Irmão Francisco Portugal


Antena de LuzNosso prezado irmão Francisco Portugal sentara-se a nosso lado e dizia-nos, entristecido, não ter ainda uma possibilidade para abraçar o Chico e falar-lhe. E, em virtude de ver tanta gente na Sessão e em redor do Médium, calculava que seu desejo não seria satisfeito. Teria de assistir à Sessão e regressar no sábado à Petrópolis, onde reside, sem ao menos receber algo de que carecia, principalmente com relação a um irmão desencarnado. Rápido como um relâmpago, o Chico captou o anseio do seu Irmão pois, deixando de lado alguns amigos, já atendidos, chegou-se perto de nós e disse:
—Irmão Portugal, então você pensava que não o abraçaria, que não o tinha visto! Está enganado, você, como outros Irmãos, está também dentro de meu coração.
Nosso caro Irmão Portugal chorou de emoção. Depois da Sessão, o Chico lhe deu uma mensagem que recebeu. Mais se comoveu, o nosso irmão de Petrópolis, pois era de seu irmão desencarnado, que lhe veio contar particularidades de sua vida quando na Terra e agora no Espaço, dando-nos, com isto, uma prova real da sua imortalidade.
Antena de Luz, em verdade, é o caro Chico Xavier, porque sempre alerta, atraindo de mais Alto a misericórdia de Deus e sentindo, a todo instante, as nossas necessidades de galés, espíritos cheios de dívidas, buscando redenção.
Segue abaixo a Mensagem que o digno Irmão Francisco Portugal recebeu, em 1º de outubro de 1947, em Pedro Leopoldo, de seu Irmão Alfredo Portugal, por intermédio de Francisco Cândido Xavier:

Francisco, meu querido irmão, aqui me encontro ao lado de vocês, rogando a Deus que nos ajude e nos abençoe.
Perdoe-me se lhes falo aqui, de alma aberta, decorridos tantos anos sobre a minha forçada libertação.
Sou o peregrino que chega de longe cansado, desiludido… Quero esvaziar o cálice do coração, tocado pela nova fé que estou abraçando em seu lar abençoado. Compadeçam-se de meus pés feridos, de minhas mãos extenuadas, e ajudem-me. A morte provocada é um caminho doloroso, que nós mesmos povoamos de espinhos. Dizer-lhes das espessas trevas que atravessei é tarefa impossível. As palavras da Terra, se não conseguem exprimir o verbo dos anjos, também não expressam a indescritível angústia de todos aqueles que, como eu, penetram a noite do horror.
Se eu pudesse, retornaria agora ao mundo para sentir-me feliz no corpo mais defeituoso da Terra. A vida mais obscura, nos órgãos mais dolorosamente mutilados, constituiria, para mim, uma bênção e espero que vocês me amparem com o serviço das preces restauradoras. Graças a Jesus, o orvalho das orações de seu ninho doméstico caiu sobre mim à maneira de chuva suave e benéfica.
Depois de longo tempo nas trevas abismais, com a força que me proporcionaram, emergi da escuridão aflitiva e meus olhos, inflamados de nova luz, vertem lágrimas de esperança, aguardando o novo dia de lutas terrestres… Derramo lágrimas de renovação, porque compreendo hoje, em companhia de vocês, que a dor é um divino dom de salvação para a eternidade.
Sinto-me edificado porque entendo, na atualidade, que o sofrimento é a única força capaz de reerguer-nos para Deus. E aqui me têm vocês, agradecido e reconfortado, pedindo-lhes cada vez mais zelo na preservação dos tesouros que receberam. Vocês possuem uma lâmpada que nos faltava noutro tempo. Guardam, em casa, uma fonte de dádivas imperecíveis. A paz da alma e a possibilidade de fazer o bem com Jesus é, realmente, a verdadeira felicidade agora e sempre.
Perdoem-me se as minhas visitas, muitas vezes, lhes fizeram sentir indefiníveis amarguras.
Reconheço que Carolina e Jorge, principalmente, registraram, com mais intensidade, a minha presença e, em mais de uma ocasião, se deixaram dominar pela minha influência. Creiam, porém, que meu espírito permanece transformado e rogo a Deus para que nenhum de vocês, por mais venenosos sejam os espinhos da luta a que foram chamados, jamais se deixem vencer pelas sugestões sombrias da morte provocada.
Abracem a cruz da existência humana com alegria. As horas efetivamente preciosas da experiência material são aquelas em que podemos provar a nossa fé, o nosso espírito de sacrifício e a nossa vocação de renúncia. E essas horas não são encontradas entre as flores que persistem apenas por um dia, não se abrem nas câmaras felizes das vidas sem trabalho digno e frutuoso.
Atendamos ao convite divino, aceitando o benéfico desafio do mundo. Por não recebê-lo, com serenidade e amor, quase sempre perdemos nossas mais belas oportunidades de evoluir para os lucros efetivos da experiência.
Fujam da tristeza, do desânimo, da desesperação. Situem a mente no santuário da fé para vencerem os dragões da sombra que rondam à porta.
Não respirem o clima da invigilância e agradeçam ao Senhor tantas bênçãos de paz e luz porque, em verdade, seu lar é uma fonte de graças que devem ser aproveitadas a benefício de muitos.
Agradeço a Carolina, Zoé, Zilda, Jorge, Sylvio e Malena, as alegrias que me despertam na alma. Vocês receberam de Jesus um depósito sagrado e você, meu irmão, é a sentinela desses sublimes dons. Reduza, quanto estiver ao seu alcance, os problemas que ainda o prendem à luta material mais intensa, para que a bendita claridade do Alto se reflita com brilho sempre mais intenso em seus caminhos.
Sou apagado servidor da verdade, agora esperando o ensejo de regressar à luta, mas estarei ao lado de vocês, recebendo o conforto de seu auxílio e pronto a colaborar, de algum modo, a fim de revelar-lhes alguma coisa de meu infinito reconhecimento.

Alfredo

Como vemos, instrutiva e comovedora a Mensagem do irmão de Francisco Portugal, que se suicidara aos 21 anos, por motivos sentimentais. O Chico ignorava por completo a existência de todos os fatos relatados. Que sirva ela de lição preciosa para todos nós e para quantos, desanimados com a prova redentora, se deixem vencer pelas sugestões sombrias da morte provocada.

Ramiro Gama

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