Blog de Valim

Muitos chamados, poucos escolhidos

Muitos dormem. Poucos despertam.
Muitos reprovam. Poucos ajudam.
Muitos aproveitam. Poucos semeiam.
Muitos estudam. Poucos aprendem.
Muitos determinam. Poucos executam.
Muitos suspiram pela felicidade. Poucos se conformam com o suor.
Muitos reclamam. Poucos cooperam.
Muitos sonham. Poucos fazem.
Muitos aconselham o bem. Poucos acompanham-nos.
Muitos pedem. Poucos dão.
Muitos desejam. Poucos trabalham.
Muitos perturbam. Poucos servem.
Muitos exigem. Poucos colaboram.
Muitos esperam. Poucos se movimentam.
Muitos apelam. Poucos atendem.
O mundo é uma grande escola de preparação e aperfeiçoamento, em cujas classes o Senhor convida nominalmente a todos para o progresso no engrandecimento comum, entretanto, raros se fazem escolhidos pela cooperação, pelo aproveitamento e pela boa vontade.

André Luiz
Psicografia de Chico Xavier, em 1951
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Diante do próximo

O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida.
No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes.
No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro.
Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que partilham conosco a mesma estrada e o mesmo clima.
Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum.
Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que se expressam por nossos instrutores.
Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar.
Auxilia-o com aquilo que possuas de melhor.
Os santos e os heróis ainda não residem na Terra. Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância.
Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola de rei e uma espada de tirano.
Se chamares o fidalgo, encontrarás um servidor…
Se procurares o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente....
Por isso mesmo, reafirmou Jesus o velho ensinamento da Lei – “ama o próximo, como a ti mesmo”…

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1951
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga

Juízo

Não é necessário que a morte abra as portas de tribunais supremos para que o homem seja julgado em definitivo.
***
A vida faz a análise todos os dias e a luta é o grande movimento seletivo, através do qual observamos diversas sentenças a se evidenciarem nos variados setores da atividade humana.
A moléstia julga os excessos.
A exaustão corrige o abuso.
A dúvida retifica a leviandade.
A aflição reajusta os desvios.
O tédio pune a licença.
O remorso castiga as culpas.
A sombra domina os que fogem à luz.
O isolamento fere o orgulho.
A desilusão golpeia o egoísmo.
As chagas selecionam as células do corpo.
Cada sofrimento humano é aresto do Juízo Divino em função na vida contingente da Terra.
Cada criatura padece determinadas sanções em seu campo de experiência.
***
Compreendendo a justiça imanente do Senhor em todas as circunstâncias e em todas as cousas, atendamos a sementeira do bem aqui e agora, na certeza de que, segundo a palavra do Mestre, cada espírito receberá os bens e os males do Patrimônio Infinito da Vida, de conformidade com as próprias obras.
Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1951
Centro Espírita Luiz Gonzaga

Sublimação

A Terra pode ser comparada a estádio imenso, onde cada criatura é convidada à realização de certas provas.
Não te detenhas na apreciação inoperante dos companheiros.
Inação é retaguarda.
Menor esforço é deficiência.
Aceita a luta que as circunstâncias te oferecem, reconhecendo nos recursos naturais que recebeste a manifestação da Divina Vontade e adianta-te, com destemor, para frente.
Se há regras humanas, destinadas à obtenção de equilíbrio e beleza para o corpo, há disciplina de sublimação para a harmonia e glória da alma.
Cada dia é desafio sereno da natureza, constrangendo-nos docemente à procura de amor e sabedoria, paz e elevação.
Os exercícios podem ser diários e variados, na obra de nosso aperfeiçoamento espiritual, quando fugirmos à estagnação e à indiferença.
É a corrida às obras do bem incessante.
É a caça aos valores morais.
É a pesca das bênçãos e solidariedade.
É o salto sobre os obstáculos da calúnia.
É a regata do suor no cumprimento do dever.
É o treino constante na aquisição de conhecimentos superiores.
É a competição da fraternidade em que o vencedor será sempre o irmão mais atencioso, nos pequenos sacrifícios.
É a difícil ginástica dos bons exemplos.
É o esforço da hospitalidade.
É a demonstração de paciência diante da ignorância.
É a disputa do serviço que devemos aceitar por dom celeste.
É o bom combate, sem armas e sem palavras, na correção de nós mesmos.
Amigo, atende aos imperativos da saúde física porque o vaso de carne é concessão do Senhor para a extensão do Infinito Bem, mas não te esqueças da saúde espiritual e consagra-te, sob a luz do Evangelho, aos esportes da própria sublimação.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1951.
Centro Espírita Luiz Gonzaga

