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Bom Ânimo

Amanhecer no Campo

Não te entregues à lágrima somente
Quando a Dor te procure o coração.
Em todo clima, vive muita gente,
Perdendo o dom da vida inutilmente
Na noite espessa da lamentação.

Não te prendas ao sangue da pedrada,
Nem te aguilhoes a escombros…
Continua, com o Cristo, a caminhada,
Sustentando a esperança iluminada
Na cruz de espinhos que te verga os ombros.

Todo aquele que chora em demasia,
Na sementeira de miséria e luto,
Colhe a amargura desvairada e fria
E anda cego o infeliz, à luz do dia,
Menosprezando a benção do minuto.

Renuncia e perdoa, ajuda e canta,
Esquecendo o desânimo infecundo,
Segue a bondade milagrosa e santa,
Cada aurora que fulge e se levanta
É Novo Dia, a resplandecer no mundo.

Tem bom ânimo e avança, sobranceiro,
Para o amanhã que a fé te descortina…
Lembra o Sublime e Excelso Mensageiro
Que fez dos braços tristes do madeiro
Asas de luz para a ascensão divina.

Carmem Cinira

No Fim

Ao fim do corpo, a luz de nossos olhos
Transfere-se aos mais íntimos refolhos
Do templo misterioso da consciência…
Nos cumes luminosos da existência,

Brilha a VERDADE em fúlgido estandarte,
Revelando o SENHOR em toda a parte…
É então que observamos o passado
Levantar-se completo, restaurado,

Assinalando em traços manifestos,
Nossas palavras, nossos atos, nossos gestos.
Ergue-se na luz plena

Em voz serena e alta,
Para falar do bem que nos exalta,
Para dizer do mal que nos condena…

Carmem Cinira

Perdoa Sempre

Perdoa, meu irmão,
A noite triste e densa,
Porque a noite nos traz da escuridão
A alvorada por doce recompensa.

Desculpa, meu amigo,
Os acúleos das dores,
Quase sempre o espinho traz consigo
A oferenda das flores.

Suporta, conformado,
Os golpes da amargura,
Pois muitas vezes, o fel inesperado
Traz a bênção da cura.

Tolera a tempestade que alardeia
Violência e furor…
Finda a tormenta, a Terra brilha cheia
De promessas de amor.

Em todo o tempo, a vida é sempre assim
Se o perdão te conduz
Recolherás os júbilos do fim,
Na vitória da luz.

Carmem Cinira

Sonetos de Arnold Souza

REALIDADE

Infeliz de quem segue mundo afora
De coração cerrado à luz da vida.
Infortunado o espírito que chora
Sem um raio de fé n’alma oprimida!…

Desventurado aquele que demora
Na noite de aflição indefinida.
Consumindo a esperança de hora em hora
Na descrença sem luz e sem guarida!…

Foi assim que busquei a morte escura,
Penetrando o portal da sepultura,
Louco de dor, em passos cambaleantes…

Mas, ao em vez de olvido, paz e nada
Encontrei a mim mesmo noutra estrada,
Triste só entre escombros fumegantes…

LUTA E CONFIA

Não te entregues ao mal. Luta e confia,
De mãos sangrentas pela estrada afora,
Glorificando o bem, sofrendo embora
A tormenta de pranto e de agonia.

Enfrenta a tempestade e a noite fria,
E ante a esfinge insolúvel que devora,
Medita e silencia, sonha e chora,
Mas espera o clarão do novo dia.

Não procures a morte escura e extrema,
A fuga não resolve o teu problema
E a dor prossegue, amargurosa e crua…

Recorda, sem cessar, seguindo avante
Que, em tudo, há uma justiça vigilante
E que a Vida Infinita continua…

Sonetos de Antero de Quental

Antero de Quental
A CARNE E O HOMEM
Clamou a Carne ao Homem: – Foge à lida!
Embriaga-te e sonha! Tudo é nada…
A Terra é a nossa vinha iluminada
E eu sou a tua noiva apetecida…

E o pobre cavaleiro, em desabrida,
Sobre o corcel da mente incontentada,
Gozou, riu-se e fugiu à luz da estrada,
Procurando o prazer, de alma insofrida.

Mas veio um dia o Tempo e disse: – Pára!
E alterando-lhe a face nobre e rara,
Deu-lhe a velhice, amargurosa e dura.

E, ofegando na Carne, quase morta,
O Homem triste caiu vencido, à porta
Do jazigo abismal da sepultura.

Antero de Quental
FRÁGIL REI
Disse a Vaidade ao Homem: - Não te dobres!
Reges a Terra e a vastidão divina…
E o Orgulho ajuntou: - Vence e domina,
Humilhando os mais fracos e mais pobres.

Disse o Egoísmo: - A paz em te encobres
Provém da bolsa que não desatina.
Cerra teu cofre e esquece a vã doutrina
Que elege os bons e os tolos por mais nobres.

O Homem riu-se e reinou… Mas, veio um dia
Em que a dor invisível, muda e fria,
Mirou-lhe as torres do castelo forte…

E o frágil rei, fugindo ao falso gozo,
Desceu triste, cansado e desditoso
Para o vale de lágrimas da Morte...

