Blog de Valim

Nos serviços da cura

NÃO basta rogar ajuda para si. É indispensável o auxílio aos outros.
NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos pedidos de socorro. É preciso não reincidirmos nas faltas.
NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente. É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias.
NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na residência dos vizinhos. É imprescindível acendê-las no próprio coração.
NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a outrem. É imperioso cultivá-lo por nossa vez.
NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao próximo. Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta.
NÃO é integral a medicação para as vísceras enfermas. É indispensável que não haja ódio e desespero no coração.
NÃO adianta o auxílio do Plano Superior, quando o homem não se preocupa em retê-lo. Antes de tudo é preciso purificar o vaso humano para que se não perca a essência divina.
NÃO basta suplicar a intercessão dos bons. Convençamo-nos de que a nossa renovação para o bem, com Jesus, é sagrado impositivo de vida.
NÃO basta restaurar simplesmente o corpo físico. É inadiável o dever de buscarmos a cura espiritual para a vida eterna.

Bezerra de Menezes,
Psicografia de Chico Xavier, em 6.10.1947

O Missionário

Pés sangrando no trilho solitário
Dilacerado, exânime, proscrito,
– Ave do sonho em monte de granito –
Assim passa no mundo o Missionário.

Incompreendido e estranho visionário,
Contendo, a custo, o peito exausto e aflito,
Vai carregando as glórias do Infinito,
Entre as chagas e as sombras do Calvário.

Longas jornadas, ásperos caminhos,
No campo de grilhões, trevas e espinhos,
Onde semeia o trigo da Verdade!…

Virão, porém, os dias da colheita
E os celeiros da luz pura e perfeita,
No Divino País da Eternidade!

Cruz e Souza, psicografia de Chico Xavier,
em Pedro Leopoldo, 31.03.1944

Além

Além da sepultura, a nova aurora
Luminosa e divina se levanta!…
Lá palpita a beleza, onde a alma canta
A luz do amor que vibra e resplendora!

Ó corações que a lágrima devora,
Prisioneiros da dor que fere e espanta
Tende na vossa fé a bíblia santa,
E em vossa luta o bem de cada hora.

Além da morte, a vida tumultuada.
O trabalho divino continua…
Vida e Morte – Exultai ao bendizê-las!

Esperai nos pesares mais profundos,
Que a este mundo sucedem-se outros mundos,
E às estrelas sucedem-se as estrelas!

João de Deus, psicografia de Chico Xavier,
Juiz de Fora, 19.5.1942

Aos Obreiros do Bem

Operários do bem e da amizade,
Deus abençoe a santa eucaristia
Deste instante de luz e de alegria,
Iluminando a paz que nos invade!…

Devotados, obreiros da bondade,
Se a hora é de amargura e de agonia,
Prossigamos no esforço da harmonia,
Da doutrina sublime da verdade.

Meu Deus, que os missionários deste templo
Possam testificar, em tudo o exemplo
De renúncia, de amor, de vida e luz!…

Sede felizes, caros companheiros,
Laborando no bem dos brasileiros,
Sob a paz do Evangelho de Jesus!

Pedro D’Alcântara, psicografia de Chico Xavier
Rio de Janeiro, 22.09.1937

O supérfluo

Numa sexta-feira do mês de março de 1956, encontramos o Chico na hora do correio e palestramos. Depois, fomos andando e admirando os novos prédios que modificam a feição urbanística de Pedro Leopoldo. No ar sentíamos um assunto provocando-nos o Pensamento: o supérfluo. E lembramos ao Médium a preocupação demasiada de certas criaturas com a construção luxuosa de suas residências, colocando-lhes enfeites, bem-estar excessivo, dando ganho de causa à superfluidade. Perdem tempo, dinheiro, esforço, saúde na criação de monumentos residenciais. E depois não se beneficiam com os exageros de seu luxo, de sua vaidade, de sua preocupação material… Uns, como naquele caso evangélico, desencarnam deixando na terra o tesouro onde colocaram o coração… Outros não chegam a realizar seus sonhos, a desilusão vem no desencarne de um ente amado e em sofrimentos que lhes aparecem como verdadeiros educadores… O Chico, colaborando com a nossa conceituação objetiva contra o supérfluo, conta-nos casos preciosos.
Abraçamo-nos e cada um foi para seu lado. À noite, no Luiz Gonzaga, a sessão corre, como sempre, num clima de elevação e respeito. O Evangelho, aberto ao acaso, oferece-nos na preciosa Lição do Capítulo 16º: Não se pode adorar a Deus e a Mamon, e, no final, Emmanuel, obsequia-nos com a luminosa página com o título:

