Ciência

É certo que ninguém poderá excluir as características científicas no exame transcendente do intercambio entre os vivos da terra e os vivos do Infinito. Toda indagação séria é justa e toda a análise conscienciosa produzirá os frutos doces da verdade. Charles Richet, com toda a sua impertinência de pesquisador, prestou grande serviço á divulgação dos novos ensinamentos; suas perquirições desapaixonadas e incessantes impuseram respeito aos valores psíquicos entre os espíritos mais empedernidos de nossa época.
Mas, entre a mentalidade indagadora e a mentalidade leviana existe considerável distância.
A grande questão de todos os tempos não é propriamente a de conhecer, mas a de entender a finalidade do conhecimento.
O Espiritismo constitui a porta da esperança para um mundo melhor. Seus fenômenos representam chamamentos comuns para uma compreensão mais elevada dos valores da vida. O intercâmbio entre a natureza visível e a invisível conduz a profundas ilações de ordem moral, que é necessário não esquecer. Sua expressão religiosa com o Cristo tem de ser essencial. Sua mensagem permanente tem no Evangelho os primórdios eternos. Nada poderá realizar de substancialmente útil, sem aquele Divino Amigo dos homens.
Instalar mais uma ciência puramente intelectual, onde todas as expressões científicas do cérebro sem o coração já faliram desastradamente, no capítulo da elevação real da criatura, não constituiria uma leviandade de consequências fatais?
A plataforma espiritista, em todos os lugares, será, antes de tudo, uma aleluia dos corações. Suas vozes deverão reviver as lições incompreendidas daquele Mestre amoroso e sábio que veio salvar os pecadores.

Livro Pontos e Contos

Água

água

A água, no mundo, não somente carreia os resíduos dos corpos, mas também as expressões de nossa vida mental. Será nociva nas mãos perversas, útil nas mãos generosas e, quando em movimento, sua corrente não só espalhará bênçãos de vida, mas constituirá igualmente um veículo da Providência Divina, absorvendo amarguras, ódios e ansiedades dos homens, lavando-lhes a casa material e purificando-lhes a atmosfera intima.

André Luiz, do Livro Nosso Lar

História Ligeira

O candidato ao ministério cristão penetrou o templo do serviço e proclamou-se transformado.
Na primeira semana, afirmou-se favorecido pela divina luz e, depois de solene profissão de fé, assinalou fronteiras entre ele e o pecado, entre a sua perfeição e o mundo envilecido.
Na segunda semana, discursou, ardentemente, conclamando o povo à salvação com o Cristo.
Na terceira, traçou programas e promessas, na esfera da beneficência, mostrando-se inclinado a socorrer infelizes, curar os doentes e asilar criancinhas abandonadas.
Na quarta, declarou-se vítima da incompreensão e da discórdia, entre pesadas nuvens de tristeza e insubmissão.
Na quinta, apareceu cansado e desiludido, indicando os males do mundo e os defeitos dos irmãos.
Na sexta, rogou ao Senhor licença para descansar.
Na sétima, deitou-se e dormiu por duzentos anos.
Nesse candidato às bênçãos do Evangelho, temos a história de milhões.
“Muitos chamados, poucos os escolhidos”.
Oportunidades para todos e serviço de raros.
Em verdade, o Divino Amigo continua curando, levantando, consolando, reanimando e convidando almas para o banquete do Reino de Deus, mas os seguidores e discípulos começam a tarefa no calor fervente do entusiasmo, elevado à tensão mais alta.
Pronunciam votos comovedores, gesticulam e ensinam, entretanto, em poucos dias, antes mesmo de marcharem dez passos, na senda da elevação, reclamam férias espirituais para o repouso de vários séculos.

André Luiz

Jesus

Lembro-me de que, um dia, palestrando com alguns amigos protestantes, notei que classificavam a Jesus como “rocha dos séculos”. Sorri e passei, como os pretensos espíritos fortes de nossa época, aí no mundo. Hoje, porém, já não posso sorrir, nem passar. Sinto a “rocha” milenária, luminosa e sublime, que nos sustenta o coração atolado no pântano de misérias seculares. E aqui estou para lhe prestar o meu preito de reconhecimento com estas páginas simples, cooperando com os que trabalham devotadamente na sua causa divina, de luz e redenção.

Humberto de Campos, no Livro Boa-nova

Prova e Força

Se a provação te visita, não esmoreças.
Problema é condição para crescimento.
Reflete na semente a esforçar-se para vencer o solo que a constrange.
A árvore protetora fala sem palavras quantas vezes aguentou a fúria do vento, a fim de sobreviver.
Dor é uma proposta do Céu para que te promovas.
Confia e atravessa a dificuldade.
O Senhor da Vida que te sustentou ontem, sustentar-te-ás também hoje.
Mobiliza a própria fé e caminha adiante.
Liga-te a Deus e segue.
Pensa no prodígio da luz e reconhecerás que a força vem de dentro.

