Blog de Valim

Beijou o burrinho

Chico beijandoDe São Paulo chegou a Pedro Leopoldo um conhecido e estimado confrade. Ao entrar, às 20 horas, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, esbarra com o Chico e, demonstrando saudade e apego ao grande Médium, declara:
— Vim de São Paulo, especialmente, para lhe dar um beijo. E dando-lhe o beijo na face, conclui: beijando-o, tenho impressão de que beijei seu querido Guia Emmanuel.
— E o Chico, com toda candidez e humildade: Não, meu caro Irmão, você não beijou Emmanuel mas sim o seu burrinho, que sou eu.

Ramiro Gama

Prova da identidade dos Espíritos

Sebastião Carolino dos Santos

Ao sairmos do Rio, na tarde de 4 de março de 1956, nossa tia Luíza Gama dos Santos, conhecida na intimidade por Dona Lulu, recomendou-nos:
— Não se esqueça de pedir, na Sessão do Chico, pelo Carolino e por mim.
— Com muito prazer, não esqueceremos, afirmamos-lhe.
Em Pedro Leopoldo, assistimos às Sessões de segundas e sextas-feiras no Luiz Gonzaga.
Pedimos, nelas por tanta gente e esquecemos do pedido da caríssima Tia Lulu.
Na sessão do dia 7, segunda-feira, a que assistíramos, como despedida, no seu final, o Chico declara-nos:
— Ramiro, há um rapaz na Sessão de nome Dewet Couto, recém-desencarnado, que agradece as preces que tem feito por ele.
— É um colega de aviação de nosso filho Ramiro, confirmamos.
— E o Chico continuou: perto de Dona Zezé, bastante satisfeito, está um Espírito que se diz chamar: Sebastião Carolino dos Santos, que lhe envia o seguinte:
“Vivamos na Terra fazendo o bem porque o bem praticado é a única bagagem que assegura a paz do viajor da vida, além da morte.”
E pede-lhe para dizer à Dona Lulu: “O câncer me ajudou muito. Graças a Deus, depressa me aclimatei na Espiritualidade. A doença que chega devagarinho dá tempo da gente pensar e preparar-se.
Não pensávamos no caro irmão Dewet Couto e muito menos em nosso Tio Carolino, pois havíamos nos esquecido do pedido da Tia Lulu. Ficamos emocionados, pois havíamos recebido uma lição para nosso descuido e uma prova preciosa da sobrevivência e da identidade dos Espíritos. Graças a Deus!

Ramiro Gama

Culto Cristão do Lar

EvangelhoO tema de nossa predileção, tanto em nossos escritos, como em nossas humildes palestras, tem sido, há quase 30 anos, desde que nos tornamos espíritas, o Evangelho no Lar, Cristo em Casa.
E diz bem Emmanuel, com experiência e sabedoria, amorosamente prelecionando-nos:
“Quando o crente percebe a grandeza da Boa Nova, compreende que o Mestre não é apenas o Reformador da civilização, o Legislador da crença, o Condutor do raciocínio ou o Doador de felicidades terrestres, mas também, acima de tudo, o Renovador da vida de cada um”.
E, assim, “procura trazer o Amigo Celeste ao Santuário familiar, onde Jesus, então, passa a controlar as paixões, a corrigir as maneiras e a inspirar as palavras, habilitando o aprendiz a traduzir-lhe os ensinamentos eternos através de ações vivas, com as quais espera o Senhor estender o Divino Reinado da Paz e do Amor sobre a Terra”.
O Lar, que é a escola das almas, somente será Templo, quando aí penetrar o Evangelho, lâmpada encantada, no dizer de Goethe, que o resguardará de todo o mal, possibilitando-nos compreender e traduzir a Voz e os Ensinamentos do Divino Mestre.
Na hora presente, os Espíritos do Senhor não se cansam de nos enviar Mensagens, Poesias, pedindo-nos para acendermos, com Esse Livro da Vida, em torno de nós, uma claridade nova, que iluminará nossos passos e nos levará à vitória de nossa destinação.
Todos os sábados, há 30 anos, junto à cara companheira e de nossos filhos, o lemos e todos lhe comentamos as Lições sábias, e todos lhe sentimos o objetivo sagrado com relação à nossa reforma espiritual. E, graças a Deus, malgrado ainda sentirmos defeitos em nós, Jesus, o Cristo de Deus, já habita nossos corações e seu Livro, em lugar bem à vista, mora em nosso lar, a nos lembrar, em todos os momentos, os deveres para com Ele, junto à família, à sociedade e à Pátria, cujas fronteiras se alargaram para vermos em todos os romeiros da vida o nosso próximo e nossos irmãos.
De uma feita, pois, em Sessão no Luiz Gonzaga, fomos todos obsequiados com estas oitilhas de Luz, de João de Deus:

