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Coração

Tuvalu
O coração é luz indefinida
Que brilha renovada, eternamente.
E encontrarás a luz da própria vida
Onde guardarás seu calor ardente.

Se o pântano procuras, cada dia,
Centralizando nele o sentimento,
Descobrirás teu mundo de alegria,
Sob a lama do charco lodacento.

Se te empenhas à caça da ventura
Na glória excelsa de servir sem louros,
Conquistarás, cantando a paz segura
O mais belo de todos os tesouros.

Vigia o teu roteiro e a tua norma
E foge ao desvario dos extremos…
Toda a nossa existência se transforma
Naquilo que buscamos e queremos.

Elege em Cristo o Condutor Divino
De teus sonhos, desejos e esperanças,
O coração modela o teu destino…
Sentindo pensarás, pensando alcanças.

João Coutinho

No Santuário da Oração

Aurora

No santuário da prece,
Toda treva de aflição
Transforma-se em luz sublime
Da aurora de redenção.

A dor que fere e castiga
O coração sofredor,
Converte-se, dentro d’alma,
Em fulcro renovador.

O mal que esparge, às mãos cheias,
Calúnias, golpes, labéus,
É benefício do mundo
Que ajuda escalar os Céus.

A pedrada portadora
De dorida cicatriz,
É degrau vitorioso
Para a vida mais feliz.

A incompreensão que fulmina
Aspirações, ideais,
É porta maravilhosa
De júbilos imortais.

A tempestade que ruge
Qual dragão no céu de anil,
É mensageira operosa,
De graças e bênçãos mil.

Todo o espinho que magoa
Por mais rude, mais cruel,
Transforma-se em flor divina,
Tocada de luz e mel.

Orai sem desfalecer
Nas sombras de vossa cruz
Que a prece nos faz sentir
O Sol do Amor de JESUS!…

Casimiro Cunha

Entre Nós

Flor parasitária

Coração que não se abre
À sementeira do amor
Não guarda com segurança
A luz do Consolador.

Muita leitura sem obras
De ensino e consolação
Traz a flor parasitária
Da inútil conversação.

Desalento choramingas
Em pranto sempre a correr
Expressa, frequentemente,
Muito serviço a fazer.

Comentários contra ingratos,
Verbo amargoso e violento,
São tristes revelações
Do anseio de isolamento.

Discursos sem caridade
Fraternidade sem portas
Tribunas que não amparam
São sinais de fontes mortas.

Fadiga de todo instante,
Chorosa, escura e cediça,
Traduz, sem contestação,
Fragilidade e preguiça.

Cabeça muito ilustrada
Sobre a vida em calmaria
É uma lavrada em ouro,
Muito nobre, mas vazia.

Entusiasmo eloquente
Sem atos de amor cristão
É fogo de palha seca
Em bolhas de água e sabão.

Sublime conhecimento
Distanciado do bem,
É tesouro enferrujado
Que não ajuda a ninguém.

Banquetes da inteligência,
Sem Jesus suprindo a mesa,
São brilhos da força bruta
Em pedras da natureza.

Casimiro Cunha

Fórmula da Paz

Recanto de Paz
Amigo, desperta e vive,
Na Terra, a vida é batalha,
Em que o maior vencedor,
É aquele que mais trabalha.

Há dúvidas amargosas
Cortando-te o coração?
Procura diminuir
As dores de teu irmão.

Repara, angustiado,
Teus sonhos ao desabrigo?
Há milhões na retaguarda.
Rogando-te o braço amigo.

A calúnia visitou-te
As fibras de lutador?
Intensifica, sem mágoas,
A sementeira do amor.

Há campo para a tristeza
Em tua vida mental?
Age sempre, combatendo
A sombra, a miséria, o mal…

Desânimos infecundos,
Moléstias daquilo ou disso
São todos remediáveis
Pela expansão do serviço.

Se pretendes a vitória
Da vida ditosa e crente,
Ajuda sem distinção
E serve constantemente.

Casimiro Cunha

Bom Ânimo

Amanhecer no Campo

Não te entregues à lágrima somente
Quando a Dor te procure o coração.
Em todo clima, vive muita gente,
Perdendo o dom da vida inutilmente
Na noite espessa da lamentação.

Não te prendas ao sangue da pedrada,
Nem te aguilhoes a escombros…
Continua, com o Cristo, a caminhada,
Sustentando a esperança iluminada
Na cruz de espinhos que te verga os ombros.

Todo aquele que chora em demasia,
Na sementeira de miséria e luto,
Colhe a amargura desvairada e fria
E anda cego o infeliz, à luz do dia,
Menosprezando a benção do minuto.

Renuncia e perdoa, ajuda e canta,
Esquecendo o desânimo infecundo,
Segue a bondade milagrosa e santa,
Cada aurora que fulge e se levanta
É Novo Dia, a resplandecer no mundo.

Tem bom ânimo e avança, sobranceiro,
Para o amanhã que a fé te descortina…
Lembra o Sublime e Excelso Mensageiro
Que fez dos braços tristes do madeiro
Asas de luz para a ascensão divina.

