Lição preciosa

Fig. AÇUDE EM PEDRO LEOPOLDO

Açude em Pedro LeopoldoAssim, conversava o caro Médium conosco, diante de um pequenino riacho, que rolava, baixinho, humildemente, aos nossos pés, colaborando com o ambiente, tão pobre de valores materiais, mas tão opulento de graças espirituais, cuja presença sentíamos comovidos.
Pressentindo, deste modo, a história dolorosa dos Irmãos visitantes e visitados, muitos dos quais membros familiares desencarnaram, uns pelo suicídio, por não aguentarem a experimentação permanente, outros, pelos seus sofrimentos, agravados, pela desesperação, o Chico pediu-nos a colaboração da palavra, a fim de que lhes contássemos casos evangélicos e para que, melhormente, pudéssemos ler e sentir uma Lição do Livro da Vida. Num clima de Sursum Corda (corações ao alto), atendemo-lo. Falamos a nós e aos presentes. Finalizamos, lembrando-nos de que somente nos desamarramos dos vícios e das paixões e nos damos pressa de atravessar o rio dos preconceitos em busca da Verdade, quando somos apartados de entes amados ou empurrados pelo aguilhão da dor. Pegando a nossa deixa, o prezado Médium, inspiradamente, contou-nos a pequena história abaixo, que muito nos comoveu e possibilitou vivêssemos todos um momento de respeito e exaltação à Palavra do Divino Mestre:

O Ateu

— Em certa localidade do interior de Minas Gerais, morava um ateu incorrigível. Era casado com linda e digna mulher e possuía um único filho, que contava 12 anos e se constituía o seu maior tesouro. O ateu, tanto quanto possível, não perdia a oportunidade de revelar seu ateísmo doentio, como que zombando da crença alheia. Sua prendada esposa o advertia, quase sempre, sem proveito. Continuava negando Deus, multiplicando seu ouro e adorando seu filho único…
Quando menos esperava, a morte veio, silenciosa, e levou-lhe o filho, entristecendo o coração materno e enchendo de desespero o coração do ateu.
Passaram-se dois anos. O ateu, agora, magro e pobre, sem a esposa, que também fora levada para o Além, sentia-se só e doente. Aconselhado por alguns amigos, batera à porta de vários Templos, até que, numa tarde abençoada, foi ter a uma sessão espírita.
Aí começou a receber os primeiros socorros. Seu coração, trabalhado pela dor, perdera as vestes negras da vaidade e do orgulho. E, numa noite, quando mais se mostrava convicto da verdade espírita, o filho incorpora-se num Médium e lhe fala:
— Meu pai, como me sinto feliz em vê-lo aqui! Como demorou a encontrar a grande Estrada! Graças a Deus, que veio! Mas foi preciso que eu e minha mãe pedíssemos muito, a seu favor, para que o Pai do Céu nos atendesse. E vou contar-lhe uma historieta que um de meus Mentores me contou com relação ao nosso caso:
Numa aldeia da Índia, vivia um fazendeiro rico, que se especializara na criação e seleção de animais. Possuía grande quantidade de vacas reprodutoras de boa qualidade. Era um homem bom e prestativo. Desejava ajudar a todos os seus irmãos de romagens na Terra. E, assim, resolveu partilhar sua obra com os seus vizinhos de outra aldeia, que limitava com seus rumos por um pequeno rio. Mandou selecionar alguns bois e uma vaca, que possuía um bezerro único e os enviou aos seus companheiros. Mas, na passagem do rio, todos os bois passaram, menos a vaca e o bezerro. Tudo foi tentado sem proveito. Alguém então alvitrou: amarrem o bezerro e atravessem com ele o rio, que a vaca acompanhá-lo-á. De fato, a vaca, vendo o filho amarrado, berrando, pedindo-lhe socorro, atravessando o rio, não se fez de rogada e também o atravessou…
— Aí está, meu pai, a lição preciosa que a historieta nos dá: foi preciso que eu fosse também amarrado pela enfermidade e jogado no rio da morte para que o senhor atravessasse o rio do preconceito e viesse até a mim e sentisse, como está sentindo, comigo, a vida verdadeira e, deste modo, iniciasse o resgate de suas faltas! Louvado seja Deus!

Chico Xavier


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