Não há glória maior

Chico meditando

Em 1950, Chico Xavier havia recebido, pela sua psicografia, mais de 50 ótimos livros.
Vivia no apogeu de triunfos mediúnicos. Estava conhecidíssimo no Brasil e no mundo inteiro.
O Parnaso de Além-Túmulo, por si só, valia pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe o instrumental mediúnico, o mais completo e seguro que o Espiritismo tem tido para lhe revelar as verdades, inclusive o intercâmbio das ideias entre os dois Mundos.
Mas, além disso, recebera romances, livros e mais livros, versando assuntos filosóficos, científicos, e, sobretudo, realçando o espírito da letra dos Evangelhos, escrevendo e traduzindo, de forma clara e precisa, as lições consoladoras e imortais do Livro da Vida.
Nesta fase, conforme esperava, por intuição recebida dos seus abnegados Mentores, mais orava e vigiava.
Numa manhã, ao caminhar para a Fazenda Modelo, viu uma leva de espíritos zombeteiros emboscados, à sua espera.
E durante quase um mês sofreu deles toda sorte de escárnio. Foi apupado, zombado, assobiado, chasqueado, escameado. Por fim, começaram a lhe mediocrizar a tarefa, asseverando-lhe que seus livros não continham senão mentiras e, mais ainda, que se precavesse porque acabaria obsedado, louco.
O Chico suportou tudo, com paciência e humildade. Mas no fim de tanta experimentação, mostrou-se temeroso, acreditou que poderia ficar maluco em virtude de seu trabalho mediúnico. E consultou seu querido Guia, Emmanuel.
Colocado a par da situação, cujo desfecho previra, Emmanuel sorriu e disse-lhe:
— Mas você, Chico, é mesmo um tolo dando ouvidos aos comentários infantis desses espíritos infelizes, que ainda não encontraram em seus caminhos a Luz do Grande Amor, porque ainda não sabem amar. Lembre-se que é uma glória alguém morrer pelo Cristo! E você já imaginou que glória imensa você teria se, pelo mediunismo, captando as Verdades Consoladoras prometidas por Ele, daqui partisse imolado na prova da loucura! Sirva ao Cristo de Deus sem temor, e jamais fracassará.
O querido Médium sorriu também e perdeu todo o receio. Agora, acalentava um desejo, ser digno do Amor do Amigo Celeste e, no seu coração, ressoava a senha cristã: comigo, não tomais.
Os espíritos zombeteiros que lhe experimentavam o potencial da fé, vendo-o convicto e feliz na tarefa mediúnica, afastaram-se, certamente, um pouco doutrinados, surpresos pela grande lição recebida. Graças a Deus!

Ramiro Gama


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