Do culto cristão do lar
Nasce a fonte cristalina
De bênçãos da Paz Divina,
De dons da Divina Luz!.
Nele, aprendemos a amar
A dor, a luta, a alegria
E a iluminação cada dia
Na inspiração de Jesus.
Cultiva em teu doce abrigo
A sublime sementeira
Que te guarde a vida inteira
No amor, na consolação.
Sentirás, então, contigo,
Sobre a crença que te abrasa,
O Evangelho vivo em casa
E o Mestre no coração!

Ramiro Gama

Cristo em Casa

Se desejas extinguir
A sombra que aflige e atrasa
Não olvides acender
A luz do Evangelho em casa.

Quando possível nas horas
De doce união no lar,
Estende a Lição Divina
Ao grupo familiar.

Na chama viva da prece
O culto nobre inicia
Rogando discernimento
A eterna sabedoria.

Mentiras da vaidade
Velhos crimes da avidez,
Calúnia e maledicência
Desaparecem de vez.

Serpentes envenenadas
De orgulho torvo e escarninho,
Sob o clarão da Verdade
Esquecem-nos o caminho.

Dificuldades e provas
Na dor amargosa e lenta
São recursos salvadores
Com que o Céu nos apascenta.

Logo após, lê meditando
O texto Renovador
Da Boa Nova Sublime
Que é fonte de todo Amor.

Verás a tranquilidade
Vestida em suave brilho,
Irradiando esperança
Em todo o teu domicílio.

Ante a palavra do Mestre
Generosa, clara e boa,
A experiência na Terra
É luta que aperfeiçoa.

E o trabalho por mais rude
No campo de cada dia
É dádiva edificante
Do bem que nos alivia.

É que na bênção do Cristo
Clareia-se-nos a estrada,
E a nossa vida ressurge
Luminosa e transformada.

Conduze, pois, tua casa
À inspiração de Jesus.
E o Evangelho em tua mesa
É pão da Divina Luz.

Casimiro Cunha Psicografia de Chico Xavier

Agora

Centro Espírita Luiz GonzagaNa sessão do Luiz Gonzaga, de 30/8/1951, estávamos presentes em companhia de vários confrades do Distrito Federal. O salão do Centro achava-se lotado. Às 19 horas, o Chico chegou e começou a atender os pedidos de autógrafos em livros ali adquiridos, e, a resolver, rapidamente, problemas íntimos de vários irmãos. Num momento de folga passou perto de nós e pediu-nos e ao nosso grupo:
— Vocês, que são mais esclarecidos, que são meus Amigos, procurem me auxiliar para obtermos bom ambiente, pois sinto relâmpagos no ar e trovoadas prenunciando aguaceiro.
Começamos, com auxílio de outros confrades queridos, a vasculhar o ambiente, contando casos evangélicos aqui e ali. Depois com a declamação de uma meiga menina de 8 anos, filha de um confrade ali residente, conseguimos melhorá-lo mais, pois tudo se vestiu de ternura, de poesia, de emoção. A voz carinhosa, sentimental, sincera, da irmãzinha, declamando versos de Casimiro Cunha, de João de Deus, e dizendo, de cor, várias passagens evangélicas, fez com que nossos pobres corações se suspendessem e vibrassem.
O Chico sentia e acabamos sentindo que, além de pensamentos e sentimentos futilizantes, por parte de algumas pessoas mais curiosas do que crentes, no ar cruzavam-se os pedidos mais estúrdios, os desejos de sinais nos céus… Uns a vibrarem por Mensagens de parentes desencarnados, outros querendo algo que lhes pudesse aumentar a fé e fazê-los solucionar determinados problemas materiais. E assim, com exceções, os pedidos eram diversos e nem todos integrando os apelos do Evangelho.
Quando a sessão foi iniciada, o ambiente era outro. E o abnegado Médium conseguiu começar sua Tarefa com duas assistências, a dos irmãos encarnados e desencarnados, em estado de oração, de respeito e de humildade. E, no seu final, como presente do Amor de Jesus, veio este Poema de Meimei, que nos deu o que precisávamos:

Agora

Se a consolação do Evangelho nos visitou a alma…
Se a bênção da fé nos ilumina…
Se a nossa confiança permanece restaurada…
Se a fraternidade é o ideal que buscamos…
Agora, realmente, a nossa vida aparece modificada.
Agora, conhecemos, agora temos e agora somos.