O Supérfluo

Por toda parte na Terra, vemos o fantasma do supérfluo enterrando a alma do homem no sepulcro da aflição.
Supérfluo de posses estendendo a ambição…
Supérfluo de dinheiro gerando intranquilidade…
Supérfluo de preocupações imaginárias, abafando a harmonia…
Supérfluo de indagações empanando a fé…
Supérfluo de convenções expulsando a caridade…
Supérfluo de palavras destruindo o tempo…
Supérfluo de conflitos mentais determinando a loucura…
Supérfluo de alimentação aniquilando a saúde…
Supérfluo de reclamações arrasando o trabalho…
Entretanto, se o homem vivesse de acordo com as próprias necessidades, sem exigir o que ainda não merece, sem esperar o que lhe não cabe, sem perguntar fora de propósito e sem reprovar nos outros aquilo que ainda não retificou em si mesmo, decerto a existência na Terra estaria exonerada de todos os tributos que aí se pagam diariamente à perturbação.
Se procuras no Cristo o Mentor de cada dia, soma as tuas possibilidades no bem, subtrai as próprias deficiências, multiplica os valores do serviço e da boa vontade e divide o amor para com todos, a fim de que aprendas com a vida o que te convém realmente à própria segurança.
O problema da felicidade não está em sermos possuídos pelas posses, quaisquer que elas sejam, mas em possuí-las, com prudência e serenidade, usando-as no bem de todos que é o nosso próprio bem.
Alija o supérfluo de teu caminho e acomoda-te com o necessário à tua paz.
Somente assim encontrarás em ti mesmo o espaço mental indispensável à comunhão pura e simples com o nosso Divino Mestre e Senhor.
Emmanuel

Como vemos, os Espíritos do Senhor, à frente o querido Guia de Chico Xavier, ouviram-nos a palestra construtiva, alegraram-se conosco, como se entristeceriam se nos ouvissem maldizendo e futilizando e, desejando colaborar com os nossos conceitos, sempre pobres de luzes, ofertaram-nos mais uma joia espiritual do tesouro de seus corações evangelizados.

Ramiro Gama

A prece dos criminosos

Nossa Irmã Maria José acercou-se do Chico na ocasião em que lhe contávamos os benefícios usufruídos pelos penitenciários do Distrito Federal com as visitas que lhes vêm fazendo, aos domingos, pela manhã, alguns diretores da Federação Espírita Brasileira. A conversão de muitos irmãos detentos à nossa Doutrina tem sido permanente, segura e confortadora. No final, quase sempre, cabe a um dos presos, em meio do pranto e do arrependimento, orar, agradecendo a Deus as graças recebidas. E nossa irmã atenta aos nossos comentários, indaga do querido médium:
—Se a prece representa um estado de alma pura, como poderá tê-lo o criminoso? Vale alguma coisa, aos olhos de Deus, a oração dos delinquentes?
E o prestativo servidor, em dia com os assuntos santos do Senhor, ajudado pelos seus esclarecidos mentores espirituais justifica:
—A prece de um criminoso, por ser a de um irmão faltoso, vale muito quando feita com arrependimento sincero. Numa prisão acham se encarnados e desencarnados, algozes e vítimas, ligados pelos laços do Amor de Deus. E, quando, dentre eles, um se mostra arrependido do mal que fez e, ajoelhando a alma, ora ao Pai, na linguagem do coração, na sinceridade e na humildade, com vontade de ressarcir suas faltas, uma surpresa aponta no íntimo dos outros colegas e todos acabam envolvidos na Resposta do Criador, que é sempre algo de incentivo de Seu Amor e de Suas Bênçãos!
Via de regra, depois de uma Prece assim feita entre almas dormidas, fechadas, endurecidas no crime, algumas acordam para a realidade do Roteiro Cristão, sentindo os remorsos primeiros, dando os primeiros passos em prol de sua redenção.