Jesus

TuvaluEis que passa no tempo a imensa caravana,
A multidão revel que humilhada se agita,
Reis, tiranos e heróis, rondando a turba aflita,
E fugindo à verdade augusta e soberana.

Sobre carros triunfais, a Terra se engalana…
E a mendaz ilusão freme, goza e palpita,
Para rojar-se, após a miséria infinita,
Na cinza a que se acolhe a majestade humana.

Mas Tu, Mestre da Paz, que a bondade ilumina,
Guardas, imorredoura, a Grandeza Divina,
Sem que o lodo abismal Te ofenda ou desconforte.

Tudo passa, descendo à sombra do caminho,
Mas no sólio da cruz inda imperas sozinho,
Na vitória do amor que fulge além da morte.

Amaral Ornellas

Prece do Servidor

EstradaSenhor,
Ensina-nos a trilhar luminosa estrada do auxílio!
Dá-nos força para destruir a pesada fortaleza de nossos próprios erros,
Coragem para abrir o caminho da libertação de nós mesmos
E recurso para desobstruir o coração, em favor de nossos semelhantes, entregando-lhes, enfim, os tesouros de amor que nos confiaste!…
Que, por onde passemos,
A dor se faça menos angustiosa,
A ignorância menos agressiva,
O ódio menos cruel,
As trevas menos densas,
O desânimo menos sombrio,
A incompreensão menos destruidora…
Se não possuímos, ainda, bens positivos
Com que possamos enriquecer a jornada terrestre,
Ajuda-nos a diminuir os males que nos rodeiam…
Que em teu nome,
Distribuamos fraternidade e renovação,
Usando com alegria, os dons sublimes e invisíveis
Do silêncio, da compreensão e da renúncia!…
Senhor,
Que nos ensinaste, sem palavras.
As supremas lições da simplicidade da manjedoura
E do sacrifício na cruz,
Indicando-nos, assim, o roteiro da construção especial e da ressurreição divina,
Orienta-nos o passo incerto
E ampara-nos os propósitos santificantes
Para que a Tua Vontade, misericordiosa e justa, se faça
Em nós, por nós e para nós,
Hoje e sempre, onde estivermos.
Assim seja.

Emmanuel

Em teu mundo

Flores no  galhoPermanece em teu mundo, quanto a flor no galho que a viu nascer.
Espalha o perfume de tua alma, a fim de que o teu espaço individual se eleve e engrandeça.
O apoio fraternal opera milagres de fortaleza no espírito abatido.
O mau inclina-se ao bem se tuas mãos lhe descerram os tesouros do auxílio.
O avarento abre as portas da alma quando te vê renunciar.
O ignorante recebe jatos de luz com a tua palavra bondosa e simples.
O homem endurecido cede sempre aos imperativos do perdão se te observa amparando e sofrendo sem reclamar.
O descrente perde o frio do coração ao calor de tua fé.
O desalentado renova as próprias forças, ao contágio de teu bom ânimo.
O triste volta à alegria com o teu sorriso de paz e entendimento.
O desamparado encontra refúgio em teu carinho de irmão.
Cada inteligência é um centro gerador de vida.
Não te canses de criar a felicidade e o amor, trabalhando e cooperando, amando e servindo.
Dá sempre de ti mesmo, a benefício de todos e o Senhor de Tudo te premiará com infinitos recursos.
Quando cessa o entendimento de ajudar, há obstáculos no fazer.
Quando falta o amor, desce a noite sobre o dia da alma.
Quando escasseia a esperança, cai gelo sobre o destino.
Faze de teu mundo um celeiro de bênção e de tua existência um cântico de graças.
O tempo é o nosso aliado divino.
Enche as tuas horas de fé e bondade, serviço e beleza e o Céu virá habitar contigo em qualquer inferno que a ignorância provisória do homem haja construído impensadamente na Terra.

Emmanuel

Sobre o Carnaval

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas.
É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização.
Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.
Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.
Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho.
Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.
É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloqüente atestado de sua miséria moral .

Emmanuel, Psicografado por Francisco Cândido Xavier, em Julho de 1939

A Máquina Divina

Meu amigo.
O corpo físico é a máquina divina que o Senhor nos empresta para a confecção de nossa felicidade na Terra.
Os vizinhos do bruto precipitam-na ao sorvedouro da animalidade.
Os maus empregam-na, criando o sofrimento dos semelhantes.
Os egoístas valem-se dela para esgotarem a taça de prazeres fictícios.
Os orgulhosos isolam-na sem proveito.
Os vaidosos cobrem-na de adornos efêmeros para reclamarem o incenso da multidão.
Os intemperantes destroem-na.
Os levianos mobilizam-na para menosprezar o tempo.
Os tolos usam-na, inconsideravelmente, incentivando as sombras do mundo.
Os perversos movimentam-lhe as peças, na consecução de desordens e crimes.
Os viciados de todos os matizes aproveitam-lhe o temporário concurso na manutenção da desventura de si mesmos.
Os indisciplinados acionam-lhe os valores, estimulando o ruído inútil em atividades improdutivas.
O espírito prudente, todavia, recebe essa máquina valiosa e sublime para tecer, através do próprio esforço, com os fios da caridade e da fé, da verdade e da esperança, do amor e da sabedoria, a túnica de sua felicidade para sempre na vida eterna.

Emmanuel, psicografia Chico Xavier.

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