Amar ao inimigo

Numa das sessões do Luiz Gonzaga, caiu por sorte a lição: Amar aos inimigos.
Muitos confrades, sentados em redor da mesa, abordaram, com inspiração e oportunidade, o tema utilíssimo. Chegando à nossa vez de falar, lembramos o que, a propósito, à véspera de nossa viagem, nos contara um colega de Ensino:
Morava junto a um vizinho briguento, insociável. Tudo fizera para o conquistar, para transformá-lo de inimigo de outras vidas em amigo e irmão da hora presente. Mas, tudo em vão.
Diante disto, alçara o coração e pedira ao Amigo Celeste uma inspiração, um meio para vencer seu adversário. E Jesus o atendeu. Deu-lhe, na hora aprazada, a instituição precisa. Dois filhos do vizinho, segundanistas de um Ginásio, por mais que se esforçassem, foram reprovados.
Como atenuante à derrota recebida, cada um, no entanto, foi apenas reprovado numa disciplina, podendo, reabilitar-se na segunda época. Mas a dificuldade estava na aquisição de um professor, que lhes desse aulas individuais e intensivas por um mês, pelo menos. O colega soube do sucedido e, por intermédio de sua esposa, mandou oferecer-lhes seus préstimos. Aceitaram e agradeceram. Durante todo um mês receberam os filhos do vizinho aulas individuais e intensivas, um sobre matemática e outro sobre português, que eram as matérias de reprovação. Chamados a exame na segunda época, ajudados também pelo Alto, que tudo observou, foram aprovados e promovidos ao terceiro ano. Isto sobremodo, concorreu para afastar as nuvens pesadas, os mal-entendidos constantes, a turra, as provocações, as inimizades do vizinho, que acabou conquistado com a graça que os filhos receberam. E, assim de forma tão fácil, porque inspirados pelos bons Espíritos, dois corações inimigos se uniram, desobstruindo o caminho de suas provas remissivas. O irmão, professor, mais esclarecido, colocou água na cabeça do seu adversário gratuito, no símbolo de favores, apagando com a água do amor o pequeno fogaréu de antipatias.
Outro confrade, colaborando conosco, contou outro caso, salientando o benefício da Prece intercessora, do pensamento bom, projetado sobre os que nos malquerem. O ambiente estava deveras comovedor.
Emmanuel, trazendo-nos a lição final, compendiando e resumindo o assunto versado, fechou com chave de ouro e tertúlia cristã, o substancioso ágape espiritual. O Chico, que tudo observara à despedida comentou:
—A Sessão, como sempre, foi benéfica para encarnados e desencarnados. Houve preciosas catequeses, lá e cá, de ovelhas tresmalhadas para o Redil do Mestre. É uma verdade o que foi conceituado; devemos acertar nossas contas, no dizer de André Luiz, com o vizinho do lado, da frente, da retaguarda e da vanguarda, enquanto a hora nos é favorável. Amanhã, todos os quadros podem surgir transformados.

Ramiro Gama