Apliquemos

Não nos conformemos à pura condição de ouvintes, diante das verdades eternas.
Como classificar o aluno que estuda indefinidamente, sem jamais aprender, ou o homem que desaprovar sem experimentar?
Recordemos que tudo na vida é causa e efeito, ação e retribuição.
Quem descobre algo de importante para o bem, realmente, não foge a demonstrações.
Quem planta com segurança colhe a seu tempo.
Quem examina com atenção adquire conhecimento.
Quem analisa, com imparcialidade, alcança a luz da justiça.
Quem estima as indicações valiosas, procura segui-las.
Quem ama auxilia sempre, agindo em favor do objeto amado.
No círculo das ideias superiores, a lei não difere.
Se buscarmos o “mais alto”, não desdenhamos subir.
Se pretendermos a sublimação, não nos cabe olvidar a disciplina.
Se desejarmos o equilíbrio ou a reestruturação é necessário fugir à desarmonia.
Se tentarmos o convívio com as claridades da montanha, não podemos mergulhar o coração nas sombras do vale.
Se aspirarmos a ressurreição, não menosprezaremos o ato de renovar.
Se sonharmos com a Esfera Maior, na largueza dos nossos projetos e ideais, é imprescindível voar no campo restrito do “eu” à glória da vida universal.
As comparações simples lembram-nos as obrigações complexas, ante as leis que nos regem.
Sejamos dedicados ouvintes, procurando a posição de executores das lições recolhidas e cedo alcançaremos o prêmio do amor e da sabedoria que representam as duas faces de nossa felicidade eterna.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier, em 1951.

Página de Alerta

Meu amigo, enquanto esperar pelo socorro do alto, há no alto quem aguarda a movimentação de tuas possibilidades para que o Reino Divino se estabeleça nas regiões menos felizes da vida.
Procuremos o apoio do Céu, mas não nos esqueçamos do antigo dever de ajudar a Terra.
Muitos alongam o olhar pelas nuvens distantes e olvidam o campo que lhes retribui a mil por um, nas menores atividades da sementeira.
Inúmeros exibem a pequenina alfinetada que lhes fere a epiderme, diante da Providência Divina, entre apelos gritantes da aflição desmedida, contudo, ignoram deliberadamente que, às vezes, o irmão mais próximo carrega fardos de angústia sobre o coração, sem uma queixa, esperando por alguma distraída migalha dos banquetes de facilidade e conforto dos quais se rodeia.
Muitos suplicam revelações da vida espiritual, condicionando a própria fé às dádivas que receberem, entretanto, não se lhes dá que o vizinho desespere à míngua de uma palavra de incentivo e de amor.
Não poucos tecem hinos de rogativa ao Senhor, diariamente, entre a abastança excessiva e a cultura dilatada, vestindo-se indebitamente, na expressão de grandes sofredores, sem atinar com a fileira compacta dos nossos companheiros ignorantes, que aguardam leve centelha de luz.
Se acordares para as claridades da Boa Nova, edifica-te nas graças recolhidas, cultive a oração e santifica o ideal que te enobrece a mente, mas não abandones o lugar de servidor.
Em casa, na paisagem do serviço comum, na via pública, nos parques festivos, nas mansardas da provação, nos círculos da caridade, nas escolas, nas instituições edificantes, há sempre irmãos esperando por nós, situações e problemas que nos solicitam cooperação, ajuda e entendimento.
Fortalece-te no contato com a fé e prossegue no serviço que te cabe.
Trabalha sem esmorecer, dá de ti mesmo, liberta o coração prisioneiro de enganos mil, através dos raios benditos do suor, na felicidade dos semelhantes. E, se nos orientarmos em tais normas, guardemos a convicção de que, um dia, as portas da divina imortalidade ser-nos-ão abertas no eterno e glorioso caminho.