Porque, em Cristo, nossa alma sabe o que deve fazer, recebe do céu o suprimento de recursos e valores, de acordo com as nossas próprias necessidades e é demora de bênçãos e dons que nem todos, de momento, nos veem desfrutar.
Nosso horizonte jazia velado pelas trevas.
Antes, seria difícil a tarefa do auxílio.
Crisálidas da inteligência descansávamos no casulo da ignorância.
Agora, porém…
O Senhor, utilizando mil pequeninos recursos, acendeu a luz do conhecimento divino em nosso espírito e, com a visão mais alta da vida e do mundo, cresceram a nossa importância de pensar e a nossa responsabilidade de viver.
Se já te encontraste com Jesus, não te queixes.
Ontem, poderias alegar fraqueza e desconhecimento como pretexto para ferir ou repousar, fortalecendo o poder da inércia ou da sombra.
Hoje, porém, é o teu dia de servir e de caminhar.
Meimei

E todos saímos do Luiz Gonzaga aliviados, visitados, abençoados, estimulados, compreendendo cada qual que, agora, só deve ter uma preocupação, um dever imperioso, servir, servir, servir sempre…

Ramiro Gama

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Nos domínios da palavra

Não vamos tratar aqui da arte de falar e escrever bem, obedecendo às leis gramaticais.
Recordamos a palestra que tivemos, certa vez, com o Chico, sobre o que sai de nossa boca, que nos revela o caráter e a personalidade.
Sem que policiemos a língua, dificilmente conseguiremos ganhar o nosso dia. Quando damos acordo de nós já tomamos parte nos torneios da maledicência, conversamos futilidades ou demos respostas infelizes, que nos trarão sofrimentos e arrependimentos tardios.
E veio à tona o revide que recebemos pelo ar, do sem fio do Pensamento, de pessoas de quem, em momentos invigilantes, fizemos mau juízo…
Até punhaladas e tiros temos recebido, exclamou o Chico, particularizando-nos que de uma feita, porque advertira um companheiro, sem vestir-se da defesa da humildade, recebeu depois, do mesmo, quando menos esperava, um tiro, projetado sobre ele com a força de um pensamento carregado de ódio… Os amigos da Espiritualidade, por mercê de Deus, abrandaram o efeito do choque, mas, mesmo assim, passou vários dias com dor no ombro, que foi o ponto visado…
Nossa companheira, Zezé Gama, contou que recebera de uma empregada, há tempos, uma forte punhalada espiritual, nas costas, tudo porque, levemente, lhe chamara a atenção por uma falta cometida. Ficara vários dias, com dor em todo o tórax.
No belo livro Rosário de Coral, há um caso idêntico, lembramos.
E o inspirado Médium deu-nos uma verdadeira aula sobre os malefícios que uma língua descontrolada pode realizar, para que, mais uma vez, ficasse vitoriosa a assertiva evangélica: que não é o que entra mas o que sai de nossa boca que traz felicidade ou infelicidade, triunfo ou derrota para nosso pobre espírito.