Ramiro Gama

Amar ao inimigo

Numa das sessões do Luiz Gonzaga, caiu por sorte a lição: Amar aos inimigos.
Muitos confrades, sentados em redor da mesa, abordaram, com inspiração e oportunidade, o tema utilíssimo. Chegando à nossa vez de falar, lembramos o que, a propósito, à véspera de nossa viagem, nos contara um colega de Ensino:
Morava junto a um vizinho briguento, insociável. Tudo fizera para o conquistar, para transformá-lo de inimigo de outras vidas em amigo e irmão da hora presente. Mas, tudo em vão.
Diante disto, alçara o coração e pedira ao Amigo Celeste uma inspiração, um meio para vencer seu adversário. E Jesus o atendeu. Deu-lhe, na hora aprazada, a instituição precisa. Dois filhos do vizinho, segundanistas de um Ginásio, por mais que se esforçassem, foram reprovados.
Como atenuante à derrota recebida, cada um, no entanto, foi apenas reprovado numa disciplina, podendo, reabilitar-se na segunda época. Mas a dificuldade estava na aquisição de um professor, que lhes desse aulas individuais e intensivas por um mês, pelo menos. O colega soube do sucedido e, por intermédio de sua esposa, mandou oferecer-lhes seus préstimos. Aceitaram e agradeceram. Durante todo um mês receberam os filhos do vizinho aulas individuais e intensivas, um sobre matemática e outro sobre português, que eram as matérias de reprovação. Chamados a exame na segunda época, ajudados também pelo Alto, que tudo observou, foram aprovados e promovidos ao terceiro ano. Isto sobremodo, concorreu para afastar as nuvens pesadas, os mal-entendidos constantes, a turra, as provocações, as inimizades do vizinho, que acabou conquistado com a graça que os filhos receberam. E, assim de forma tão fácil, porque inspirados pelos bons Espíritos, dois corações inimigos se uniram, desobstruindo o caminho de suas provas remissivas. O irmão, professor, mais esclarecido, colocou água na cabeça do seu adversário gratuito, no símbolo de favores, apagando com a água do amor o pequeno fogaréu de antipatias.
Outro confrade, colaborando conosco, contou outro caso, salientando o benefício da Prece intercessora, do pensamento bom, projetado sobre os que nos malquerem. O ambiente estava deveras comovedor.
Emmanuel, trazendo-nos a lição final, compendiando e resumindo o assunto versado, fechou com chave de ouro e tertúlia cristã, o substancioso ágape espiritual. O Chico, que tudo observara à despedida comentou:
—A Sessão, como sempre, foi benéfica para encarnados e desencarnados. Houve preciosas catequeses, lá e cá, de ovelhas tresmalhadas para o Redil do Mestre. É uma verdade o que foi conceituado; devemos acertar nossas contas, no dizer de André Luiz, com o vizinho do lado, da frente, da retaguarda e da vanguarda, enquanto a hora nos é favorável. Amanhã, todos os quadros podem surgir transformados.

Ramiro Gama

Vá com Deus

Chico Xavier enviando beijoO Chico veste-se humildemente. Possui apenas dois ternos, um do uso e outro da reserva. Certo Médium de São Paulo, que o visitava, vendo-o tão mal vestido, exclama:
— Pensava em encontrá-lo, como o maior Médium de todos os tempos, bem-vestido, bem “alojado”, vivendo uma vida folgada e o encontro assim, maltrapilho. Não está certo. Precisamos fundar a Sociedade dos Médiuns. O Chico sorri e nada responde…
Lembrando-se, conosco, deste caso, pondera-nos:
— Vivo assim e sempre hei de viver, enquanto estiver aqui, vivendo a minha prova. E ainda assim me criticam, achando-me rico, com dinheiro nos bancos. Imagine se vivesse diferentemente, o que não diriam. Depois, reportando-se ao passado, conta-nos:
Tempos atrás, passou momentos críticos. Um infeliz irmão, dado ao vício de tirar coisas alheias, entrou no seu quarto e, na sua ausência, levou-lhe o único terno, que possuía de reserva.
Ficou aflito mas não desesperado. Seus irmãos, sabendo do acontecido, reagiram.
Combinaram uma armadilha para pegar o viciado, certos de que ele voltaria, tanta facilidade encontrou para agir. E fizeram uma trouxa de roupas usadas e a colocaram à janela de seu quarto, bem à vista. Traduzindo-lhe as intenções, ofereceu-lhes o Chico para ficar de guarda. Aceitaram. E por algumas noites, vigiou. Quando menos esperava, alta hora da noite, vê alguém entrar no seu quintal, dirigir-se à sua janela, pegar na trouxa e levá-la. Deixou passar alguns minutos e, depois, deu o alarme. Levantaram-se os familiares apressadamente, inteiraram-se do roubo, e deram uma busca. Tudo em vão. Não encontraram o ladrão.
— Mas, Chico, como deixou o ladrão fugir, advertiu-lhe um dos irmãos.
— Estava cansado e dormi. Quando acordei já a trouxa não estava na janela, respondeu-lhe.
Mas, todos, ficaram contrafeitos, achando que, diante do acontecido, não deviam ter dó do Chico; que, por castigo, deveriam deixar que ele andasse só com um terno, até que, de sujo, se apodrecesse no seu corpo.
O caso morreu. Uma tarde, vinha o Chico na sua charrete, de volta da Fazenda, quando alguém fê-lo parar e lhe implora:
— Irmão Chico, pare, desejo lhe pedir perdão.
— Perdão de quê, meu irmão.
— Fui eu quem lhe roubou as roupas. E, quando fui verificá-las, encontrei seu bilhete, que me tocou o coração, pois que me dizia: vá com Deus! E até hoje sinto que estou com Deus e Deus está comigo e não posso roubar mais.
O Chico abraçou-o comovido, perdoou-lhe a falta e, satisfeito por vê-lo reformado, tornou a dizer-lhe:
— Vá com Deus, meu Irmão!

