Blog de Valim

Evocação do Natal

Nascimento de Jesus
O maior de todos os conquistadores, na face da Terra, conhecia, de antemão, as dificuldades do campo em que lhe cabia operar.
Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações; no entanto, buscou-as, espontâneo, asilando-se no casebre dos animais.
Sabia que os doutores da lei ouvi-lo-iam indiferentes, com respeito aos ensinamentos da vida eterna de que se fazia portador; contudo, entregou-lhes, confiante, a Divina Palavra.
Não desconhecia que contava simplesmente com homens frágeis e iletrados para a divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na plataforma sublime, e abraçou-os, tais quais eram.
Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham cerradas, mas transmitiu as Boas Novas do Reino da Luz à multidão dos necessitados, inscrevendo-as na alma do povo.
Não ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que espalhava; entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade, com brandura e entendimento.
Permanecia convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava levantariam contra ele as matilhas da perseguição e do ódio; todavia, não desertou do apostolado, aceitando, sem queixa, o suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz.
É por isso que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se renova alegremente entre os homens, mas, acima de tudo, é a reiterada Mensagem do Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar deficiências e imperfeições, trevas e chagas, mas que é nosso dever amá-lo e ajudá-lo mesmo assim.

Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier.
Do livro Antologia Mediúnica do Natal.

O Anúncio Divino

Nascimento de Jesus

"Pois, na cidade de David, nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor".
Lucas: 2-11

A palavra do anjo aos pastores continua vibrando sobre o mundo, embora as sombras densas que envolvem as atividades dos homens.
Como aconteceu, há dois mil anos, a Espiritualidade anuncia que nasceu o Salvador.
Onde se encontram os que desejam a luminosa notícia?
Nas cidades e nos campos, há multidões atormentadas, corações inquietos, almas indecisas.
Muita gente pergunta pela justiça do Céu.
Longas fileiras de criaturas procuram os templos da fé, incapazes, porém, de ouvir o anúncio Divino.
A família cristã, em grande parte, experimenta a incerteza dos mais fracos.
Muitos discípulos cuidam somente de política, outros apenas de intelectualismo ou de expressões sectárias.
Entretanto, sem que o Cristo haja nascido na "Terra do Coração", a política pode perverter, a filosofia pode arruinar, a seita é suscetível de destruir pelo veneno da separatividade.
A paisagem humana sempre exibiu os quadros escuros do ódio e da desolação.
No longo caminho evolutivo, como sempre, há doentes, criminosos, ignorantes, desalentados, esperando a divina influência do Mestre. Muitos já ouviram ou pregaram as mensagens do Evangelho, mas, não desocuparam o coração para que Jesus os visite.
Não renunciam às cargas pesadas de que são portadores e, cedo ou tarde, dão a prova de que, nos serviços da fé, não passaram de ouvintes ou transmissores. No íntimo, não obstante a condição de necessitados, guardam, ciosamente, o material primitivista do "homem velho".
Esquecem-se de que Jesus é o amigo renovador, o Mestre que transforma.
Os séculos transcorrem.
As exigências de cada homem sucedem-se no caminho terrestre.
E a espiritualidade continua convidando as criaturas para as esferas mais altas.
Bendito, assim, todo aquele que puder ouvir a voz do anjo que ainda se dirige aos simples de coração, sentindo entre as lutas terrestres, que o Cristo nasceu hoje no país de sua alma.

Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

A oração

A oração para a inteligência que aceitou a luz da fé viva, em todas as circunstâncias, será:
UM TEMPLO – em cuja doce intimidade encontraremos paz e refúgio.
UMA FONTE – em que possamos aliviar a alma opressa.
UMA TORRE – da qual divisemos horizontes novos.
UMA ESTAÇÃO – que projete nossa mensagem de sofrimento ou de júbilo para o céu.
UM CAMPO – em que semeemos as bênçãos da intercessão e do amor.
UMA PASSAGEM – que nos confira acesso aos montes mais altos da vida.
UM BÁLSAMO – que cure nossas chagas interiores.
UMA LÂMPADA – que acendemos para a jornada.
UMA SENTINELA – que nos defenda contra o mal.
UMA FLOR – que espalhe o perfume de nossa esperança.
UM ALTAR – em que ouçamos a voz divina, através da consciência.
UM DIAPASÃO – que coloque nossos desejos no tom sublime da vontade celestial.
Jesus orou sempre.
Seja a prece a claridade diurna sobre o roteiro dos nossos destinos.

