Blog de Valim

Pequenas histórias

Fig. PONTE DA FÁBRICA, PEDRO LEOPOLDO, 1958
Ponte da fábrica, 1958Em outubro de 1956, tivemos a ventura de assistir à peregrinação do Chico. Primeiramente, iniciamo-la pela visita à Ponte, já conhecidíssima, porque abriga uma família numerosa de pobres irmãos doentes, sem dinheiro, sem emprego, sem alimentos.
Nós temos o crime de ter e eles têm a graça de não possuir haveres materiais. Apenas têm a Fé em Deus, que lhes vale muito, motivo porque são sempre ajudados.
Ganhamos mais do que lhes damos. E, ainda, o exemplo que nos dão, recebendo, com humildade, nosso abraço, um pouco de alimentação e vestuário. E ainda nos dizem, agradecida e sinceramente à despedida: Vão com Deus, Deus lhes pague!
Em seus lugares, será que agiríamos assim?
São, pois, mais heróis do que nós…

Ramiro Gama

Não há glória maior

Chico meditando

Em 1950, Chico Xavier havia recebido, pela sua psicografia, mais de 50 ótimos livros.
Vivia no apogeu de triunfos mediúnicos. Estava conhecidíssimo no Brasil e no mundo inteiro.
O Parnaso de Além-Túmulo, por si só, valia pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe o instrumental mediúnico, o mais completo e seguro que o Espiritismo tem tido para lhe revelar as verdades, inclusive o intercâmbio das ideias entre os dois Mundos.
Mas, além disso, recebera romances, livros e mais livros, versando assuntos filosóficos, científicos, e, sobretudo, realçando o espírito da letra dos Evangelhos, escrevendo e traduzindo, de forma clara e precisa, as lições consoladoras e imortais do Livro da Vida.
Nesta fase, conforme esperava, por intuição recebida dos seus abnegados Mentores, mais orava e vigiava.
Numa manhã, ao caminhar para a Fazenda Modelo, viu uma leva de espíritos zombeteiros emboscados, à sua espera.
E durante quase um mês sofreu deles toda sorte de escárnio. Foi apupado, zombado, assobiado, chasqueado, escameado. Por fim, começaram a lhe mediocrizar a tarefa, asseverando-lhe que seus livros não continham senão mentiras e, mais ainda, que se precavesse porque acabaria obsedado, louco.
O Chico suportou tudo, com paciência e humildade. Mas no fim de tanta experimentação, mostrou-se temeroso, acreditou que poderia ficar maluco em virtude de seu trabalho mediúnico. E consultou seu querido Guia, Emmanuel.
Colocado a par da situação, cujo desfecho previra, Emmanuel sorriu e disse-lhe:
— Mas você, Chico, é mesmo um tolo dando ouvidos aos comentários infantis desses espíritos infelizes, que ainda não encontraram em seus caminhos a Luz do Grande Amor, porque ainda não sabem amar. Lembre-se que é uma glória alguém morrer pelo Cristo! E você já imaginou que glória imensa você teria se, pelo mediunismo, captando as Verdades Consoladoras prometidas por Ele, daqui partisse imolado na prova da loucura! Sirva ao Cristo de Deus sem temor, e jamais fracassará.
O querido Médium sorriu também e perdeu todo o receio. Agora, acalentava um desejo, ser digno do Amor do Amigo Celeste e, no seu coração, ressoava a senha cristã: comigo, não tomais.
Os espíritos zombeteiros que lhe experimentavam o potencial da fé, vendo-o convicto e feliz na tarefa mediúnica, afastaram-se, certamente, um pouco doutrinados, surpresos pela grande lição recebida. Graças a Deus!

Ramiro Gama


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Irmão Francisco Portugal


Antena de LuzNosso prezado irmão Francisco Portugal sentara-se a nosso lado e dizia-nos, entristecido, não ter ainda uma possibilidade para abraçar o Chico e falar-lhe. E, em virtude de ver tanta gente na Sessão e em redor do Médium, calculava que seu desejo não seria satisfeito. Teria de assistir à Sessão e regressar no sábado à Petrópolis, onde reside, sem ao menos receber algo de que carecia, principalmente com relação a um irmão desencarnado. Rápido como um relâmpago, o Chico captou o anseio do seu Irmão pois, deixando de lado alguns amigos, já atendidos, chegou-se perto de nós e disse:
—Irmão Portugal, então você pensava que não o abraçaria, que não o tinha visto! Está enganado, você, como outros Irmãos, está também dentro de meu coração.
Nosso caro Irmão Portugal chorou de emoção. Depois da Sessão, o Chico lhe deu uma mensagem que recebeu. Mais se comoveu, o nosso irmão de Petrópolis, pois era de seu irmão desencarnado, que lhe veio contar particularidades de sua vida quando na Terra e agora no Espaço, dando-nos, com isto, uma prova real da sua imortalidade.
Antena de Luz, em verdade, é o caro Chico Xavier, porque sempre alerta, atraindo de mais Alto a misericórdia de Deus e sentindo, a todo instante, as nossas necessidades de galés, espíritos cheios de dívidas, buscando redenção.
Segue abaixo a Mensagem que o digno Irmão Francisco Portugal recebeu, em 1º de outubro de 1947, em Pedro Leopoldo, de seu Irmão Alfredo Portugal, por intermédio de Francisco Cândido Xavier:

Francisco, meu querido irmão, aqui me encontro ao lado de vocês, rogando a Deus que nos ajude e nos abençoe.
Perdoe-me se lhes falo aqui, de alma aberta, decorridos tantos anos sobre a minha forçada libertação.
Sou o peregrino que chega de longe cansado, desiludido… Quero esvaziar o cálice do coração, tocado pela nova fé que estou abraçando em seu lar abençoado. Compadeçam-se de meus pés feridos, de minhas mãos extenuadas, e ajudem-me. A morte provocada é um caminho doloroso, que nós mesmos povoamos de espinhos. Dizer-lhes das espessas trevas que atravessei é tarefa impossível. As palavras da Terra, se não conseguem exprimir o verbo dos anjos, também não expressam a indescritível angústia de todos aqueles que, como eu, penetram a noite do horror.
Se eu pudesse, retornaria agora ao mundo para sentir-me feliz no corpo mais defeituoso da Terra. A vida mais obscura, nos órgãos mais dolorosamente mutilados, constituiria, para mim, uma bênção e espero que vocês me amparem com o serviço das preces restauradoras. Graças a Jesus, o orvalho das orações de seu ninho doméstico caiu sobre mim à maneira de chuva suave e benéfica.
Depois de longo tempo nas trevas abismais, com a força que me proporcionaram, emergi da escuridão aflitiva e meus olhos, inflamados de nova luz, vertem lágrimas de esperança, aguardando o novo dia de lutas terrestres… Derramo lágrimas de renovação, porque compreendo hoje, em companhia de vocês, que a dor é um divino dom de salvação para a eternidade.
Sinto-me edificado porque entendo, na atualidade, que o sofrimento é a única força capaz de reerguer-nos para Deus. E aqui me têm vocês, agradecido e reconfortado, pedindo-lhes cada vez mais zelo na preservação dos tesouros que receberam. Vocês possuem uma lâmpada que nos faltava noutro tempo. Guardam, em casa, uma fonte de dádivas imperecíveis. A paz da alma e a possibilidade de fazer o bem com Jesus é, realmente, a verdadeira felicidade agora e sempre.
Perdoem-me se as minhas visitas, muitas vezes, lhes fizeram sentir indefiníveis amarguras.
Reconheço que Carolina e Jorge, principalmente, registraram, com mais intensidade, a minha presença e, em mais de uma ocasião, se deixaram dominar pela minha influência. Creiam, porém, que meu espírito permanece transformado e rogo a Deus para que nenhum de vocês, por mais venenosos sejam os espinhos da luta a que foram chamados, jamais se deixem vencer pelas sugestões sombrias da morte provocada.
Abracem a cruz da existência humana com alegria. As horas efetivamente preciosas da experiência material são aquelas em que podemos provar a nossa fé, o nosso espírito de sacrifício e a nossa vocação de renúncia. E essas horas não são encontradas entre as flores que persistem apenas por um dia, não se abrem nas câmaras felizes das vidas sem trabalho digno e frutuoso.
Atendamos ao convite divino, aceitando o benéfico desafio do mundo. Por não recebê-lo, com serenidade e amor, quase sempre perdemos nossas mais belas oportunidades de evoluir para os lucros efetivos da experiência.
Fujam da tristeza, do desânimo, da desesperação. Situem a mente no santuário da fé para vencerem os dragões da sombra que rondam à porta.
Não respirem o clima da invigilância e agradeçam ao Senhor tantas bênçãos de paz e luz porque, em verdade, seu lar é uma fonte de graças que devem ser aproveitadas a benefício de muitos.
Agradeço a Carolina, Zoé, Zilda, Jorge, Sylvio e Malena, as alegrias que me despertam na alma. Vocês receberam de Jesus um depósito sagrado e você, meu irmão, é a sentinela desses sublimes dons. Reduza, quanto estiver ao seu alcance, os problemas que ainda o prendem à luta material mais intensa, para que a bendita claridade do Alto se reflita com brilho sempre mais intenso em seus caminhos.
Sou apagado servidor da verdade, agora esperando o ensejo de regressar à luta, mas estarei ao lado de vocês, recebendo o conforto de seu auxílio e pronto a colaborar, de algum modo, a fim de revelar-lhes alguma coisa de meu infinito reconhecimento.

