Ante o Infinito

Galaxia
Além do turbilhão em que a carne se adensa,
Dilatando o pavor na alma triste e intranquila,
Desdobra-se outra luz e novo céu se anila,
Descortinando aos bons excelsa recompensa.

Eis que divinos sóis, prelibados na crença,
Refulgem, aurorais, em portentosa fila!
Além, constelações onde a glória cintila,
Abrindo ao nosso olhar a vida eterna e imensa…

Ante os mundos e heróis que deslumbrado vejo,
Nosso terrestre lar é simples vilarejo,
Escuro serro hostil, entre aflições imerso.

E os homens – ai de nós – somos, de polo a polo,
Vermes de inércia e dor, algemados ao solo,
Insultando a beleza e a pompa o Universo!…

Antônio Americano do Brasil