André Luiz, psicografia de Chico Xavier

Alegria

Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo.
Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.
A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.
Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.
Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.
Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.
A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz.

Meimei, psicografia de Chico Xavier

Tópicos da prece

Bezerra de MenezesElevemos o nosso coração, sempre que possível, ao Senhor e confiemos em Sua Infinita Bondade!
Na prece está a nossa força e, no serviço do Bem, o nosso refúgio!
Confiemos nosso pensamento à oração e nossos braços ao trabalho com Cristo Jesus.
E Jesus solucionará os nossos problemas com a bênção do tempo.
Paz e esperança ao coração! Cada noite, apesar do cansaço, não olvides alguns minutos com a oração, para que se nos refaçam as forças.
As tarefas seguem intensas, contudo, quanto possível, os Amigos Espirituais procuram amparar-nos as energias e acrescentá-las ainda mais.
Meus irmãos, muitos Amigos da Espiritualidade, sustentam-nos as forças na travessia difícil das horas que passam.
Através da oração recolheremos, como sempre, a inspiração de que necessitamos na superação das lutas redentoras.
Guardemos a tranquilidade mental!
Através da oração, as tarefas do lar são sustentadas com a bênção do Alto.
Receberemos, pela oração, o concurso espiritual, rogando a Jesus para que os nossos corações sejam fortificados no caminho de dor e luz em que nos encontramos.
Agradeçamos a Jesus as bênçãos de cada dia e confiemos na proteção divina, hoje e sempre!
Cada noite, consagremos alguns momentos à oração, momentos esses de que se valerão os Amigos Espirituais que nos amparam a fim de insuflar-nos novas forças para o desempenho de nossas tarefas.
Reanimemo-nos e guardemos o bom ânimo na certeza de que a fé viva em Deus é luz que nos auxilia a dissipar todas as sombras.
Jesus nos abençoe!
Roguemos a Ele, nosso Eterno Benfeitor, nos abençoe os planos de trabalho e renovação à frente do futuro.

Chico Xavier/Bezerra de Menezes
Do Livro: Apelos Cristãos

Mortos amados

Cada mensagem psicografada é antecedida pelas explicações do médium sobre a reunião em que ela foi obtida e os motivos que a determinaram.

"Diversas pessoas que nos visitavam pela primeira vez haviam perdido entes queridos, solicitando algo que as consolasse após a desencarnação dos entes amados. Aberta a reunião, os estudos recaíram no item 21 do capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, cuja leitura e interpretação foram brando consolo em auxílio de nós todos.
Ao término das tarefas indicadas para a noite, o nosso caro amigo espiritual de sempre Emmanuel, por nosso intermédio escreveu a mensagem: Mortos Amados".