Ramiro Gama

Prova de isolamento

Foto: DOM PEDRO II E A IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

D. Pedro II e Teresa CristinaVimos ainda uma senhora, aparentando ter uns sessenta e poucos anos, sofrendo a prova do isolamento. Está totalmente paralítica. Mora sozinha num quarto com uma cama e uma mesa apenas. A Peregrinação lhe possibilita alimentação material e assistência espiritual. Tem na fisionomia ares de nobreza, fazendo-nos crer que foi figura de relevo em algum Império…
E o Chico nos traduz sua prova: trata-se de alguém que foi Aia da imperatriz Tereza Cristina, esposa de D. Pedro II. Desencarnou em 1884, tendo, como pessoa de confiança da Imperatriz, castigado exageradamente muitas escravas, colocando-as em cubículos escuros, por vários meses, com alimentação de água e pão. Quando acordou na Espiritualidade, verificou a enormidade de seus crimes e pediu, com arrependimento sincero, a prova em que está. Ficou no Espaço poucos anos e a Misericórdia Divina lhe deferiu o pedido para ressarcir suas faltas. Às vezes, sente-se tão isolada, tão sozinha, tão sem ninguém em seu derredor, que lhe vem o desejo de suicidar-se. Então, por ato de bondade celestial, aparecem-lhe os Espíritos de D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina, que a acarinham, lhe dão ânimo e a deixam confortada com a certeza de que deve continuar sofrendo sem rebeldia, pois sua prova está a findar-se e, brevemente, estará libertada de seus débitos e com a transformação de suas inimigas em amigas, tanto trabalhadas pela sua missão humilde, resignada e crente, arrependida e boa.
Nota: Em 11/01/1958, quando datilografávamos este caso, a nossa irmã em prova desencarnou, feliz, sob a assistência de Chico.

Ramiro Gama


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Tudo se paga

Foto: PEREGRINAÇÃO EM 1971

Peregrinação em 1971Na Peregrinação pelo Morro das Viúvas vimos preciosas lições. Sentimos não as poder registrar todas aqui. São verdadeiras carapuças, gritos de alerta, abençoados estímulos para todos nós que as vimos, a fim de que, “colocando as barbas de molho”, aproveitemos o tempo e lutemos por apagar tudo, isto é, com o Bem feito hoje, o mal que fizemos ontem…

Com o açoite no braço

Vimos um homem sofrendo a prova da miséria, porque era doente e sem ninguém para o assistir.
O Chico pediu-lhe que nos mostrasse o braço direito. Tirou o paletó e nos colocou diante dos olhos um braço enorme com uns babados de carne mole, arroxeada, esquisita, mais parecendo um açoite enrolado, cheio de caroços.
Saímos impressionadíssimos de seu quarto. Mais adiante, o Chico explicou-nos: este nosso irmão foi, no passado, um capataz muito mau. Com aquele braço direito açoitou infinidades de escravos, muitos dos quais desencarnaram, vítimas de sua impiedade. Voltou assim, como vocês o veem, trazendo no braço o que lhe está no espírito, que é como um eco dos açoites irados que deu, e daí o sofrimento indescritível das suas vítimas. Aqueles babados já estão endurecendo-se e acabarão cancerosos, trazendo-lhe sofrimentos medicamentosos, a fim de que, com isso, inicie o pagamento de suas grandes faltas.

Ramiro Gama


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A lição foi também para nós

Como vemos, a lição preciosa, contada pelo caro Médium, tem a sua aplicação, na hora presente, junto a nós todos…
Igual ao ateu, outros irmãos existem fechados à realidade da missão redentora. Espíritos endurecidos, cheios de preconceitos, enferrujados pelo orgulho e pela vaidade, indiferentes ao seu progresso espiritual, por aí vivem sem Roteiro, colocando o coração no tesouro dos prazeres, do dinheiro fácil e no endeusamento à família material.
Quando menos esperam, vem o temporal das dores, os ciclones das separações, os relâmpagos das quedas do poder, e a grande hora de silêncio, para a meditação, chega também para que sintam que aqui viemos resgatar faltas do passado, penetrar pela porta estreita da virtude e entender os chamados do Grande Amigo, que há dois mil anos espera pela nossa chegada, como ovelhas perdidas, ao Seu Redil abençoado e acolhedor.

Fig. PONTE FRIA EM PEDRO LEOPOLDO

Ponte Fria em Pedro LeopoldoNo ambiente da Ponte achavam-se muitos confrades do Rio e de São Paulo, médicos, professores, advogados, homens de negócio, e todos compreendemos que a história contada pelo querido Chico foi um verdadeiro medicamento para as enfermidades de visitantes e visitados…
Acordara-nos para o Cristo de Deus, convidando-nos a abandonar as amarras dos vícios e das paixões, a lutar, com fé, pela nossa reabilitação, a renunciar, a amar e a perdoar. Para não termos mais ilusões. Para possuirmos o coração iluminado pelas Luzes do Evangelho, colocando-o no tesouro imortal dos Ensinos Daquele que é Caminho, Vida e Verdade: Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ramiro Gama

