Teu cérebro é o espelho luminoso a refletir a beleza da Vida no aprimoramento e na sublimação de teu mundo espiritual.
Filtro divino, por ele, sabe traduzir os cânticos da natureza, entendendo a glória do firmamento que te espera e os tesouros da Terra que te alenta e aperfeiçoa.
Com ele, pesas a estrela, medes a distância dos astros, analisa a essência da luz, aprecias a estrutura da flor…
Através dele, navegas no espaço e desces ao abismo oceânico.
Manejando-o, conjugas as forças e os elementos que te circundam, acendendo o fulgor do progresso.
Aproveitando-o, redimiste os metais, ergueste o santuário doméstico e traçaste caminhos múltiplos à solidariedade.
Não uses semelhante instrumento para ferir o próximo e oprimir-lhe a existência.
Deixa que a bondade e a compreensão, a fé e a harmonia se expressem por teu pensamento, a fim de que o Sol do Amor resplenda em teu roteiro.
Guarda-o na humildade e no equilíbrio, na educação e no serviço, para que as energias do Céu se exprimam na Terra por intermédio de tua vida.
Medita na responsabilidade de discernir e pensar.
A razão é a luz que nos distingue dos animais.
Saibamos, assim, levantá-la ao nível do conhecimento superior que já nos felicita o destino, através da ação permanente e infatigável no bem, porque calcular exaltando o egoísmo e o raciocínio em favor do crime é lançar sobre o espelho de nossa mente a lama das trevas que nos compelirá amanhã a padecer idiotia e loucura, indispensáveis à nossa limpeza para o dia da redenção.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 19.9.1955
No Centro Espírita Luiz Gonzaga

Oração da Fraternidade

Senhor!
Somos uma só família de corações a se rearticularem no espaço e no tempo, aprendendo a servir-te. Ensina-nos a ser mais irmãos uns dos outros.
Ajuda-nos para que seja cada um de nós a complementação do companheiro, naquilo em que o nosso companheiro esteja em carência. Se um tropeça, dá que lhe sirvamos de apoio, se outro descansa, ampara-nos a fim de que lhe tomemos o lugar na tarefa sem reclamação e sem queixa. Ilumina-nos o entendimento para que nos convertamos em visão para aqueles que ainda não conseguem enxergar o caminho claro que nos traçaste; o ouvido atento para quantos se incapacitarem no trabalho, entorpecidos na indiferença; a tranquilidade para os que venham a cair na discórdia e a compreensão de todos os que ainda não logram divisar a luz da verdade!
Senhor, guarda-nos em teu infinito amor para que nos devotemos fielmente uns aos outros e ainda que a névoa do passado nos entenebreça os caminhos do presente, favorecendo-nos a separação ou o desajuste, dá que o clarão de tua bênção nos refaça as energias e nos restabeleça o senso de rumo para que nós todos, unidos e felizes, sejamos invariavelmente uma família só, procurando escorar-nos, no apoio recíproco, de modo a que, um dia, estejamos integrados em teu serviço na alegria imortal para sempre.

Bezerra de Menezes
Psicografia de Chico Xavier, em 22.2.1972
Na Fundação Marietta Gaio, no Rio de Janeiro

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