Na Terra, quando perdemos a companhia de seres amados, ante a visitação da morte, sentimo-nos como se nos arrancassem o coração, para que se faça alvejado fora do peito.
Ânsia de rever sorrisos que se extinguiram, fome de escutar palavras que emudeceram.
E bastas vezes, tudo o que nos resta no mundo íntimo é um veio de lágrimas estanques, sem recursos de evasão, pelas fontes dos olhos.
Compreendemos, sim, neste outro lado da vida, o suplício dos que vagueiam entre as paredes do lar ou se imobilizam no espaço exíguo de um túmulo, indagando porquê....
Se varas semelhantes sombras de saudade e distância, se o vazio te atormenta o espírito, asserena-te e ora, como saibas e como possas, desejando a paz e a segurança dos entes inesquecíveis que te antecederam na Vida Maior.
Lembra a criatura querida que não mais te compartilha as experiências no plano físico, não por pessoa que desapareceu para sempre e sim à feição de criatura invisível, mas não de toda ausente.
Os que rumaram para outros caminhos, além das fronteiras que marcam a desencarnação, também lutam e amam, sofrem e se renovam.
Enfeita-lhes a memória com as melhores lembranças que consigas enfileirar e busca tranquilizá-los com o apoio de tua conformidade e de teu amor.
Se te deixas vencer pela angústia, ao recordar-lhes a imagem, sempre que se vejam em sintonia mental contigo, ei-los que suportam angústia maior, de vez que passam a carregar as aflições sobretaxadas com as tuas.
Compadece-te dos entes amados que te precederam na romagem da grande renovação.
Chora, quando não possas evitar o pranto que se te derrama da alma; no entanto, converte quanto possível as próprias lágrimas em bênçãos de trabalho e preces de esperança, porquanto eles todos te ouvem o coração na vida superior, sequiosos de se reunirem contigo para o reencontro no trabalho do próprio aperfeiçoamento, à procura do amor sem adeus.

Emmanuel, Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Na Era do Espírito. Lição nº 13. Página 79.

Ofensas e ofensores

Tão logo apareçam diante de nós quaisquer problemas de injúria, prejuízo, discórdia ou incompreensão, é imperioso observar quão importante para o espírito é o estudo das próprias reações, a fim de que a mágoa não entre em condomínio com as forças que nos habitam a mente.
Ressentir-nos é cortar os tecidos da própria alma ou acomodar-nos com o veneno que se nos atira, acalentando sofrimento desnecessário ou atraindo a presença da morte. Isso porque, à face da lógica, todas as desvantagens no capítulo das ofensas pesam naqueles que tomam a iniciativa do mal.
O ofensor pode ser a criatura que está sob lastimáveis processos obsessivos, que carrega enfermidades ocultas, que age ao impulso de tremendos enganos, que atravessa a nuvem do chamado momento infeliz, e, quando assim não seja, é alguém que traz a visão espiritual enevoada pela poeira da ignorância, o que, no mundo, é uma infelicidade como qualquer outra. Cabem, ainda, ao ofensor o pesadelo do arrependimento, o desgosto íntimo, o anseio de reequilíbrio e a frustração agravada pela certeza de haver lesado espiritualmente a si próprio.
Aos corações ofendidos resta unicamente um perigo – o perigo do ressentimento, que, aliás, não tem a menor significação quando trazemos a consciência pacificada no dever cumprido.
Entendendo isso, nunca respondas ao mal com o mal.
Considera que os ofensores são, quase sempre, companheiros obsessos ou desorientados, enfermos ou francamente infelizes, a quem não podemos atribuir responsabilidades maiores pelas condições difíceis em que se encontram.
Recomendou-nos Jesus: “Amai os vossos inimigos”.
A nosso ver, semelhante instrução, além de impelir-nos à virtude da tolerância, faz-nos sentir que os ofendidos devem acautelar-se, usando a armadura do amor e da paciência, a fim de que não sofram os golpes do ressentimento, de vez que os ofensores já carregam consigo o fogo do remorso e o fel da reprovação.