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Lição preciosa

Fig. AÇUDE EM PEDRO LEOPOLDO

Açude em Pedro LeopoldoAssim, conversava o caro Médium conosco, diante de um pequenino riacho, que rolava, baixinho, humildemente, aos nossos pés, colaborando com o ambiente, tão pobre de valores materiais, mas tão opulento de graças espirituais, cuja presença sentíamos comovidos.
Pressentindo, deste modo, a história dolorosa dos Irmãos visitantes e visitados, muitos dos quais membros familiares desencarnaram, uns pelo suicídio, por não aguentarem a experimentação permanente, outros, pelos seus sofrimentos, agravados, pela desesperação, o Chico pediu-nos a colaboração da palavra, a fim de que lhes contássemos casos evangélicos e para que, melhormente, pudéssemos ler e sentir uma Lição do Livro da Vida. Num clima de Sursum Corda (corações ao alto), atendemo-lo. Falamos a nós e aos presentes. Finalizamos, lembrando-nos de que somente nos desamarramos dos vícios e das paixões e nos damos pressa de atravessar o rio dos preconceitos em busca da Verdade, quando somos apartados de entes amados ou empurrados pelo aguilhão da dor. Pegando a nossa deixa, o prezado Médium, inspiradamente, contou-nos a pequena história abaixo, que muito nos comoveu e possibilitou vivêssemos todos um momento de respeito e exaltação à Palavra do Divino Mestre:

O Ateu

— Em certa localidade do interior de Minas Gerais, morava um ateu incorrigível. Era casado com linda e digna mulher e possuía um único filho, que contava 12 anos e se constituía o seu maior tesouro. O ateu, tanto quanto possível, não perdia a oportunidade de revelar seu ateísmo doentio, como que zombando da crença alheia. Sua prendada esposa o advertia, quase sempre, sem proveito. Continuava negando Deus, multiplicando seu ouro e adorando seu filho único…
Quando menos esperava, a morte veio, silenciosa, e levou-lhe o filho, entristecendo o coração materno e enchendo de desespero o coração do ateu.
Passaram-se dois anos. O ateu, agora, magro e pobre, sem a esposa, que também fora levada para o Além, sentia-se só e doente. Aconselhado por alguns amigos, batera à porta de vários Templos, até que, numa tarde abençoada, foi ter a uma sessão espírita.
Aí começou a receber os primeiros socorros. Seu coração, trabalhado pela dor, perdera as vestes negras da vaidade e do orgulho. E, numa noite, quando mais se mostrava convicto da verdade espírita, o filho incorpora-se num Médium e lhe fala:
— Meu pai, como me sinto feliz em vê-lo aqui! Como demorou a encontrar a grande Estrada! Graças a Deus, que veio! Mas foi preciso que eu e minha mãe pedíssemos muito, a seu favor, para que o Pai do Céu nos atendesse. E vou contar-lhe uma historieta que um de meus Mentores me contou com relação ao nosso caso:
Numa aldeia da Índia, vivia um fazendeiro rico, que se especializara na criação e seleção de animais. Possuía grande quantidade de vacas reprodutoras de boa qualidade. Era um homem bom e prestativo. Desejava ajudar a todos os seus irmãos de romagens na Terra. E, assim, resolveu partilhar sua obra com os seus vizinhos de outra aldeia, que limitava com seus rumos por um pequeno rio. Mandou selecionar alguns bois e uma vaca, que possuía um bezerro único e os enviou aos seus companheiros. Mas, na passagem do rio, todos os bois passaram, menos a vaca e o bezerro. Tudo foi tentado sem proveito. Alguém então alvitrou: amarrem o bezerro e atravessem com ele o rio, que a vaca acompanhá-lo-á. De fato, a vaca, vendo o filho amarrado, berrando, pedindo-lhe socorro, atravessando o rio, não se fez de rogada e também o atravessou…
— Aí está, meu pai, a lição preciosa que a historieta nos dá: foi preciso que eu fosse também amarrado pela enfermidade e jogado no rio da morte para que o senhor atravessasse o rio do preconceito e viesse até a mim e sentisse, como está sentindo, comigo, a vida verdadeira e, deste modo, iniciasse o resgate de suas faltas! Louvado seja Deus!

Chico Xavier


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