Entre Nós

Flor parasitária

Coração que não se abre
À sementeira do amor
Não guarda com segurança
A luz do Consolador.

Muita leitura sem obras
De ensino e consolação
Traz a flor parasitária
Da inútil conversação.

Desalento choramingas
Em pranto sempre a correr
Expressa, frequentemente,
Muito serviço a fazer.

Comentários contra ingratos,
Verbo amargoso e violento,
São tristes revelações
Do anseio de isolamento.

Discursos sem caridade
Fraternidade sem portas
Tribunas que não amparam
São sinais de fontes mortas.

Fadiga de todo instante,
Chorosa, escura e cediça,
Traduz, sem contestação,
Fragilidade e preguiça.

Cabeça muito ilustrada
Sobre a vida em calmaria
É uma lavrada em ouro,
Muito nobre, mas vazia.

Entusiasmo eloquente
Sem atos de amor cristão
É fogo de palha seca
Em bolhas de água e sabão.

Sublime conhecimento
Distanciado do bem,
É tesouro enferrujado
Que não ajuda a ninguém.

Banquetes da inteligência,
Sem Jesus suprindo a mesa,
São brilhos da força bruta
Em pedras da natureza.

Casimiro Cunha