Chico Xavier/Emmanuel
Do livro Alma e Coração

Em plena Nova Era

Eurípedes BarsanulfoHá criaturas que deixaram, na Terra, como único rastro da vida robusta que usufruíam na carne, o mausoléu esquecido num canto ermo de cemitério.
Nenhuma lembrança útil.
Nenhuma reminiscência em bases de fraternidade.
Nenhum ato que lhes recorde atitudes como padrões de fé.
Nenhum exemplo edificante nos currículos da existência.
Nenhuma idéia que vencesse a barreira da mediocridade.
Nenhum gesto de amor que lhes granjeasse sobre o nome o orvalho da gratidão.
A Terra conservou-lhes, à força, apenas o cadáver - retalho de matéria gasta que lhes vestira o espírito e que passa a ajudar, sem querer, no adubo às ervas bravas.
Usaram os empréstimos do Pai Magnânimo exclusivamente para si mesmos, olvidando estendê-los aos companheiros de evolução e ignorando que a verdadeira alegria não vive isolada numa só alma, pois que somente viceja com reciprocidade de vibrações entre vários grupos de seres amigos.
Espíritas, muitos de nós já vivemos assim!
Entretanto, agora, os tempos são outros e as responsabilidades surgem maiores.
O Espiritismo, a rasgar-nos nas mentes acanhadas e entorpecidas largos horizontes de ideal superior, nos impele para frente, rumo aos Cimos da Perfectibilidade.
A Humanidade ativa e necessitada, a construir seu porvir de triunfos, nos conclama ao trabalho.
O Espírito é um monumento vivo de Deus - o Criador Amorável. Honremos a nossa origem divina, criando o bem como chuva de bênçãos ao longo de nossas próprias pegadas.
Irmãos, sede os vencedores da rotina escravizante.
Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões.
O espírito deve ser conhecido por suas obras.
É necessário viver e servir.
É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que pó!

Pelo Espírito Eurípedes Barsanulfo. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: O Espírito da Verdade.

Pequeno curso de vigilância

Diante do mal, santifica teus olhos.
Perante o bem, liberta a palavra.
Ante a ignorância, usa o entendimento.
Com os superiores, vigia teus modos.
Com os subordinados, guarda os ouvidos.
Na alegria, exerce a temperatura.
Na dor, aprende a lição.
Na abastança, não te esqueças de dar.
Na escassez, não olvides o esforço próprio.
Na festa, evita os lugares destacados.
No círculo do sofrimento, estende mãos fraternas.
Em negócios do mundo, repara os teus meios.
Nos interesses da alma, não desdenhes a própria renúncia.
No trabalho, observa o tempo.
Na prece, vigia a atitude.
Na estrada, ajuda ao companheiro.
Na bênção, não te esqueças dos outros.
Em público, retifica o temperamento.
Em família, preserva a língua.
Quando sozinho, vigia o pensamento.
Cada estrela possui brilho peculiar.
Cada flor tem diverso perfume.
Cada criatura humana, centro de soberana inteligência, emite raios vivos dos sentimentos e propósitos que ambienta e reproduz, na intimidade de si mesma.
Em razão disso, ao discípulo do Evangelho se pede vigilância, não somente para dissolver a tentação de nossa própria inferioridade, mas também para que sejamos lâmpadas ativas da Luz Imortal.

André Luiz

Pregação

Pregação de EstevãoA pregação não resulta de simples operação verbal.
Nossa vida está “falando sem palavras” em todas as circunstâncias.
Você dá testemunhos do próprio íntimo, em toda parte.
Em casa – no seu modo de agir.
Junto da multidão – no seu trato com os outros.
No serviço comum – no uso da posição em que se encontra.
Nas manifestações da fé – em seus propósitos.
Na alegria – através da conduta.
No sentimento – na capacidade de resistir.
Na luta – por intermédio da perseverança.
Na dificuldade – no poder de concentrar-se na direção do êxito.
No estudo – no aproveitamento.
No ideal – na aplicação à atividade.
Nas profundezas do coração – pelo autodomínio.
Cada dia é uma oportunidade desvendada à vitória pessoal, em cuja preparação “falamos seguidamente” de nós mesmos.
Lembre-se, porém, de que muita gente se vale dos recursos da ação, da habilidade, do encargo, da persistência, da concentração, da cultura intelectual e da relativa independência, pregando o triunfo isolado da inteligência para reinar sobre os interesses da carne, durante alguns dias; os aprendizes de Jesus, entretanto, usam semelhante poderes, na renovação do próprio espírito, aprendendo com a renúncia, com o trabalho, com a tolerância fraterna e com o sacrifício deles mesmos a governar os impulsos da vida inferior, no trânsito pela Terra, adquirindo a verdadeira luz para a glória real da Vida Sem Fim.

André Luiz