Alfredo

Como vemos, instrutiva e comovedora a Mensagem do irmão de Francisco Portugal, que se suicidara aos 21 anos, por motivos sentimentais. O Chico ignorava por completo a existência de todos os fatos relatados. Que sirva ela de lição preciosa para todos nós e para quantos, desanimados com a prova redentora, se deixem vencer pelas sugestões sombrias da morte provocada.

Ramiro Gama

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Conselhos abençoados

Cerca de 300 Lindos Casos que temos do Chico Xavier foram, em grande parte, obtidos quando o vimos em palestra com os assistentes do Luiz Gonzaga, respondendo a consultas, resolvendo problemas íntimos, consolando pelo desencarne de entes amados.
Nas respostas dadas, nos conselhos ministrados, nas consolações distribuídas, observamos dádivas de Deus, lições evangélicas, que devem ser divulgadas para beneficiarem a outros irmãos portadores de iguais problemas e vivendo idênticas provas dolorosas.
Até conselhos rápidos e abençoados guardamos do querido Médium. Nossa ida a Pedro Leopoldo é, pois, benéfica para nós, para nosso próximo, porque depois, escrevendo ou falando, vamos, com seus Lindos Casos, objetivar e documentar lições magistrais do Evangelho, com vistas às nossas tarefas, aos nossos deveres, aos nossos interesses, à nossa melhoria moral.
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Wanda Müller

Chico e amigaNossa irmã Wanda, abnegada esposa do nosso querido amigo Hélio Müller, residente em Petrópolis, pede ao Chico algo sobre sua mediunidade de desdobramento, em início, tanto mais que já houvera obtido um fenômeno de bi-corporeidade.
E a resposta veio: Você, irmã Wanda, tem, de fato, esse dom mediúnico. Mas a Maternidade fê-lo parar, por enquanto, porque há nela algo de sagrado, mais importante no momento. Quando você ficar mais idosa, sua mediunidade vai reaparecer mais desenvolvida, com possibilidade de ser de lhe mais útil e aos seus familiares.

Ramiro Gama

A influência do pensamento

Chico e amigo, em 1998Palestrávamos com o Chico a respeito de enfermidades graves e da influência que tem o pensamento sobre elas. E o Médium citou-nos um caso: uma sua conhecida era portadora de um câncer no útero e de nada sabia. A medicina da Terra sentiu-se impotente para curá-la. Emmanuel, colocado a par da situação, alvitrou: vamos, com a ajuda de Deus, medicá-la. É preciso, todavia, que ela continue ignorando sua enfermidade. Se souber, seu mal agravar-se-á e neutralizará todo o nosso esforço.
O tratamento foi feito e, por misericórdia de Deus a doente, que sempre ignorou seu padecimento, melhorou e hoje está curada…
Lembramo-nos de um doente, vítima do câncer, que se localizara na uretra, que vivia regularmente bem e sob tratamento médico, enquanto ignorava a causa da sua enfermidade. Mas, de repente, por descuido de um parente, veio a saber de sua moléstia. Alarmou-se. O Pensamento refletiu seu pavor na doença e influiu na sua piora. E desencarnou dias depois.

Ramiro Gama

Em dois jejuns permanentes

Se faz jejum espiritual constantemente, refreando a língua, cuidando do pensamento, vigiando os olhos e demais sentidos, para não perder a assistência de seus Mentores, o Chico também faz o jejum material abstendo-se de comer o que gosta e lhe faz mal.
Há tempos, foi vítima de uma cólica hepática que lhe amargou a existência por dois meses e fê-lo rolar de dor, no quintal de sua casa. José Xavier, que foi seu irmão na Terra e que hoje está no Além, ajuda-o na Missão mediúnica, recomendou-lhe que se alimentasse uma só vez por dia e mesmo assim de chuchus, batatas, pouquíssima carne e cozida em água e sal e, à tarde, que tomasse, tão somente, uma chávena de chá com uma bolacha apenas.
Sofreu o Chico bastante com a dieta recomendada. Uma de suas irmãs, às vezes, tentava-o oferecendo-lhe um pastel delicioso. Ele aceitava-o, esfregava-o nos lábios e, depois, arrependido, jogava-o às galinhas.
Hoje, graças ao seu poder de vontade e à ajuda de seus Amigos da Espiritualidade, está curado. Venceu a dolorosa prova da alimentação. De 99 quilos passou para 74. Sente-se mais leve, com melhor saúde e sem a repetição das cólicas.
Deus ajuda quem faz por onde.
Belo exemplo, para todos nós, que nos achamos apegados a tantas coisas inúteis e nem sempre damos o primeiro passo para delas nos libertarmos como um preparo à vida espiritual, que nos espera e onde tudo é Espiritualidade.