Emmanuel

Psicografia de Chico Xavier, em 7.08.1950.

A Tradução Divina

Todos buscamos a confortadora emoção do contato com Jesus através de exposições variadas da Boa Nova, nas mais diversas línguas.
Sedentos de luz tentamos interpretações novas do Mestre, em novos tons e diferenciados estilos. Estudamos passagens múltiplas de seu apostolado, gastando dias e existências na pesquisa de valores da Revelação. Por vezes, discutimos, acaloradamente, transformando-nos, não raro, em ásperos paladinos da verdade, na ânsia de aproximação do Amigo Divino, consumindo o tempo na experimentação, no exame, na expectativa…
Mas, se na realidade somos os aprendizes de muitos séculos, ouvintes e beneficiários do Sublime Orientador que jamais se enfada de nossas indagações, quase sempre caracterizadas pela imobilidade, famintos de bênçãos a procura de exposições humanas dos ensinamentos do Céu, o Senhor aguarda, igualmente, com justificada sede de compreensão, a tradução divina do seu Evangelho de Amor, em nossas próprias vidas, nas linhas retas de nossas atitudes, nas frases construtivas do nosso sentimento, nos trechos edificantes de nossos testemunhos de fé e nos discursos substanciais de nossas ações de fraternidade e serviço, elevação e regeneração, uns à frente dos outros.
Entre nós, precisamos de letrados e oradores, de artistas intelectuais e de mordomos do verbo para semear a Boa Nova, mas Jesus pede simplesmente irmãos e amigos, companheiros e lidadores, tocados de confiança, simplicidade e dedicação, que lhe expressem no mundo a conceituação dignificante da vida.
Esforcemo-nos para que não estejamos somente aptos a traçar a fraseologia convincente e brilhante, por intermédio da palavra ou do lápis, ensinando a ciência da renovação para a vida superior, que nos constitui elevado dever, mas que nos habilitemos também à divina tradução do Testamento de Luz, convertendo as nossas experiências em páginas vivas de exemplificação santificante e beleza imortal.

Emmanuel,
Psicografia de Chico Xavier em 12.06.1950.

O Selo do Amor

Pelo caminho da ascensão espiritual, denominado “cada dia”, encontrará variados recursos de aprimoramento, a cada passo:
É o trabalho que te espera a noção de responsabilidade no devotamento ao dever.
É a oportunidade de praticar o bem, incessantemente.
É o companheiro da parentela consanguínea que te não compreende ainda e, junto do qual, podes exercer o ministério do auxílio e do perdão.
É o adversário que te combate os propósitos de melhoria com quem a luta te possibilita a hora de paciência e aprendizado.
É a tentação sedutora, que nasce das profundezas de teu próprio ser, em cujo clima é possível desenvolver a tua resistência para a aquisição de novo poder moral.
É o espinho que te fere ou a pedra que te maltrata, que se fazem benfeitoras de tua jornada, por te descerrarem o santuário da prece e da humildade, se a tua mente vive acordada à luz do Senhor.
É a dificuldade que, muitas vezes, te surpreende nos lábios dos mais queridos, constrangendo-te à consolidação de virtudes imprecisas.
Segue, pois, adiante, amando, crendo, esperando e servindo sempre.
Cada obstáculo e cada amargura guardam raízes no processo educativo de nossa própria regeneração.
Cada ensinamento tem o seu lugar, a sua hora e a sua finalidade.
Aproveitar semelhantes bênçãos, de conformidade com os padrões de Jesus, que passou entre nós fazendo o bem, que nos ama desde o princípio e que permanecerá conosco, até o fim dos séculos.
Dirás, talvez, diante de nosso apelo: - “Não compreendo, não me lembro, não posso”.
O Senhor, entretanto, não nos impõe fardos que não possamos suportar, não nos endereça problemas que não estejamos aptos a resolver e jamais esqueçamos de que a reencarnação traz o selo do amor divino, em benemérito esquecimento, enriquecendo-nos de bênçãos de reaproximação, fraternidade e serviço, a fim de executarmos, sem percalços invencíveis, o trabalho de nossa própria redenção.