Ramiro Gama

Remédio para febre

— Chico, apenas hoje, vamos ficar até ao meio da Sessão, pois sentimos que a gripe nos pegou e nos trouxe febre…
O Médium deu-nos um abraço, chamou-nos para um canto e contou-nos rapidamente:
— No mês passado, numa sexta-feira, às 19 horas, comecei passar mal com febre. Já há dias vinha tossindo, sentindo dores no corpo, um grande desânimo. E, por isso, dizia de mim para comigo:
Hoje, não vou ao Centro, estou doente e preciso dar descanso ao corpo. As 19:45, achava-me sossegado, sentado numa cadeira de balanço, quando Néio Lúcio me aparece e diz:
— Então, é assim que o vero servidor atende a Jesus?
— Mas, estou doente, febril, Néio Lúcio.
— E você não fez por onde ainda para se livrar desta febre…
Faça por onde, leia um livro, realize o pouco para Jesus lhe dar o muito. E partiu.
Envergonhado de minha fraqueza, procurei alguma coisa para ler. No chão, vi o Jornal Batista. Abri-o com desinteresse e vi, logo na primeira página, um artigo com o título: Comigo, não temais… Li-o todo. Banhei-me na sua luz. E parti para o Centro com o final do belo artigo a falar-me: em serviço de Jesus o servidor nada deve temer, nem doenças e nem ameaças… Tomei parte na sessão, que correu, como sempre, na Paz do Senhor. No final, examinei-me e convenci-me de que não tinha mais febre, nem cansaço, nem dores no corpo…
Olhamos para o querido Médium. Sorrimos os dois. E ficamos até ao fim da Sessão para, no seu término, sentirmos que não tínhamos mais febre. Graças a Deus!

Ramiro Gama

Remédio para arrependimento

O Evangelho Segundo o EspiritismoPreparávamo-nos para a Sessão do Luiz Gonzaga, quando um viajante, hospedado no Hotel Diniz, pergunta a Dona Naná:
— Que é bom para arrependimento?
E a prezada Irmã nos indica como sendo o portador do remédio. Tratava-se de um caso que podíamos e devíamos resolver logo; assim, inteiramo-nos dele, tanto mais que nos achávamos no clima do Chico e, portanto, rodeado de bons Espíritos, cuja presença sentíamos.
O Irmão viajante havia brigado com a esposa por motivos fúteis. Estava, portanto, arrependido e desejoso de um remédio. Receitamos-lhe, de começo, a leitura do Evangelho e o convidamos a tomar parte na Sessão do Luiz Gonzaga, que deveria realizar-se daí a algumas horas. Aceitou e foi conosco. No fim, estava satisfeito. Ganhara o de que necessitava através do abraço do Chico e dos comentários da Lição da noite, que focou o assunto da cólera, fazendo-nos compreender os seus malefícios. Na manhã seguinte, seguiria para Belo Horizonte, onde reside.
Partimos à tarde. Quando chegamos à Capital mineira, tivemos o prazer de vê-lo, pois estava esperando-nos para nos apresentar sua esposa, que se mostrava radiante com a transformação do marido. E foi dizendo-nos:
— Meu esposo parece que ganhou a sorte grande assistindo à Sessão do Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, pois aí recebeu oportunos conselhos, como me disse, que valem pelos mais ricos dos presentes. E a prova aí está: fez as pazes comigo, arrependeu-se do que me disse, em momento de raiva, e jamais nos sentimos tão felizes! Trouxe-me o Evangelho Segundo o Espiritismo para que o leiamos todas as noites, porque foi nele que ganhou o remédio para o arrependimento, um roteiro novo para nossa vida no lar e fora do lar. Graças a Deus!

Ramiro Gama

Conteúdo sindicalizado