Carmem Cinira

No Fim

Ao fim do corpo, a luz de nossos olhos
Transfere-se aos mais íntimos refolhos
Do templo misterioso da consciência…
Nos cumes luminosos da existência,

Brilha a VERDADE em fúlgido estandarte,
Revelando o SENHOR em toda a parte…
É então que observamos o passado
Levantar-se completo, restaurado,

Assinalando em traços manifestos,
Nossas palavras, nossos atos, nossos gestos.
Ergue-se na luz plena

Em voz serena e alta,
Para falar do bem que nos exalta,
Para dizer do mal que nos condena…

Carmem Cinira

Perdoa Sempre

Perdoa, meu irmão,
A noite triste e densa,
Porque a noite nos traz da escuridão
A alvorada por doce recompensa.

Desculpa, meu amigo,
Os acúleos das dores,
Quase sempre o espinho traz consigo
A oferenda das flores.

Suporta, conformado,
Os golpes da amargura,
Pois muitas vezes, o fel inesperado
Traz a bênção da cura.

Tolera a tempestade que alardeia
Violência e furor…
Finda a tormenta, a Terra brilha cheia
De promessas de amor.

Em todo o tempo, a vida é sempre assim
Se o perdão te conduz
Recolherás os júbilos do fim,
Na vitória da luz.

Carmem Cinira

Sonetos de Arnold Souza

REALIDADE

Infeliz de quem segue mundo afora
De coração cerrado à luz da vida.
Infortunado o espírito que chora
Sem um raio de fé n’alma oprimida!…

Desventurado aquele que demora
Na noite de aflição indefinida.
Consumindo a esperança de hora em hora
Na descrença sem luz e sem guarida!…

Foi assim que busquei a morte escura,
Penetrando o portal da sepultura,
Louco de dor, em passos cambaleantes…

Mas, ao em vez de olvido, paz e nada
Encontrei a mim mesmo noutra estrada,
Triste só entre escombros fumegantes…

LUTA E CONFIA

Não te entregues ao mal. Luta e confia,
De mãos sangrentas pela estrada afora,
Glorificando o bem, sofrendo embora
A tormenta de pranto e de agonia.

Enfrenta a tempestade e a noite fria,
E ante a esfinge insolúvel que devora,
Medita e silencia, sonha e chora,
Mas espera o clarão do novo dia.

Não procures a morte escura e extrema,
A fuga não resolve o teu problema
E a dor prossegue, amargurosa e crua…

Recorda, sem cessar, seguindo avante
Que, em tudo, há uma justiça vigilante
E que a Vida Infinita continua…

Sonetos de Antero de Quental

Antero de Quental
A CARNE E O HOMEM
Clamou a Carne ao Homem: – Foge à lida!
Embriaga-te e sonha! Tudo é nada…
A Terra é a nossa vinha iluminada
E eu sou a tua noiva apetecida…

E o pobre cavaleiro, em desabrida,
Sobre o corcel da mente incontentada,
Gozou, riu-se e fugiu à luz da estrada,
Procurando o prazer, de alma insofrida.

Mas veio um dia o Tempo e disse: – Pára!
E alterando-lhe a face nobre e rara,
Deu-lhe a velhice, amargurosa e dura.

E, ofegando na Carne, quase morta,
O Homem triste caiu vencido, à porta
Do jazigo abismal da sepultura.

Antero de Quental
FRÁGIL REI
Disse a Vaidade ao Homem: - Não te dobres!
Reges a Terra e a vastidão divina…
E o Orgulho ajuntou: - Vence e domina,
Humilhando os mais fracos e mais pobres.

Disse o Egoísmo: - A paz em te encobres
Provém da bolsa que não desatina.
Cerra teu cofre e esquece a vã doutrina
Que elege os bons e os tolos por mais nobres.

O Homem riu-se e reinou… Mas, veio um dia
Em que a dor invisível, muda e fria,
Mirou-lhe as torres do castelo forte…

E o frágil rei, fugindo ao falso gozo,
Desceu triste, cansado e desditoso
Para o vale de lágrimas da Morte...

Jesus

TuvaluEis que passa no tempo a imensa caravana,
A multidão revel que humilhada se agita,
Reis, tiranos e heróis, rondando a turba aflita,
E fugindo à verdade augusta e soberana.

Sobre carros triunfais, a Terra se engalana…
E a mendaz ilusão freme, goza e palpita,
Para rojar-se, após a miséria infinita,
Na cinza a que se acolhe a majestade humana.

Mas Tu, Mestre da Paz, que a bondade ilumina,
Guardas, imorredoura, a Grandeza Divina,
Sem que o lodo abismal Te ofenda ou desconforte.

Tudo passa, descendo à sombra do caminho,
Mas no sólio da cruz inda imperas sozinho,
Na vitória do amor que fulge além da morte.

Amaral Ornellas

Conteúdo sindicalizado