Emmanuel

Perdão na intimidade

Quando nos referimos a perdão, habitualmente mentalizamos o quadro clássico em que nos vemos à frente de supostos adversários, distribuindo magnanimidade e benemerência, qual se pudéssemos viver sem a tolerância alheia.
O assunto, porém, se espraia em ângulos diversos, notadamente naqueles que se reportam ao cotidiano.
Se não soubermos desculpar as faltas dos seres que amamos, e se não pudermos ser desculpados pelos erros que cometemos diante deles, a existência em comum seria francamente impraticável, porquanto irritações e azedumes devidamente somados atingiram quotas suficientes para infligir a desencarnação prematura a qualquer pessoa.
Precisamos muito mais do perdão, dentro de casa, que na arena social, e muito mais de apoio recíproco no ambiente em que somos chamados a servir, que nas avenidas rumorosas do mundo.
Em auxílio a nós mesmos, todos necessitamos cultivar compreensão e apoio construtivo, no amparo sistemático a familiares e vizinhos, chefes e subalternos, clientes e associados, respeito constante a vida particular dos amigos íntimos, tolerância para os entes amados, com paciência e olvido diante de quaisquer ofensas que assaltem os corações. Nada de aguardamos sucessos calamitosos, dores públicas e humilhações na praça, a fim de aparecermos na posição de atores da benevolência dramatizada, apesar de nossa obrigação de fazer o bem e esquecer o mal, seja onde for.
Aprendamos a desculpar – mas a desculpar sinceramente, de coração e memória, – todas as alfinetadas e contratempos, aborrecimentos e desgostos, no círculo estreito de nossas relações pessoais, exercitando-nos em bondade real para ser realmente bons.
Tão somente assim, lograremos praticar o perdão que Jesus nos ensinou. E se o Mestre nos ensinou perdoar setenta vezes sete aos nossos inimigos, quantas vezes deveremos perdoar aos amigos que nos entretecem a alegria de viver? Decerto que o Senhor se fez omisso na questão porque tanto nossos companheiros necessitam de nós, quanto nós necessitamos deles, e, por isso mesmo, de corações entrelaçados no caminho da vida, é imprescindível reconhecer que, entre os verdadeiros amigos, qualquer ocorrência será motivo para aprendermos, com segurança, a abençoar e entender, amar e auxiliar.

Chico Xavier/Emmanuel
Do livro Alma e Coração

Programa Cistão

Aceitar a direção de Jesus.
Consagrar-se ao Evangelho Redentor.
Dominar a si mesmo.
Desenvolver os sentimentos superiores.
Acentuar as qualidades nobres.
Sublimar aspirações e desejos.
Combater as paixões desordenadas no campo íntimo.
Acrisolar a virtude.
Intensificar a cultura, melhorando conhecimentos e aprimorando aptidões.
Iluminar o raciocínio.
Fortalecer a fé.
Dilatar a esperança.
Cultivar o bem.
Semear a verdade.
Renovar o próprio caminho, pavimentando-o com o trabalho digno.
Renunciar ao menor esforço.
Apagar os pretextos que costumam adiar os serviços nobres.
Estender o espírito de serviço, secretariando as próprias edificações.
Realizar a bondade, antes de ensiná-la aos outros.
Concretizar os ideais elevados que norteiam a crença.
Esquecer do perigo no socorro aos semelhantes.
Colocar-se em esfera superior ao plano escuro da maledicência.
Ganhar tempo, aproveitando as horas em atividade sadia.
Enfrentar corajosamente os problemas difíceis na experiência humana.
Amparar os ignorantes e os maus.
Auxiliar os doentes e os fracos.
Acender a lâmpada da boa vontade onde haja sombras e incompreensão.
Encontrar nos obstáculos os necessários recursos à superação de si próprio.
Perseverar no bem até o fim da luta.
Situar a reforma de si mesmo, em Jesus Cristo, acima de todas as exigências da vida terrestre.

Emmanuel,
psicografia de Chico Xavier, em 11.10.1947

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