Emmanuel

Maria Santíssima Mãe de Jesus

Maria Santíssima, mãe de Jesus

… Sua choupana era, então, conhecida pelo nome de “Casa da Santíssima”.
O fato tivera origem em certa ocasião, quando um miserável leproso, depois de aliviado em suas chagas, lhe osculou as mãos, reconhecidamente murmurando:
“Senhora, sois a mãe de nosso Mestre e nossa Mãe Santíssima!”
A tradição criou raízes em todos os espíritos. Quem não lhe devia o favor de uma palavra maternal nos momentos mais duros? E João consolidava o conceito, acentuando que o mundo lhe seria eternamente grato, pois fora pela sua grandeza espiritual que o Emissário de Deus pudera penetrar a atmosfera escura e pestilenta do mundo para balsamizar os sofrimentos da criatura.
Na sua humildade sincera, Maria se esquivava às homenagens afetuosas dos discípulos de Jesus, mas aquela confiança filial com que lhe reclamavam a presença era para sua alma um brando e delicioso tesouro do coração. O título de maternidade fazia vibrar em seu espírito os cânticos mais doces. Diariamente, acorriam os desamparados, suplicando a sua assistência espiritual. Eram velhos trôpegos e desenganados do mundo, que lhe vinham ouvir as palavras confortadoras e afetuosas, enfermos que invocavam a sua proteção, mães infortunadas que pediam a bênção de seu carinho.
“Minha mãe dizia um dos mais aflitos como poderei vencer as minhas dificuldades? Sinto-me abandonado na estrada escura da vida…
Maria lhe enviava o olhar amoroso da sua bondade, deixando nele transparecer toda a dedicação enternecida de seu espírito maternal.
Isso também passa! dizia ela, carinhosamente só o Reino de Deus é bastante forte para nunca passar de nossas almas, como eterna realização do amor celestial.”
Seus conceitos abrandavam a dor dos mais desesperados, desanuviavam o pensamento obscuro dos mais acabrunhados…


Do livro Boa-nova, de Humberto de Campos, psicografia de Chico Xavier.
Federação Espírita Brasileira

Recado de Companheiro

Nas estradas em que palmilhas,
eu também já palmilhei…
Pelos caminhos em que vais, eu também já fui…
Nas experiências que vives, eu também já vivi…
Pelos abismos que atravessas, eu também já atravessei…
Nas dores em que sofres, eu também já sofri…
Pelas quedas em que te feres, eu também já me feri…
Aceita, portanto, meu irmão, esse recado singelo
de quem tem aprendido a levantar de
tanto tropeçar nas experiências da vida:
Abre o teu coração e entrega-te a Jesus.

Irmão José

Mente

Cada homem, como cada Espírito, é um mundo por si mesmo e cada mente é como um céu… Do firmamento descem raios de sol e chuvas benéficas para a organização planetária, mas também, no instante do atrito de elementos atmosféricos, desse mesmo céu procedem faíscas destruidoras. Assim a mente humana. Dela se originam as forças equilibrantes e restauradoras para os trilhões de células do organismo físico; mas, quando perturbada, emite raios magnéticos de alto poder destrutivo para as comunidades celulares que a servem.

Livro Os Missionários da Luz

Afeto

Sentes inclinação afetiva
por determinada pessoa…
No entanto, observas que esse
alguém já assumiu
compromissos em outros caminhos.
Sofres e te angustias.
Tivesses chegado um pouco mais cedo…
– pensas, entristecido.
Aceita, porém, as determinações da vida.
Leis desconhecidas agiram em teu benefício.
Nem sempre poderás satisfazer
aos teus caprichos sem agravo
da própria situação espiritual.
Vive a vida que tens, aprendendo
a amar aqueles que te amam.
Cada criatura gravita na órbita
das necessidades que lhe são próprias.
Afeição, quando não se tem,
é também algo que se pode construir.
Deixa o curso dos acontecimentos
correr naturalmente, porquanto Deus,
em fazendo sempre o melhor,
te preservou de sofrimentos
que não tolerarias.

Albino Teixeira.

Crença



Crença é o perfume d’alma que se enflora
Com a luz divina, resplendente e rara
Da fé, única luz da única Aurora,
Que as trevas mais compactas aclara.

Antonio Torres


Se tens o leve agasalho
Do santo calor da crença,
Exemplifica o trabalho
Sem cuidar da recompensa.

Belmiro Braga

Conteúdo sindicalizado