Ramiro Gama

Lembrando deveres

Chico Xavier e Ramiro GamaHá pessoas que se sentem mal diante daqueles que são verdadeiras cartas vivas do Cristo, porque suas presenças lembram-lhes deveres que não cumprem, visto que vivem fora do Roteiro Cristão.
Justifica-se, portanto, a aversão e, em seguida o remorso, que alguns irmãos têm quando vêm aqueles que palmilham caminhos estreitos e procuram seguir o Mestre de perto, testemunhando-lhe os Ensinos Salvadores.
Uma criatura, que estimamos, evita-nos a presença, porque nos poucos momentos em que nos encontramos, a conversa é toda referente ao Amigo Celeste, lembrando-nos o tempo perdido, os erros disseminados, os deveres que temos, por havermos lhe ouvido a Voz e atendido o chamado aos Seus Serviços.
Se tal se dá conosco, que não temos as virtudes do Chico, quanto não sofrerá, por isso, o nosso queridíssimo Médium, que vive em Pedro Leopoldo com a sua liberdade limitada, porque sua presença, para os que desejam da vida apenas direitos, lembra-lhes deveres libertadores, que vão deixando de cumprir junto à Realidade Viva, que é Jesus, o qual hoje ainda cumpre Deveres junto a Deus em benefício de todos nós.

Ramiro Gama

Dinheiro bem ganho e gasto

Fig. FAZENDA MODELO

Fazenda Modelo, Ministério da AgriculturaO Chico recebe um pequeno ordenado como datilógrafo da Fazenda Modelo, pertencente ao Ministério da Agricultura. Mesmo assim, afirma-nos que seu salário é demais para ele, que recebe além do que merece. Ganha-o, todavia, abençoadamente, visto que não falta um dia ao serviço e gasta-o, abençoadamente, menos consigo e mais com seu próximo. Veste-se pobremente e alimenta-se pouco. Recebe, por semana, umas quinhentas cartas pedindo-lhe receita. E dessas muitas vem sem o selo para a resposta. E o pobre Médium tira de seu pequeno salário a importância dos selos. Antigamente o selo de uma carta custava 50 centavos.

Ramiro Gama

Para não perder o clima

Para não perder o climaOs Médicos da Terra e do Espaço aconselham ao Chico para que tenha repouso e dó do seu corpo.
Vai, às vezes, forçado pelos amigos, para uma pensão, localizada à beira do mar, no Estado do Rio, a fim de buscar melhoras para a vista e o ouvido. Chega lá, e na hora em que todos descansam, põe-se, descuidadamente, a trabalhar, a receber as Mensagens dos Espíritos queridos.
E, quando é advertido amorosamente pelos seus colegas de repouso, justifica-se:
—Se não trabalhar, sofrerei mais e perderei o clima de Bom Ânimo e ajuda em que vivo.

Ramiro Gama

Quanta experimentação!

C. E. Luiz GonzagaO Chico faz a sua Prece antes e depois das sessões do Luiz Gonzaga.
Quando termina sua tarefa, que vai das 9 da noite às 2 da madrugada, depois de atender para mais de 2 mil pedidos de receitas, está esgotadíssimo e como quem, no seu dizer, houvesse levado uma grande surra de pau.
Todavia, com o auxílio de seus Amigos da Espiritualidade, se refaz e melhora.
Conta-nos, para que lhe sintamos a responsabilidade e o ajudemos, que, em meio às Sessões, sem que ninguém observe, espíritos zombeteiros procuram obscurantizar-lhe o Serviço, tentando contar-lhe histórias de crimes tenebrosos para que fracasse no seu desiderando cristão. E é preciso um grande esforço seu para se livrar de uma derrota. É por isso que os seus Guias recomendam, por ele, aos assistentes, uma concentração homogênea, sadia e, aos comentadores da Lição, extraída do Evangelho, uma explanação sincera, feita com humildade sem louvaminhas ao pobre Médium ou alusão a assuntos sem seiva evangélica…
E, no dia seguinte, como acabamento à experimentação da véspera, ao ir de charrete para a Fazenda Modelo, ainda é tentado. Espíritos, que ainda não ouviram a Voz do Divino Amigo e se perdem na estrada larga dos vícios, da provocação e do mal, procuram fazê-lo parar para lhes ouvir a continuação das histórias… E é orando e vigiando, pensando no Bem e na responsabilidade de servidor de Cristo, que consegue passar e se ver livre das ciladas… Se parar, se descuidar-se de orar e vigiar, perderá seu dia e dará de si um sinal de fraqueza.
Aí está mais um belo exemplo, revelando a vitória da oração e vigilância, quando realizadas com o coração suspenso e voltado para Jesus.

Ramiro Gama

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